terça-feira, 31 de agosto de 2010

O PRESIDENTE DA FIESP QUE VIROU SOCIALISTA

De São Paulo (SP) – (Tremenda dúvida na hora de botar o título deste artigo. Poderia ser: DE COMO ESSES NOSSOS PARTIDOS MATAM A GENTE DE RISO E DE VERGONHA. Dedicado ao meu melhor amigo Militão).

Vinha eu andando pela Avenida Paulista, como o faço sempre desde que ando na imensidão paulistana, quando minhas vistas se batem num cartaz com a cara do Skaf, aquele expressivo nariz de águia: “Preste atenção nesse cara – Coligação preste atenção São Paulo”. E a sigla PSB. Não só prestei atenção. Me aproximei para decifrar as letras menores. Será este PSB o que estou pensando?

Pois era mesmo: Paulo Skaf, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a poderosa Fiesp, que congrega os maiorais do capitalismo industrial brasileiro, é candidato a governador por um partido chamado Partido Socialista Brasileiro. Vai ser socialista assim lá na China, pensei entre surpreso e divertido.

Depois, como sempre, a gente vai se acostumando. Vejo-o sempre por aí nos folhetos e cartazes pedindo nossa atenção e na propaganda da TV, com sua natural desenvoltura (não vou dizer cara-de-pau porque sou uma pessoa naturalmente respeitosa). Outro dia ele contou na TV, mais ou menos assim: “Estava conversando com o Lula e ele me disse: ‘Oh Skaf, você vive falando mal dos políticos, por que você não entra também na política pra melhorar as coisas?’ Pois então, resolvi ser candidato”.

Este encontro com o mais novo “socialista” desta querida terra que chamamos Brasil me lembrou outro acontecido. Um dia comentei com Irênio Filho, antigo e querido companheiro de militância do PC do B (Partido Comunista do Brasil), da já longínqua década de 70, que nosso conhecido Fulano de Tal tinha sido candidato a prefeito do seu município (seu, de Irênio e do Fulano), lá do interior da Bahia, pelo PC do B.

O companheiro “César” (como Irênio era conhecido nas nossas conspirações clandestinas) ficou assim de boca aberta, “foi mesmo?”, eu confirmei, e ele teve um ataque de riso. Explicando: o Fulano (não quero ser indelicado citando o nome) já tinha sido prefeito algumas vezes e tornou-se, na verdade, um pequeno coronel do lugar, com direito a passagem pelos partidos da ditadura, se não foi do tempo da Arena, foi do PDS, PFL e etc, aportando agora no PC do B. Novos tempos, novas estratégias, diriam.

domingo, 29 de agosto de 2010

FOTOS DO ENCONTRO DE BLOGUEIROS (2)

Conceição Lemes (Blog da Saúde), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania) e Altamiro Borges, o Miro (Blog do Miro), na mesa que dirigiu os trabalhos no fechamento da redação da Carta dos Blogueiros, que espero publicar na íntegra aqui no meu blog (Estas fotos são da autoria deste repórter/blogueiro, improvisado como fotógrafo, já que a fotógrafa titular do blog, Deta Almeida, não pôde viajar este ano)
Leandro Fortes, da Carta Capital, ex-Tribuna da Bahia, blog Brasília, eu vi












Luiz Carlos Azenha, da TV Record, blog Vi o Mundo
Rodrigo Vianna, blog Escrevinhador
Troféu Corvo, outorgado, por aclamação, a Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ). Ficou a sugestão para que no próximo encontro, que deverá se realizar no primeiro semestre de 2011, a "distinção" seja dada a José Serra, atual candidato a presidente pelo PSDB/DEM, que se referiu aos blogs progressistas como "blogs sujos"
O chamado Cloaca, do festejado blog Cloaca News, com Paulo Henrique Amorim, ao receber o Troféu Barão de Itararé
Ator José de Abreu, também blogueiro, apareceu no primeiro dia do encontro
Um dos seis grupos de trabalho discutindo experiências e propostas no domingo, segundo dia do encontro
Luis Nassif bate papo na entrada do Sindicato dos Engenheiros
Camisetas expostas para venda na entrada
Joana D'Arck (Joaninha), criadora e editora do meu blog, coordenadora de vários blogs (especialmente do Pilha Pura), participando dos debates no grupo de trabalho
Joaninha e mais cinco blogueiros baianos (este repórter estava atrás da câmera)
Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, considerado o homem-chave do encontro
Umas cervejas e os papos de confraternização marcaram a alegria e a camaradagem depois da canseira das discussões

sábado, 28 de agosto de 2010

FOTOS DO ENCONTRO DE BLOGUEIROS (1)

Danielle Penha, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, participou do dia-a-dia da organização do 1o. Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado em São Paulo nos dias 21/22 de agosto (Estas quatro primeiras fotos foram "chupadas" do blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, a autoria não ficou clara, creio que são de Aline, do blog Nossa Cara)


Brizola Neto, deputado federal do PDT e blogueiro (blog Tijolaço)
Camiseta registra grandes mulheres na história da humanidade

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, fez uma visita aos blogueiros no segundo dia do encontro (com Conceição Oliveira, do blog Maria Frô)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

“BLOGUEIRO DE PAPEL” É PERSEGUIDO NO PARÁ


De São Paulo (SP) – Lúcio Flávio Pinto (foto), 61 anos, sofre feroz perseguição no Pará. É um jornalista que, depois de consagrado profissionalmente em São Paulo, isto é, em termos nacionais, detentor de vários prêmios, resolveu voltar e trabalhar na sua terra natal. Bateu de frente com a poderosa família Maiorana, proprietária do mais forte grupo de comunicação do estado. Resultado: foi espancado publicamente e responde a vários processos na Justiça, já tendo sido condenado a pagamento de indenização, pena que ele cumpre (ou tenta) apelando para doações de amigos e pessoas solidárias.

Como diz a jornalista Conceição Lemes em texto postado no Vi o mundo (blog de Luiz Carlos Azenha), “é um exemplo de ética, coragem, competência e dignidade para todos nós que atuamos na imprensa. Por falar a verdade contra os poderosos do Pará, responde a vários processos. Desde que eles começaram, Lúcio Flávio procurou oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou defendê-lo”.

Ele não é, realmente, um filho da chamada blogosfera propriamente dita, e sim um “blogueiro de papel”: mantém há 23 anos, a duras penas, um jornalzinho quinzenal chamado Jornal Pessoal, com o qual fustiga os interesses da elite e defende a região amazônica. Convidado para o 1º. Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado em São Paulo no final de semana, dias 21 e 22, não pôde comparecer, porque tinha que atender a um trâmite judicial. Seu filho Angelim Pinto leu a mensagem abaixo, explicando sua ausência e falando de sua luta e seu calvário.

Mensagem de Lúcio Flávio aos blogueiros

“Caros amigos blogueiros,

Sinto-me muito honrado pelo convite, que devo ao Azenha e à Conceição Lemes, para participar deste encontro. É uma iniciativa generosa e gentil para com um analfabeto digital, como eu. Garanto que sou capaz de ligar e desligar um computador, de enviar e receber mensagens. Não garanto nada a partir daí.

Como, então, estou aqui? Sou – digamos assim – um blogueiro avant la léttre. Não podendo ser um tigre, posto que sou Pinto, fui precursor na condição de blogueiro de papel – e no papel. Às vezes, por necessidade, também um tigre in fólios – e nada mais do que isso.

Em 1987, eu tinha 38 anos de idade e 22 de profissão e me vi diante de um dilema.

Numa vertente, a carreira profissional bem assentada em O Estado de S. Paulo, então com 16 anos de “casa”, e também no grupo Liberal, a maior corporação de comunicação do norte do país, no qual tinha 14 anos, com um rompimento pelo meio, quando tentaram me censurar, logo superado pelo restabelecimento da minha liberdade de expressão.

Na outra vertente, uma matéria pronta, importante, mas que não encontrava quem a quisesse publicar. Era o desvendamento do assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles, por morte de encomenda, executada na área metropolitana de Belém, o primeiro crime político em muitos anos na capital do Pará. O Estadão publicara todas as matérias que eu escrevera até então sobre o tema. Mas aquela, que arrematava três meses de dedicação quase exclusiva ao assunto, era, segundo o editor, longa demais.

Já O Liberal a considerava impublicável porque ela apontava como envolvidos ou coniventes com a organização criminosa alguns dos homens mais poderosos da terra, dois deles listados entre os mais ricos. Eram importantes anunciantes. Ao invés de me submeter, decidi ir em frente.

Aí, há 23 anos nascia o Jornal Pessoal, sem anunciantes, feito unicamente por mim, assemelhando-se aos blogs de hoje. Um blog impresso no papel, que exerceu na plenitude o direito de proclamar a verdade, sobretudo as mais incômodas aos poderosos.

Em janeiro de 2005, depois de muitas ameaças por conta desse compromisso, fui espancado por Ronaldo Maiorana, um dos donos do grupo Liberal, que na época era simplesmente o presidente da comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará. Eu estava almoçando ao lado de amigos em restaurante situado num parque público de Belém, quando o agressor me atacou pelas costas, contando com a cobertura de dois policiais militares, que usava – e continua a usar – como seus seguranças particulares.

Qual a causa da brutalidade? Um artigo que publiquei dias antes sobre o império de comunicação do agressor. O texto não continha inverdades, não era ofensivo, nem invadia a privacidade dos personagens. Mas desagradava aos senhores da comunicação. Embora tendo a emissora de televisão de maior audiência do Estado, afiliada à Rede Globo, o jornal que ainda era o líder do segmento (já não é mais) e estações de rádio, não usaram seus veículos para me contraditar ou mesmo atacar com o produto que constitui seu negócio, a informação.

O que resultou dessa agressão? Da minha parte, a comunicação do fato à polícia, que enquadrou o criminoso na forma da lei. Mas o agressor fez acordo com o Ministério Público do Estado, entregou cestas básicas a instituições de caridade (uma delas ligada à família Maiorana) e permaneceu solto, com sua primariedade criminal intacta. Já o agressor, com a cumplicidade do irmão mais velho e mais poderoso, ajuizou contra mim 14 ações na justiça, nove delas penais, com base na Lei de Imprensa da ditadura militar, e cinco de indenização.

O objetivo era óbvio: inverter os pólos, fazendo-me passar da condição de vítima para a de réu. Em quatro das ações eu era acusado de ofender os irmãos e sua empresa por ter dito que fui espancado, quando, segundo eles, eu fui “apenas” agredido. Mais um dentre vários absurdos aviltantes, aos quais a justiça paraense se tem prestado – e não apenas aos Maiorana, já que me condenou por ter chamado de pirata fundiário o maior grileiro de terras do Pará e do universo, condição provada pela própria justiça, que demitiu por justa causa todos os funcionários do cartório imobiliário de Altamira, onde a fraude foi consumada, colocando ao alcance do grileiro pretensão sobre “apenas” cinco milhões de hectares.

Os poderosos, que tanto se incomodam com o que publico no Jornal Pessoal, descobriram a maneira de me atingir com eficiência. Já tentaram me desqualificar, já me ameaçaram de morte, já saíram para o debate público e não me abateram nem interromperam a trajetória do meu jornal. Porque em todos os momentos provei a verdade do que escrevi. Todos sabem que só publico o que posso provar. Com documentos, de preferência oficiais ou corporativos. Nunca fui desmentido sobre fatos, o essencial dos temas, inclusive quando os abordo pioneiramente, ou como o único a registrá-los. Não temo a divergência e a contradita. Desde então, os Maiorana já me processaram 19 vezes.

Nenhuma das sentenças que me foram impostas transitou em julgado porque tenho recorrido de todas elas e respondido a todas as movimentações processuais, sem perder prazo, sem deixar passar o recurso cabível, reagindo com peças substanciais. O que significa um trabalho enorme, profundamente desgastante.

Desde 1992, quando a família Maiorana propôs a primeira ação, procurei oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou. Os motivos apresentados foram vários, mas a razão verdadeira uma só: eles tinham medo de desagradar os poderosos Maiorana. Não queriam entrar no seu índex. Pretendiam continuar a brilhar em suas colunas sociais, merecer seus afagos e ficar à distância da sua eventual vendetta. Contei apenas com dois amigos, que se sucederam na minha defesa até o limite de suas resistências, de um tio, que morreu no exercício do meu patrocínio, e, agora, com uma prima, filha dele.

Apesar de tantas decisões contrárias, ainda sustento minha primariedade. Logo, não posso ser colocado atrás das grades, objeto maior do emprenho dos meus perseguidores. Eles recorrem ao seu cinto de mil utilidades para me isolar e me enfraquecer.

Não posso contar nem mesmo com o compromisso da Ordem dos Advogados do Brasil. Seu atual presidente nacional, o paraense Ophir Cavalcante Júnior, quando presidente estadual da entidade, firmou o entendimento de que sou perseguido e agredido não por exercer a liberdade de imprensa, o direito de dizer o que sei e o que penso, mas por “rixa familiar”.

No entanto, dos sete filhos de Romulo Maiorana, criador do império de comunicações, só três me atacam, com palavras e punhos. Dos meus sete irmãos, só eu estou na arena. Nunca falei da vida privada dos Maiorana. Só me refiro aos que, na família, têm atuação pública. E o que me interessa é o que fazem para a sociedade, inclusive no usufruto de concessão pública de canal de televisão e rádio. E fazem muito mal a ela, como tenho mostrado – e eles nunca contraditam.

Crêem que, me matando em vida, proibindo qualquer referência a mim e meus parentes, e silenciando sobre tudo que fazem contra mim na permissiva e conivente justiça local, a história dessa iniqüidade jamais será escrita porque o que não está nos seus veículos de comunicação não está no mundo. Não chegaria ao mundo porque o controlam, a ponto tal que tem sido vão meu esforço de fazer a Unesco, que tem parceria com a Associação Nacional de Jornais, incluir meu caso na relação nacional de violação da liberdade de imprensa.

O argumento? Não se trata de liberdade de imprensa e sim de “rixa familiar”. O grupo Liberal, por mera coincidência, é um dos seis financiadores do portal Unesco/ANJ.

Após os Maiorana, o dilúvio. A maior glória do Jornal Pessoal é nunca ter sido derrotado no terreno que importa à história: o da verdade. Enquanto for possível, as páginas do Jornal Pessoal continuarão a ser preenchidas com o que o jornalismo é capaz de apurar e divulgar, mesmo que, como um Prometeu de papel, o seu ventre seja todo extirpado pelos abutres.

Eles são fortes, mas, olhando em torno, vejo que há mais gente do outro lado, gente que escreve o que pensa, apura sobre o que vai escrever e não depende de ninguém para se expressar, mesmo em condição de solidão, de individualidade, como os blogueiros, que hoje, generosamente, me acolhem nesta cidade que fiz minha e que tanto amo, como se estivesse na minha querida Amazônia”.

(Para visitar o Jornal Pessoal, acesse http://www.lucioflaviopinto.com.br)

(Quem quiser solidarizar-se com a luta de Lúcio Flávio Pinto, pode depositar qualquer quantia na conta abaixo):

UNIBANCO (banco 409)
Conta: 201.512-0
Agência: 0208
CPF: 610.646.618-15

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS BLOGUEIROS

De São Paulo (SP) – O jornalista Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, já enfrentou 28 processos judiciais (ganhou vários e outros continuam em curso). Ele é o maior exemplo, pois é um dos blogueiros mais conhecidos do país, mas as ameaças, intimidações e ações na Justiça já bateram às portas (ou aos portais) de muitos outros, inclusive com menor visibilidade e menor capacidade de resistência.

Na mesa, da esq. para dir., Paulo Henrique Amorim,
Leandro Fortes, Rodrigo Vianna, Débora da Silva e Luis Nassif
Por isso, a luta contra as tentativas de criminalização dos blogs foi uma das principais atividades durante o 1º। Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado nos dias 21 e 22 de agosto, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, onde se reuniram mais de 300 pessoas (uma parte assistiu num telão no salão da entrada), havendo representantes de 19 estados.

Auditório do Sindicato dos Engenheiros
O assunto foi debatido na manhã do sábado, dia 21। Amorim, que é também apresentador/repórter da TV Record (foi correspondente da TV Globo em Nova Iorque), é ou já foi processado por gente poderosa como o banqueiro Daniel Dantas, o ministro (ex-presidente) do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o senador Heráclito Fortes (DEM-Piauí), o jornalista Boris Casoy, apresentador de telejornal da TV Bandeirantes, e Heraldo Pereira, repórter/comentarista da TV Globo।
“Querem nos vencer pelo bolso”, diz Amorim, com seu estilo irônico e combativo, já que as ações judiciais pedem especialmente indenização às supostas vítimas de calúnia e difamação, um desfecho totalmente inviável financeiramente para a grande maioria dos blogueiros।

Mosquito fustiga com seu Tijoladas
Outro exemplo conhecido nacionalmente é o do jornalista Luis Nassif, que mantém um dos sítios/sites mais acessados (Luis Nassif Online) e foi processado pela editora Abril, que edita a revista Veja, identificada hoje como porta-voz dos setores políticos de extrema-direita।
Luís Nassif

Mosquito (no centro, careca), do blog Tijoladas
Em Santa Catarina há outro caso exemplar de ameaças e intimidações: é o do blogueiro Mosquito, do blog Tijoladas (presente no encontro), que ousou denunciar o estupro de uma menor, envolvendo entre os acusados (já condenados através de acordo a penas bastante brandas – trabalho comunitário) um filho, também menor, do dono da TV RBS (da família Sirotsky), repetidora local da Globo. O crime, claro, não foi noticiado pela grande imprensa e acabou difundido nacionalmente pela cobertura jornalística da TV Record, concorrente da Rede Globo.


Do Pará vem o exemplo da feroz perseguição contra Lúcio Flávio Pinto, jornalista que depois de consagrado profissionalmente em São Paulo, isto é, em termos nacionais, resolveu voltar e trabalhar na sua terra natal e bateu de frente com a poderosa família Maiorana, proprietária do mais forte grupo de comunicação do estado. Resultado: foi espancado publicamente e responde a vários processos na Justiça, já com condenação de pagamento de indenização, que ele cumpre (ou tenta) apelando para doações de amigos e pessoas solidárias.

Na verdade, Lúcio Flávio não é um filho da chamada blogosfera propriamente dita, e sim um “blogueiro de papel”: mantém, a duras penas, um jornalzinho quinzenal chamado Jornal Pessoal, com o qual fustiga os poderosos e defende a região amazônica. Convidado para o encontro, não pôde comparecer, porque tinha que ir a uma audiência judicial. Um de seus filhos leu sua mensagem explicando a ausência e falando de sua luta e seu calvário.
Criar central/portal de advogados
Tema correlato “Ameaças à Internet, neutralidade na rede e questões jurídicas” – foi discutido também durante a tarde do sábado, mas aí já com o objetivo de orientar tecnicamente os blogueiros. Os advogados Túlio Vianna, Paulo Rená e Marcel Leonardi debateram, responderam perguntas e ensinaram sobre os riscos, as armadilhas e os transtornos em relação à questão.

Uma das propostas que volta e meia retornava à discussão durante os dois dias – sua viabilização está em pauta - foi a criação de uma espécie de portal/central nacional de advogados para dar apoio aos blogs, já que a contratação de advogado representa custos inimagináveis para a grande maioria.

A discussão sobre as ameaças aos blogueiros na parte da manhã inseriu-se no tema geral (outros assuntos foram abordados) intitulado “O papel da Internet e os desafios da Internet”. Além de Amorim e Nassif, fizeram parte da mesa Débora da Silva, do Movimento Mães de Maio (mães que se organizaram para denunciar a matança pela polícia de jovens pobres, supostos bandidos, depois dos ataques do PCC/Primeiro Comando da Capital, em maio/2006, em São Paulo), e os moderadores Rodrigo Vianna (blog Escrevinhador) e Leandro Fortes (revista Carta Capital e blog Brasília, eu vi).

O primeiro encontro de blogueiros (no ano que vem tem mais), uma idéia inicial de Luiz Carlos Azenha (blog Vi o mundo), foi organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (presidido por Altamiro Borges – Blog do Miro), pelo Movimento dos Sem-Mídia (MSM, criado por Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania), e pela Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação).

domingo, 22 de agosto de 2010

BLOGUEIROS FAZEM HISTÓRIA

O auditório do Sindicato dos Engenheiros ficou lotado
De São Paulo (SP) - Mais de 300 blogueiros de 19 estados brasileiros se reuniram no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo neste sábado, dia 21, no primeiro dia dos trabalhos do 1º. Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Primeira constatação: é um fato histórico. Os novos protagonistas das modernas ferramentas tecnológicas, que estão escrevendo uma nova página na história dos meios de comunicação no Brasil – um poder que vinha sendo monopolizado por meia dúzia de famílias -, mostraram muito entusiasmo, descontração e disposição para a luta.


A programação do sábado, cujos desdobramentos serão tratados em outras matérias neste blog (veja também cobertura no blog Pilha Pura), foi centrada em debates sobre como enfrentar ameaças e processos judiciais que perseguem os blogueiros; como conseguir sustentação financeira; e como se capacitar tecnicamente para manejar as novas ferramentas. Neste domingo, dia 22, haverá troca de experiências e deverá ser aprovada a Carta dos Blogueiros Progressistas.

Luta contra latifúndios midiáticos
Amorim, Leandro Fortes, Rodrigo Viana, Débora Silva e Luís Nassif


Por enquanto, segue uma declaração lida por Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), um dos blogueiros de maior visibilidade hoje no país, sobre ação judicial para tentar obrigar o Congresso Nacional a regulamentar os artigos da Constituição de 1988 que tratam dos meios de comunicação, especialmente quanto à inconstitucional manutenção das emissoras de rádio e TV em mãos de alguns poucos privilegiados, enquanto o povo é cerceado no seu direito à liberdade de expressão:

“A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e a Fitert (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão, que representa os radialistas) subscreveram a proposta do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé de entrar no Supremo Tribunal Federal com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) por Omissão, de autoria do professor Fabio Konder Comparato, contra o Congresso Nacional, por não regulamentar os artigos de Constituição de 1988 que tratam da Comunicação.

Desde 1988 o Congresso não regulamenta os artigos 220, 221e 224 da Constituição.

O 220 proíbe a formação de oligopólio na comunicação.

O 221 trata da programação do rádio e da tevê.

E o 224 impõe a instalação de uma Comissão de Comunicação Social.

E o Congresso não delibera sobre isso, desde 1988.

Todo mundo elogia a Constituição Cidadã, a Grande Conquista dos Brasileiros, mas, na hora de defender o direito sagrado à comunicação...

Por que ?

Porque a Globo e o PiG (Partido da Imprensa Golpista) não deixam.


O professor Comparato fez, inicialmente, essa proposta à Ordem dos Advogados do Brasil, mas, até agora, a OAB não moveu uma palha.

A OAB está mais preocupada com as dores lombares do Ministro Joaquim Barbosa.

A Fenaj e a Fitert se tornaram fundamentais nessa batalha, porque são associações de âmbito nacional, que mantêm com a ADIN proposta uma “pertinência temática”, como nos ensinou o professor Comparato.

O Barão de Itararé, sozinho, não poderia fazer isso.

Ao lado da Fenaj e da Fitert estão TODAS as centrais sindicais do país, representadas em reunião que tivemos na casa do professor Comparato.

A decisão de entrar com uma ADIN para regulamentar o que a Globo e o PiG não deixam regulamentar será formalmente anunciada na abertura do I Encontro de Blogueiros Progressistas, a se realizar em São Paulo nos dias 21 e 22 deste mês de agosto.

No encontro em que formalmente aceitou liderar essa luta, o professor Comparato estabeleceu algumas condições:

1) É um movimento plural;

2) Não pode ser partidário;

3) Não pode ser sectário;

4) Não tem nada a ver com (qualquer) Governo;

5) O objetivo da luta é fazer o STF e o Congresso Nacional reconhecerem que o direito à comunicação é um direito do cidadão”.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

MOVIMENTOS POPULARES DE SÃO PAULO SONHAM COM O JEITO PETISTA DE GOVERNAR

Cerca de mil pessoas lotaram o salão do Clube Trasmontano
De São Paulo (SP) – O encontro dos movimentos populares de São Paulo com o candidato do PT a governador, Aloizio Mercadante, efetivamente, não aconteceu. Mas o salão do Clube Trasmontano, no centro da cidade (proximidades da Praça da Sé), estava lotado na noite de segunda-feira, dia 16. Enquanto esperavam, em torno de mil pessoas participaram de uma animada “plenária” (como terminou sendo chamado o encontro) em prol da campanha petista, com direito a todas as exaltações à candidata presidencial, Dilma Rousseff, e especialmente ao presidente Lula, às vezes mencionado com tinturas até divinas.

Só faltou mesmo Mercadante. Sua chegada ao encontro organizado pela Secretaria Nacional dos Movimentos Populares do PT ia sendo anunciada para breve de tempo em tempo, até que por volta das 21 horas, após duas horas de discursos, foi anunciado que ele não viria – teve que priorizar, contra a vontade (claro!), uma corrida emergencial ao estúdio de gravação do primeiro programa eleitoral gratuito de rádio e TV que iria ao ar no dia seguinte, dia 17, ainda mais que a prioridade estava ligada à participação de Lula no programa.

Edinho Silva, presidente estadual do PT, discursando
O anúncio foi feito por Edinho Silva, presidente estadual do PT, com um discurso vibrante, bem adequado para a delicadeza do momento. Se houve alguma frustração no auditório, ela não foi manifestada. “Somos um time”, disse Edinho sob aplausos, cada um tem que cumprir seu papel e o mais importante, no final, é ganhar o jogo. E para ganhar o jogo – no caso de Mercadante, virar o jogo, já que todo mundo está de olho nas pesquisas, com o principal adversário, Geraldo Alckmin, lá no topo -, conclamou os militantes a formarem comitês populares de campanha em cada área de atuação. Antes, o dirigente petista tinha defendido a tese de que a força do PT sempre foi a mobilização popular, o povo nas ruas, uma tese um tanto ou quanto obsoleta, em termos de Brasil, depois que Lula chegou à presidência.

Mas para São Paulo esta tese ainda parece surtir efeito e os movimentos sociais/populares mostraram no encontro marcado com Mercadante que sonham com o jeito petista de governar. Afinal, são sucessivos governos do PSDB no estado, todo militante sabe que quem governa a repressão policial é o governador e, tirando casos patológicos, ninguém gosta de apanhar. É só lembrar as mais recentes repressões a greves paulistas – policiais civis, professores e servidores da Justiça -, quando ocupava o Palácio dos Bandeirantes o mesmo José Serra que concorre à presidência pelo PSDB, para se perceber a diferença do jeito tucano de governar.

“Não só bater palmas, mas cobrar”

Ernani Coutinho
O anseio de ter um governador paulista do PT pareceu claro nos pronunciamentos das diversas lideranças que falaram no decorrer da “plenária”, durante a qual foi registrada a presença de representantes de dezenas de movimentos/entidades dos mais variados matizes, além de parlamentares e candidatos a deputado. Mesmo no de quem se mostrou mais cauteloso, como Ernani Coutinho, que falou em nome de comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, destacando as dificuldades para a titulação de terras, os problemas ambientais e os surgidos com a construção de barragens. “Não estou aqui só pra bater palmas, mas também pra cobrar”, disse.

Coca Ferraz, candidato a vice-governador
Descontados os arroubos retóricos que parecem imprescindíveis nas campanhas eleitorais – um dos apresentadores afirmou que todas as centrais sindicais apoiavam a chapa liderada pelo PT e chegou-se a anunciar a presença do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), anunciada como “Rosivaldo do MST”, que não discursou porque, na verdade, não estava representando o movimento -, no final tudo acabou bem. O vice de Mercadante, o professor Coca Ferraz, do PDT, fechou a noite com “chave de ouro”, como se diz: anunciou os novos números da pesquisa do Ibope que acabavam de sair, não do candidato a governador rumo à desejada virada, mas de Dilma, distanciando-se cada vez mais de Serra e apontando já para uma possível vitória no primeiro turno – 43 a 32.



JOVENS FESTEJAM SEU DIA COM PASSEATA

Ângelo Máximo (Max, o 1º. à dir.) e companheiros do
 Coletivo da Juventude Metalúrgica do ABC
De São Paulo (SP) – Uma alegre manifestação pelo centro da capital paulista marcou na quinta-feira, dia 12, o Dia Internacional da Juventude, data instituída pelas Nações Unidas (ONU). Cerca de 300 jovens se concentraram na Praça do Patriarca e foram se deslocando até a Praça da República (área que está inserida aqui no chamado Centro Velho), com várias paradas pelo caminho para breves discursos dos representantes de diversas entidades, em meio a muitas bandeiras da Central Única dos Trabalhadores (Cut) e do Partido dos Trabalhadores (PT).


Grupo de batucada Aprendizes da Capela
Um grupo de batucada, Aprendizes da Capela, animou todo o percurso. Por que “da Capela”? Mestre Vicente explicou que o pessoal começou a ensaiar atrás de uma igreja, no bairro Teotônio Vilela, Zona Leste, a mais popular da cidade. Agora – disse ele – o grupo desenvolve projetos sociais em benefício da região.


Dentre muitas reivindicações lançadas pelos oradores, destacavam-se “trabalho decente para os jovens”, redução da jornada de trabalho sem redução de salários, transporte gratuito para estudantes, sistema de cotas para alunos da rede pública, indígenas e afrodescendentes e destinação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.

Bandeira do sindicato dos metatúrgicos de Sococaba e região
A passeata foi organizada pela Juventude da CUT e teve a participação de departamentos juvenis de vários sindicatos metalúrgicos, de entidades estudantis e outros movimentos sociais, como Marcha Mundial das Mulheres, Associação da Parada do Orgulho GLBT (gays e lésbicas), Frente de Luta por Moradia, Juventude do PT e Movimento Cultural Arroz, Feijão, Cinema e Vídeo.

domingo, 15 de agosto de 2010

APOSENTADOS VÃO ÀS RUAS EM SÃO PAULO

Aposentados de Osasco carregam a bandeira da sua entidade
De São Paulo (SP) – Não foi na capital, e sim em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, cidade industrial onde estão potências como a Embraer e a General Motors. Cerca de mil manifestantes, a grande maioria aposentados, foram às ruas nesta quinta-feira, dia 12, em luta por suas reivindicações, como a derrubada do veto do presidente Lula ao fim do fator previdenciário, aprovado pelo Congresso Nacional depois de muitas pressões dos aposentados (o fator previdenciário reduz o valor do benefício no cálculo da aposentadoria).



O presidente da União dos Aposentados e Pensionistas de Osasco (UAPO), Otaviano Pereira, deu o tom: “Cada presidente (da República) que entra nos rouba um pouco mais. É por isso que os aposentados que têm vergonha na cara têm que protestar, e os jovens, os aposentados de amanhã, precisam apoiar nossa luta, porque se não na hora que chegar a sua vez, não terão mais nada pra perder”.



Otaviano Pereira
Ele e duas dezenas de oradores se revezaram ao microfone com breves discursos, primeiro no meio dos manifestantes, depois em cima do carro de som, durante as três horas em que a passeata percorreu as ruas da cidade – da sede da Associação Democrática dos Metalúrgicos Aposentados de São José dos Campos (Admap) até a última parada na Praça Afonso Penna, no centro.



Além da derrubada do veto, defenderam outras propostas dos aposentados, como reajuste igual ao do salário mínimo e a reposição das perdas. Propostas e protestos que estiveram presentes nas dezenas de faixas, cartazes e palavras de ordem ao longo da marcha.



Juros da dívida fazem a festa dos banqueiros



O professor Osmar Marchese, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (Universidade de Campinas), ao discursar, esgrimiu números que mostram as distorções dos gastos do governo federal, em prejuízo dos aposentados e em benefício de segmentos privilegiados da sociedade brasileira, como é o caso dos banqueiros: revelou que em 2009 o pagamento aos 23 milhões de aposentados chegou a R$ 189 bilhões; enquanto isso, no mesmo ano, os juros da dívida pública consumiram o dobro, R$ 380 bilhões. Segundo ele, que é professor de Economia, a dívida pública está atualmente em R$ 2,1 trilhões – dívida interna: R$ 1,8 trilhão, mais dívida externa: R$ 300 bilhões.



O mesmo tema foi abordado por Wellington Cabral (foto), secretário-geral do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e Região, que falou também em nome do PSOL, partido pelo qual é candidato a deputado federal nas eleições 2010. Ele fez referência às dificuldades que seu partido enfrenta na Câmara dos Deputados na tentativa de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a dívida pública do Brasil, visando especialmente se chegar a uma auditoria da dívida, já prevista na Constituição de 1988, mas até hoje “letra morta”. Outro partido político de esquerda, o PSTU, também apoiou a manifestação. Vários dos seus candidatos falaram, inclusive o que disputa a presidência da República, Zé Maria, que fechou a série de pronunciamentos.




Protesto teve caráter nacional



A participação mais significativa, no entanto, foi a das diversas associações dos próprios aposentados de São José dos Campos e de cidades da região, como Catanduva, ABC, Jundiaí, São José do Rio Preto, Campinas, Rio Claro e a já mencionada Osasco. Houve ainda representações de outros estados, como de Volta Redonda/Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte e Minas Gerais, daí o evento ser considerado de caráter nacional. Também porque foi organizado pela Confederação Brasileira de Aposentados (Cobap), por sua federação em São Paulo (Fapesp), pela Admap e pela Central Sindical e Popular (CSP) – Conlutas, conforme informações de Atnágoras Lopes (foto ao lado), da Secretaria Executiva Nacional da central.

Além disso, participaram outras entidades sindicais, populares e estudantis, como os sindicatos dos metalúrgicos da cidade e dos trabalhadores dos Correios. Da área dos movimentos que lutam por moradia, estiveram presentes o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e o Movimento Urbano Sem-Teto (MUST), que atua em São José dos Campos na Ocupação Pinheirinho, onde estão assentadas 1.843 famílias, segundo informou o seu coordenador, Valdir Martins, conhecido como Marron.

A manifestação tinha sido anunciada pela CSP-Conlutas, quando do lançamento de sua campanha de mobilizações para este semestre (matéria neste blog postada na quinta-feira, dia 12). Na próxima quarta-feira, dia 18, uma outra será realizada na Praça da Estação, centro de Belo Horizonte (MG).

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

LANÇADA CAMPANHA DE MOBILIZAÇÕES

Patrícia, Pedrini, Gegê, Barela e Cavalli no ato na sede da Apeoesp
De São Paulo (SP) - Mesmo enfrentando uma conjuntura de acentuada desmobilização popular, com as atenções voltadas para o processo eleitoral, algumas entidades ligadas à Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) lançaram ontem, dia 10, sua campanha de mobilizações visando as lutas neste segundo semestre de 2010.

Houve a distribuição de panfletos durante a tarde na Praça da Sé e, à noite, no auditório do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), num breve ato, foi discutida a criminalização dos movimentos sociais.


Segundo dirigentes da central sindical, que bate de frente com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e tem posição crítica contra o governo de Lula, ocorreram manifestações neste dia 10 – que eles intitularam Dia Nacional de Luta – também em outras capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza e Belém. Nesta quinta-feira, dia 12, está marcado um ato promovido pelos aposentados, na cidade paulista de São José dos Campos e, na próxima semana, dia 18, haverá um protesto na Praça da Estação, centro de Belo Horizonte.

Estão previstas ainda mobilizações na campanha salarial dos metalúrgicos paulistas (data-base em setembro), principalmente em cidades cujos sindicatos não são ligados à CUT, como São José dos Campos, Campinas, Limeira, Santos, São Caetano do Sul, Tatuí e São Carlos. Há também previsão de ações a serem promovidas pelos movimentos por moradia.


Ações judiciais e repressão policial

Toda movimentação gira em torno das seguintes bandeiras: “Aumento real de salários; redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salários; pela derrubada do veto de Lula ao fim do fator previdenciário; em defesa dos serviços públicos e direitos sociais da população; não à criminalização e à violência policial contra os movimentos sociais; pelo pleno direito de greve; e por terra, trabalho e moradia”.

Durante o ato na sede da Apeoesp, Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, destacou a utilização de ações judiciais contra grevistas e militantes no processo de criminalização dos movimentos sociais – processo reforçado pela atuação dos meios de comunicação -, bem como a repressão policial, a exemplo do ocorrido na greve dos servidores da Justiça (ver matéria neste blog “Frente do fórum em SP vira praça de guerra”, postada em 08/07/10). Na zona rural, o quadro é ainda pior, com a ocorrência de prisões, espancamentos e assassinatos.

Falaram também Patrícia Alves, da Liga Estratégia Revolucionária (LER), Paulo Pedrini, da Pastoral Operária, e Aníbal Cavalli, da direção do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp). Os trabalhos foram dirigidos por José Geraldo Correa (Gegê), da Secretaria Executiva Estadual da CSP-Conlutas.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

“OS EUA SÃO O MAIOR TERRORISTA DO MUNDO”


(Postado neste blog conforme publicado no sítio do jornal Brasil de Fato)

Noam Abraham Chomsky (foto), intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Falou com exclusividade para Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com, em 21 de Julho de 2010.

Por Luis Angel Murcia, de Semana.com

O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantém os indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.

Noam Abraham Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões são os mais lidos depois da Bíblia. Sem dúvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.

Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplicam no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.

Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.

Em sua agenda, coordenada pela CUT (Central Unitária dos Trabalhadores da Colômbia) e pela Defensoria do Povo do Vale, o senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.

Que significado tem para o senhor esta homenagem?

Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.

Seus três filhos sabem da homenagem?

Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.

Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?

Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.

Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.

É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.

Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado Guerra ou Paz no Oriente Médio?

É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?

Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?

Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel da Paz, o que o senhor pensou?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, esta não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.

Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?

Eles têm tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.

Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?

Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.

O que acontecerá com o Irã?

Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.

O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.

Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.

Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?

É diferente. O que os EUA têm feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestadas pelo poder da propaganda.

A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?

Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo”.

A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data, tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente, também recebia ajuda militar.

O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.

Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?

Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedirem que faça, eles nunca vão derrubar o governo.

Está dizendo que os EUA derrubam governos na América Latina?

Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.

Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?

A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.

A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?

Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.

O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.

Fonte: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em http://www.semana.com/noticias-mundo/parte-colombia-robada-roosevelt/142043.aspx

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A DIREITA SE ESCONDE E A ESQUERDA É ESCONDIDA

Plínio Arruda tentou dar o seu recado

De São Paulo (SP) – Plínio de Arruda Sampaio foi o primeiro candidato a presidente da República a ser perguntado (escolhido em sorteio prévio) no primeiro debate pela televisão da eleição/2010, na quinta-feira, dia 5, pela TV Bandeirantes. Levantou-se, fez aquelas saudações de praxe e foi logo esperneando, mais ou menos assim: “Vocês devem estar surpresos, eram só três candidatos e agora aparece mais um, e tem mais...” (referência a ele próprio e mais cinco candidatos “invisíveis” da corrida presidencial).



Dilma, Serra e Marina, os que mais aparecem na imprensa
O candidato do PSOL tentou, desde o primeiro momento, dizer: olha eu aqui, represento um partido de esquerda, estou aqui em nome dos movimentos sociais, tenho propostas alternativas, diferentes dos três candidatos aqui presentes (são os que mais aparecem na imprensa: Dilma Rousseff, do PT, a candidata do popular Lula, já francamente favorita; José Serra, do PSDB, a cada dia mais abandonado pelos ex-companheiros; e Marina Silva, do PV, que não fede nem cheira), os três têm muita convergência, eu sou a divergência, represento a defesa da igualdade social contra a desigualdade do sistema, “quero derrubar o muro que separa o povo da perspectiva de justiça social”.

E foi esgrimindo com três pontos básicos, tentando mostrar que era mensageiro de uma outra visão, tentando demonstrar que, dentre os quatro candidatos, somente ele defendia a limitação da propriedade da terra em mil hectares; somente ele defendia a redução da jornada de trabalho sem redução do salário; e somente ele era contra dar anistia aos desmatadores de florestas.

Discriminado também no debate, conforme se queixou – as perguntas, claro, iam mais para Dilma e Serra, pois apenas um dos dois pode ser presidente, segundo está escrito nos anais de uma espécie de conspiração paracelestial -, Plínio de Arruda Sampaio, do alto dos seus 80 anos de integridade e coerência, buscava aproveitar aquela rara oportunidade para dar o seu recado. Apesar do seu porte elegante e respeitável, poderia lembrar um afogado buscando desesperadamente um pouquinho de ar para saciar os pulmões.

Falta liberdade de expressão

Na verdade, este quadro é o retrato da falta de liberdade de expressão das forças de esquerda, ou pelo menos de uma esquerda mais autêntica, mais radical, estigmatizada como sonhadora e ineficaz, não só pela direita, mas também por uma esquerda mais flexível, pragmática, muito mais exitosa, como a que está embutida em partidos como o PT, PV, PC do B, PSB e até PMDB. Talvez o estigma tenha razão de ser, mas se não há participação popular e suas posições mais radicais não chegam ao povo, como vamos saber? Fica aquela velha discussão sobre o sexo dos anjos.

De modo geral, os meios de comunicação não dão espaço à esquerda, e pior, criminalizam os movimentos sociais, normalmente afinados com os partidos de esquerda.

No caso do processo eleitoral, há um argumento forte para manter os mais radicais escondidos: seus candidatos quase não pontuam nas pesquisas de opinião.

Além de Plínio, concorrem também nesta disputa presidencial Zé Maria, do PSTU, Rui Pimenta, do PCO, e Ivan Pinheiro, do PCB.

A massa do eleitorado nem sabe da existência deles, assim como dos demais que não aparecem nas pesquisas. (O critério para participação de Plínio no debate foi baseado na legislação eleitoral: seu partido, o PSOL, tem representantes no Congresso Nacional, assim como o PT, PSDB e PV).

Fenômeno na política brasileira

Enquanto isso, a direita, ela própria, trata de se esconder, não há um só político que se apresente como de direita. Há um fenômeno na política brasileira que, volta e meia, eu matraco, porque considero um fenômeno extraordinário: não existe direita na política brasileira, extrema-direita, nem pensar! – pelo menos é o que se deduz do noticiário dos jornais, rádios e TVs. Não existe! É isso? É isso mesmo, não existe!

É justamente por isso que José Serra se apresentou no debate da Band, ao traçar sua breve biografria, como defensor histórico do petróleo brasileiro e da Petrobras e ainda da reforma agrária – vejam só! até da reforma agrária, uma bandeira hoje já arriada até pela esquerda que cito acima como mais exitosa. Além de lembrar que foi líder estudantil, presidente da outrora combativa União Nacional dos Estudantes, a legendária UNE, e que esteve exilado 14 anos. Ou seja, a biografia de um perfeito esquerdista.

Não disse, óbvio – e ninguém lhe perguntou sobre tais coisas -, que ultimamente vem se alinhando com “teses” da extrema-direita, creio até que forçado pela circunstância de sua solidão política, amenizada pela companhia às vezes incômoda dos antigos arenistas/pefelistas, hoje adotando a sigla DEM, chamados “democratas” – vejam a falta de respeito com as palavras (ou seria ironia?).

Serra (quem diria?) na extrema-direita

É o mesmo José Serra que, como governador de São Paulo, reprimiu duramente os professores e policiais em greve; é o mesmo que, como ministro de Fernando Henrique Cardoso, apoiou o entreguismo de empresas estatais no vergonhoso processo de privatizações; é o mesmo que repete aleivosias da extrema-direita acusando o presidente Evo Morales, da Bolívia, de envolvimento com traficantes de drogas, ou acusando o PT de ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs); é o mesmo José Serra que, como dizem críticos mordazes, parece querer o lugar do mal-afamado Álvaro Uribe (que deixa a presidência da Colômbia neste sábado, dia 7) como capataz do império estadunidense, contra a política de integração soberana da América Latina, apoiada pelo presidente Lula e pela candidata Dilma.

Pois é, este é um dos aspectos que se pode analisar a partir do primeiro debate na TV das eleições/2010: a esquerda querendo se mostrar e a direita, como sempre, se escondendo.

Quantos eleitores chegam a perceber tais nuances, quantos estavam ligados no debate? A maioria na capital paulista, creio, estava ligada na TV Globo vendo a decisão da Copa Libertadores entre o São Paulo e o Internacional.

Comentei com um empregado do meu hotel que eu ia assistir ao debate dos candidatos na TV:

- Vai ser que hora? – ele perguntou.

- Às 10 horas – respondi.

- Ah! na hora do jogo!? – a frase teve um certo tom de protesto.