quinta-feira, 31 de maio de 2012

BAIANOS EM PÉ DE GUERRA CONTRA O JORNALISMO BAIXARIA


Walter Pinheiro (com microfone), presidente da ABI, na reunião de entidades baianas (Foto: Paula Fróes)
De Salvador (Bahia) – Depois do vídeo que bombou na blogosfera mostrando a “repórter loira” achincalhando na TV Bandeirante (“Brasil Urgente”, versão Bahia) um jovem, negro e pobre, acusado de estuprador - episódio que motivou  uma “carta aberta” dos jornalistas baianos -, setores da sociedade baiana voltaram a repudiar o chamado jornalismo baixaria – programas policialescos que grassam nas tardes das TVs da Bahia, cuja matriz principal talvez seja o mesmo “Brasil Urgente”, versão nacional, da mesma Band, comandado por José Luiz Datena.

(As cenas chocam o coração de quem tenha um mínimo de sensibilidade diante de situações ultrajantes do ser humano. Veja versão mais ampliada do mesmo vídeo em link abaixo).

Desta vez a manifestação de repúdio foi na Associação Bahiana de Imprensa (ABI), na manhã de ontem, dia 30, quando representantes de movimentos sociais (ABI, Ordem dos Advogados-OAB, sindicatos dos jornalistas e dos radialistas e entidades do movimento negro, dentre outros), por unanimidade, condenaram a orientação de tal tipo de programa, que é comum também em emissoras de rádio.

A convocação foi feita sob a consigna: “Liberdade de imprensa, sim! Violação de direitos humanos, não!” O vice-presidente da ABI, Ernesto Marques, foi enfático ao criticar o que este blog está chamando de “jornalismo baixaria”, a execração pública da pobreza, esse vale-tudo por audiência. Ele chamou a atenção para o absurdo de tais programas de rádio e TV estarem prestando tal desserviço à comunidade, quando todos sabem (ou deveriam saber) que as emissoras recebem concessões do governo federal para prestação de serviço público.
Ernesto Marques (na tribuna): TVs e rádios são concessões de serviço público (Foto: Paula Fróes)
Por isso e por outras razões – como a manutenção dos escandalosos monopólios da comunicação, cuja proibição é letra morta na Constituição de 1988 -, Ernesto defendeu a necessidade do marco regulatório da mídia, o que nada tem a ver com censura à imprensa, como querem fazer crer os arautos da velha mídia, estes sim, inimigos hoje e sempre da liberdade de expressão (é bastante lembrar o apoio de TV Globo, Folha de S.Paulo, etc à censura imposta pela ditadura militar).

A direção da ABI fez uma representação ao Ministério Público (MP) estadual sobre a situação que ganhou grande visibilidade a partir do vídeo da “repórter loira” (seu nome é Mirella Cunha e o apresentador do programa chama-se Uziel Bueno, mas a maioria concorda que a ênfase das críticas não deve recair sobre a jovem repórter, que, talvez por inexperiência, foi com sede demais ao pote e acabou estigmatizada, também uma vítima). O MP está estudando o caso para ver as responsabilidades, o que inclui os dirigentes da Band, os quais, em nota oficial, prometeram “tomar todas as medidas disciplinares necessárias”, segundo reportagem do Portal Imprensa.

Também o Conselho da Comunidade Afrodescendente entrou no circuito. Vai se reunir na segunda-feira, dia 4. Há a expectativa de que reivindique, dentre outras coisas, direito de resposta à direção da Band – Bahia. Há ainda possibilidade de que se promova, por exemplo, campanha de denúncia e boicote contra anunciantes de programas desse tipo.

Tem mais do mesmo nas TVs baianas

O caso foi detonado, nacionalmente, pelo vídeo postado no Blog do Rovai (de Renato Rovai, editor da revista Fórum e da direção da AlterCOM - Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação), postagem inicial de 21/05/12.

Repito aqui (entre aspas), com pequenas modificações, trecho de postagem anterior deste Evidentemente:

“Tal ‘pérola’ do jornalismo baixaria, como está dito acima, é do programa "Brasil Urgente”, da Band - Bahia" (filhote do nacional comandado pelo Datena), apresentado por Uziel Bueno em dois horários: 13 horas e 16:50 horas, de segunda a sexta.

Mas tem mais do mesmo nas emissoras de TV da Bahia (e certamente não só da Bahia). Diariamente os telespectadores baianos são agredidos com humilhações e achincalhes perpetrados por "repórteres" que parecem participar de concurso para ver qual é capaz de maior baixaria. As vítimas, além dos assistentes e do jornalismo, são sempre negros e pobres, algemados, indefesos, de baixa ou  nenhuma instrução escolar, acusados de algum delito, expostos à execração pública nas delegacias de polícia. É comum também em tais programas a exploração das misérias e tragédias da vida humana.

Registro pelo menos mais três programas que buscam audiência através dessa linha editorial:

"Balanço Geral", da TV Record Bahia (TV Itapoan), apresentado por Raimundo Varela (a partir das 7:15 da manhã, especialmente em "entrevistas" do "repórter" Adelson);

"Se liga Bocão", da mesma Record, comandado por Zé Eduardo, que tem dois horários no período da tarde;

"Na mira", da TV Aratu (repetidora do SBT), apresentado pela Loura (Analice Salles), também com dois horários, um perto do meio-dia e outro no início da noite”.

É isso aí, como diz o juiz Marcelo Semer, do blog Sem Juízo: “De que adianta o Estado tutelar a dignidade humana se ela é violada todo dia às seis da tarde em rede nacional?”

(Quem quiser ver o mesmo vídeo, mais ampliado, clique aqui: ele está lincado na matéria "A imprensa que estupra", de Eliane Brum, em sua coluna na revista Época, conforme postagem do Blog do Miro, de Altamiro Borges, de 30/05/12).

quarta-feira, 30 de maio de 2012

RAFAEL CORREA: “NÃO ESTAMOS ADMINISTRANDO UM SISTEMA: ESTAMOS MUDANDO UM SISTEMA”



Rafael Correa: "Vocês precisam entender que, por aqui, o poder ‘midiático’ foi, e provavelmente ainda é, muito maior que o poder político. De fato, o poder ‘midiático’ tem imenso poder político, em função de seus interesses, poder econômico, poder social. E, sobretudo, tem poder monopolístico para informar".

Entrevista do presidente do Equador concedida ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, reproduzida do site do jornal Brasil de Fato, onde foi postada com o título “Comunicação e soberania no Equador”. O título acima é deste blog.

O presidente Rafael Correa, segundo os telegramas diplomáticos dos Estados Unidos que o WikiLeaks divulgou, é o presidente mais popular na história democrática do Equador.



Mesmo assim, em 2010, foi preso e feito refém, numa tentativa de golpe de Estado. A culpa pela tentativa de depô-lo, segundo ele mesmo conta, foram os meios de comunicação corruptos. Correa pôs em marcha uma polêmica contraofensiva. Na avaliação dele, os meios de comunicação definem as reformas que seriam as únicas possíveis, para os próprios meios. Confira trechos da entrevista do presidente do Equador concedida ao programa “The World Tomorrow”, da rede RT (Russia Today), do jornalista e fundador do Wikileaks, Julian Assange, que publicou, em 2010, inúmeros documentos sobre crimes de guerra cometidos na Guerra do Afeganistão e na Guerra do Iraque pelo Exército dos Estados Unidos.

Julian Assange – O que pensam os equatorianos sobre os Estados Unidos e o envolvimento do governo desse país no Equador e na América Latina?

Rafael Correa – Como disse Evo Morales [presidente da Bolívia], os Estados Unidos são o único país que pode ter certeza de que lá jamais haverá golpes de Estado, isso porque não há embaixada dos EUA nos EUA.

Seja como for, quero dizer que uma das razões do mal-estar é que nós cortamos todo o financiamento que a Embaixada dos EUA pagava à polícia no Equador. Era assim antes do nosso governo e continuou ainda, por um ano e pouco. Demoramos a corrigir isso. Os chefes policiais eram selecionados pelo Embaixador dos EUA e pagos por ele. Mas são tempos que não voltarão ao nosso país e aos nossos países.

Seu governo fechou a base militar dos Estados Unidos em Manta. Pode dizer-me por que decidiu isso?

Você aceitaria uma base militar estrangeira no seu país? Se é assunto tão simples, se não há problema algum em os EUA manterem uma base militar no Equador, ok, tudo bem: permitiremos que a base de inteligência permaneça no Equador, se os EUA permitirem que estabeleçamos uma base militar do Equador em Miami.

Presidente Correa, por que o senhor pediu que revelássemos [que WikiLeaks revelasse] todos os telegramas diplomáticos?

Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De fato, os [telegramas divulgados por] WikiLeaks nos fortaleceram. A Embaixada dos EUA nos acusava (como se fosse crime) de sermos excessivamente nacionalistas e defendermos a soberania do governo equatoriano. E é claro que somos nacionalistas! E é claro que defendemos a soberania do Equador! E os WikiLeaks falavam de todos os interesses que os EUA haviam investido nos meios de comunicação no Equador, dos grupos de poder que marcavam hora para pedir ajuda em embaixadas estrangeiras.

Como foi, para o senhor, tratar com os chineses? É um país grande e poderoso. Ao negociar com os chineses, o senhor não estaria trocando um demônio, por outro?

Quando 60% de nosso comércio e grande parte de nossos investimentos estavam concentrados nos Estados Unidos, e não nos davam 20 centavos para financiar o desenvolvimento do país, ninguém reclamou de demônio algum, era como se não houvesse problema. Agora, quando somos o país que mais recebe investimentos chineses na região – e talvez porque os chineses não são altos, louros, de olhos azuis, viram demônios e tudo é problema. Chega disso!

Que bom que nos ajude para fazer aqui uma extração responsável de petróleo! Mas não recebemos financiamentos só da China. Recebemos financiamento russo, brasileiro, diversificamos nossos mercados e nossas fontes de financiamento. Mas há gente que nasceu no cabresto, com sela e rédea, e quer continuar com a dependência de sempre. É só isso.

Como o senhor sabe, luto, há muitos anos, a favor da liberdade de expressão, pelo direito de as pessoas se comunicarem, pelo dever de publicar e dar ao público informação verdadeira. O que o senhor fará, para que suas reformas não acabem com a liberdade de expressão?

Você mesmo é ótima mostra, Julian, de como é a imprensa, essas associações como a Sociedade Interamericana de Imprensa, que nada são além de um clube de donos de jornais na América Latina. Sobre seu WikiLeaks, publicaram-se muitos livros, o mais recente dos quais é de dois autores argentinos, no qual analisam país por país, Wiki Midia Leaks.

No caso do Equador, demonstra como, desavergonhadamente, os veículos não publicaram os telegramas que os prejudicavam. Por exemplo, disputas entre empresas de comunicações. E todos, afinal, decidiram não publicar suas próprias sujeiras, para não prejudicar nenhum deles.

Nós acreditamos que os únicos limites que devem pesar sobre a informação e a liberdade de expressão são os que já existam nos tratados internacionais, na Convenção Interamericana de Direitos Humanos: a honra e a reputação das pessoas; e a segurança das pessoas e do Estado. Quanto a todo o resto, quanto mais gente saiba de tudo, melhor.

Vocês precisam entender que, por aqui, o poder ‘midiático’ foi, e provavelmente ainda é, muito maior que o poder político. De fato, o poder ‘midiático’ tem imenso poder político, em função de seus interesses, poder econômico, poder social. E, sobretudo, tem poder monopolístico para informar.

Quando tomei posse na presidência, havia aqui sete canais de televisão nacionais. Nenhum público; todos privados. Cinco pertenciam a banqueiros. Imagine a situação: eu queria tomar uma medida contra os bancos, para evitar, por exemplo, a crise e os abusos que, hoje, todos estão vendo acontecer na Europa, sobretudo na Espanha. E houve uma campanha violentíssima, pela televisão, para defender os interesses dos banqueiros empresários donos das empresas, dos proprietários dessas cadeias de televisão, todos banqueiros.

O senhor não tem interesse em criar um sistema que permita o fácil acesso ao mercado editorial, de modo a que empresas jornalísticas editoriais pequenas e indivíduos sejam protegidos (não regulados) e as grandes empresas editoriais e grupos ‘midiáticos’ sejam separados e regulados?

Julian, estamos tentando fazer exatamente isso. Há mais de dois anos discute-se uma nova lei de comunicação, para dividir o espectro radioelétrico, quer dizer, o espectro para TV e rádio, para que só 1/3 seja privado com finalidades comerciais; 1/3 para propriedade comunitária; e 1/3 de propriedade do Estado – não só o governo nacional; também os governos locais, municipais, departamentais.

Mas a lei não avança. Há dois anos, apesar de haver ordem constitucional aprovada nas urnas em 2008, ratificada pelo povo equatoriano por consulta popular no ano passado, a nova lei foi e continua a ser sistematicamente bloqueada pelas grandes empresas, nos grandes veículos. Para eles, é “lei da mordaça”. Para eles e para deputados e senadores assalariados que as empresas mantêm, a soldo, na Assembleia Nacional, e que lá estão para defender aqueles interesses.  

O que estamos fazendo é claro: democratizar a informação, a comunicação social, a propriedade dos veículos e meios de comunicação. Por isso mesmo, obviamente, enfrentamos a acérrima oposição que nos fazem os proprietários dos veículos e meios de comunicação e dos seus corifeus alugados, que atuam em todo o espectro político no Equador.

Recentemente, entrevistei o presidente da Tunísia, e perguntei a ele se o surpreendera o pouco poder que os presidentes têm para mudar as coisas. O senhor também observou isso?

Muitos trabalham para satanizar os líderes políticos, porque uma das grandes crises pelas quais a América Latina passou nos anos de 1990, até o começo desse século, durante a longa e triste noite neoliberal, foi a crise de lideranças políticas.

Afinal, o que significa “ter liderança”, “ser líder”? Significa capacidade para influir sobre os demais. É claro que pode haver boas lideranças políticas, pessoas que usam a capacidade que têm para liderar, para servir a causa dos outros. E claro que também há maus líderes – dos quais, lamentavelmente, houve muitos na América Latina –, que utilizam a capacidade que têm, mas apenas para servir-se dos demais.

Entendo que os líderes são importantes sempre, mais ainda em processos de mudança. É possível imaginar a independência dos Estados Unidos, sem os comandantes que houve lá? Sem aqueles líderes?

É possível imaginar a reconstrução da Europa depois da II Guerra Mundial, sem os grandes líderes que houve lá? Contudo, quando se trata de fazer oposição às mudanças na América Latina, onde há líderes fortes, mas líderes democráticos e democratizantes, inventam logo que a liderança é caudilhista, populista; sempre má liderança, nunca boa liderança.

Essa liderança é ainda mais importante quando não se está administrando um sistema. Na América Latina, no Equador, hoje, não estamos administrando um sistema: estamos mudando um sistema. Porque o sistema que nos acompanhou ao longo de séculos foi fracasso total. Fez de nós a região de maior desigualdade no mundo, onde só a miséria é muita, a pobreza, e numa região que tem tudo para ser a região mais próspera do mundo. As coisas aqui não são como nos EUA.

Que diferença há entre republicanos e democratas, nos EUA? Há mais diferença entre o que eu penso pela manhã e o que eu penso à noite, do que entre um republicano e um democrata estadunidense. Isso acontece porque, lá, estão administrando um sistema.

Nós, aqui, estamos mudando um sistema. Aqui as lideranças são necessárias e importantes. Aqui, é indispensável que o poder seja legítimo e democrático, para que a mudança seja legítima e democrática, para que se mudem as estruturas e as instituições e a institucionalidade nos nossos países, agora em função das grandes maiorias.

Minha impressão é que o presidente Obama não é capaz de controlar as enormes forças que se movem à volta dele. Que força, afinal, é essa, que permite que o senhor faça algo, no Equador, que Obama não consegue fazer, nos Estados Unidos?

Permita-me começar pelo fim. O compromisso, as concessões, o consenso é desejável, mas não é um fim em si. Para mim, mais fácil seria conseguir algum consenso; chegaria mancando, cedendo, e satisfaria muita gente. Mas não mudaria coisa alguma. Satisfaria, principalmente, os poderes de fato nesse país. E tudo continuaria como antes. Há momentos em que o consenso é impossível. Às vezes, é necessário o confronto. Com a corrupção, por exemplo, não há consenso possível. A corrupção tem de ser enfrentada. O abuso do poder? Tem de ser enfrentado. Não há consenso possível, com a mentira; a mentira tem de ser desmascarada. Absolutamente não se pode fazer concessões a esses vícios sociais, tão graves para nossos países.

É erro imaginar que o que está sendo feito no Equador esteja sendo feito por mim. É erro. Os povos mudam, os países mudam. Não precisam de liderança para mudar. Talvez precisem de algum tipo de líder para coordenar. Mas se o país muda, é por vontade de todo o povo. Nosso governo foi levado ao poder pela indignação de todo o povo equatoriano.

Talvez aí esteja o que ainda falta, um pouquinho, ao povo norte-americano, para que o presidente Obama obtenha capacidade para promover mudanças reais no país. Que a indignação que já está nas ruas, esse “Occupy Wall Street”, esse protesto de cidadãos comuns, normais, contra o sistema, que ganhe impulso, que se torne mais orgânico, mais permanente. E que, nesse caso, dê forças ao presidente Obama para que possa fazer as mudanças pelas quais o sistema terá de passar, nos Estados Unidos. 

Tradução de Vila Vudu 

"Há muitos cânceres na sociedade que precisam ser extirpados", diz o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em entrevista ao jornal Brasil de Fato. Para ler, clique aqui.

A ESTRANHA TABELINHA GILMAR/VEJA


Comentário do jornalista Bob Fernandes na Rede TV (Reproduzido a partir de postagem do Blog do Miro, de Altamiro Borges, de 29/05/2012)

terça-feira, 29 de maio de 2012

CARTA DE SALVADOR: A FORÇA DOS BLOGUEIROS

Mensagens dos dois ministros do STF ao encontro dos blogueiros
Parte final da Carta de Salvador, com o título "Nada além da Constituição!", aprovada no final do III Encontro Nacional de Blogueiros, realizado nos dias 25, 26 e 27/maio. Para ler o texto completo, no blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna, clicar aqui.

(...)

"A nossa luta, portanto, não é a luta de um grupo, mas de toda a sociedade pela neutralidade e pela liberdade na rede. É pela implantação de uma cultura solidária e democrática do uso e da difusão das informações. É uma luta pela igualdade das relações desse uso com base única e exclusivamente no que diz e manda a Constituição Federal, a mesma Carta Magna que proíbe tanto o monopólio da comunicação como a propriedade de veículos de comunicação por parte de políticos – duas medidas solenemente ignoradas pelas autoridades, pelos agentes da lei e, claro, pelos grupos econômicos que há décadas usufruem e se locupletam desse estado de coisas.

Para tanto, este III Encontro adota – como norte para orientar a nova fase da luta – uma ideia simples e direta: Nada além da Constituição!

As bandeiras da liberdade de informação e de expressão, assim como a da universalização do acesso à banda larga, são nossas. Qualquer tentativa de usurpá-las – ainda mais por parte de quem jamais defendeu a democracia no Brasil – é uma manipulação inaceitável".

COMPROMISSO SOLIDÁRIO COM O POVO CUBANO

Antonio Barreto (de pé), da Associação Cultural José Martí (Foto: Portal Vermelho)


Trecho da matéria de José Reinaldo Carvalho, editor do portal Vermelho, postagem de 27/05/2012, sobre a convenção de solidariedade a Cuba realizada em Salvador nos dias 24, 25 e 26/maio, objeto de algumas postagens deste blog Evidentemente. O título acima é deste blog. Para ler toda a matéria, clicar em “Brasileiros renovam compromisso pela liberdade dos Cinco”.

(...)

A plenária aprovou por aclamação a “Carta de Salvador de todos os povos e lutas”, a declaração da 20ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, lida por Antonio Barreto, o Barretinho, presidente da Associação Cultural José Martí da Bahia e do núcleo estadual do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz). Barretinho foi homenageado pela incansável atividade política e organizativa que realizou para garantir a realização da 20ª Convenção.

“Celebramos neste histórico encontro o compromisso solidário e incondicional ao povo cubano e sua revolução”, diz a carta. O documento aprovado assinala que ao longo de mais de cinco décadas “o povo cubano tem sido exemplo de vida e heroísmo para os povos ao redor do mundo”, destacando que a revolução herdou um país pobre, socialmente injusto, ferido por uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos. Mas, dizem os convencionais da solidariedade, “em poucos anos o povo cubano, liderado por Fidel Castro, transformou Cuba em uma nação livre, soberana, socialmente desenvolvida, com índices de alfabetização, expectativa de vida, mortalidade infantil e nível cultural comparáveis aos dos países mais desenvolvidos”.

(...)
Cartaz da campanha pela libertação dos cinco cubanos presos políticos dos Estados Unidos, condenados pelo "crime" de se infiltrarem nos grupos terroristas de Miami para evitar atentados contra seu país (Foto: Jadson Oliveira)
Elizabete Palmeiro, mulher de Ramón Labañino, um dos "cinco heróis" cubanos, participou da convenção em Salvador (Foto: Jadson Oliveira)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

PALAVRA DE ORDEM DOS BLOGUEIROS: FOGO CERRADO CONTRA A VEJA


Conceição Oliveira, Altamiro Borges e Leandro Fortes na mesa da plenária final (Foto: Manoel Porto)
De Salvador (Bahia) – Os blogueiros, chamados progressistas, decidiram na plenária final do seu terceiro encontro nacional, ontem, dia 27, em Salvador (no Hotel Sol Bahia), centrar fogo contra a Veja, revista semanal do grupo Abril que se tornou a ponta de lança da ultradireita brasileira e que teve exposta publicamente sua cumplicidade com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, objeto de investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

Veja e outros órgãos da velha mídia (ou do PIG, Partido da Imprensa Golpista, expressão muito difundida pelo blog “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim) já tinham elegido os blogueiros, chamados por eles de “sujos”, como um de seus inimigos preferenciais.

O enfrentamento com a revista da Abril, um dos poucos grupos que monopolizam as comunicações no Brasil, foi discutido e aprovado entre as propostas de ação política. Os blogueiros vão pressionar, inclusive através de audiência com autoridades do governo federal, visando a suspensão de verbas publicitárias para a Veja, e vão patrocinar uma representação na Justiça contra a revista. Também prometem twitaços semanais ou quinzenais com a mensagem “Civita na CPI”, referência ao dono da Abril, Roberto Civita.
Paulo Henrique homenageia Castro Alves: leu trechos de "O livro e a América" (Foto: Manoel Porto)
Platéia na sessão de abertura do encontro (Foto: Manoel Porto)
Outra decisão do encontro, com 292 participantes de 18 estados – reunidos em painéis, audiência pública, grupos de trabalho e oficinas nos dias 25, 26 e 27 de maio -, foi aumentar a pressão para que o governo federal avance rumo à instituição do marco regulatório da mídia, em especial a regulação das concessões de rádios e TVs, propriedade pública que sempre é tratada pelos monopólios da comunicação (tratamento referendado pelos governos) como privada.

Foi um dos temas mais discutidos pelos blogueiros. Tal pressão será incrementada em parceria com o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), entidade que vem há bastante tempo desenvolvendo um trabalho nesse sentido. Houve palestras e debates sobre vários outros aspectos da atuação da blogosfera e da defesa da liberdade de expressão, como a luta pelo marco civil da Internet, direito de resposta, direitos humanos e a atuação da mídia nas eleições da Venezuela (no próximo 7 de outubro).   

Ações políticas: ampliar nas redes e também ganhar as ruas

Altamiro Borges, do “Blog do Miro”, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade que organiza os encontros dos blogueiros, enfatizou a nova orientação que deve guiar os passos do movimento: avançar para fora através de ações políticas, ou seja, não interessa mais os blogueiros ficarem falando entre eles, como aconteceu até agora nesses últimos dois anos, marcados pela realização de três encontros nacionais: em São Paulo, Brasília e agora Salvador.
Grupo de trabalho faz avaliação dos três dias de trabalho (Foto: Jadson Oliveira)
Outro grupo: avaliação, críticas e sugestões no último dia (Foto: Jadson Oliveira)
“Foi uma etapa válida, mas temos que avançar”, disse. E avançar significa ampliar a ação nas redes e também ganhar as ruas. E principalmente: interagir, atuar junto com a juventude. A meta – ou o sonho, talvez seja a palavra mais apropriada – é fazer um próximo encontro em 1914 com 1.000 a 2.000 participantes, a grande maioria formada por jovens com idade em torno dos 20 anos.
 
A plenária final, já meio esvaziada porque muitos já estavam embarcando para seus estados, acabou quase 3 horas da tarde de domingo. Foi fechada com a aprovação do conteúdo da Carta de Salvador, cuja redação definitiva ficou a cargo de uma comissão dirigida por Leandro Fortes, da revista Carta Capital e do blog “Brasília, eu vi”. A mesa dirigente da sessão foi composta por Miro, Leandro e Conceição Oliveira, do blog “Maria Frô”.

domingo, 27 de maio de 2012

GILMAR MENDES & VEJA: A PAUTA DO DESESPERO


Por Saul Leblon, do Blog das Frases (reproduzido do portal Carta Maior, de 27/05/2012)

A revista que arrendou uma quadrilha para produzir 'flagrantes' que dessem sustentação a matérias prontas contra o governo, o PT, os movimentos sociais e agendas progressistas teve a credibilidade ferida de morte com as revelações do caso Cachoeira. VEJA sangra em praça pública. Mas na edição desta semana tenta um golpe derradeiro naquela que é a sua especialidade editorial: um grande escândalo capaz de ofuscar a própria deriva. À falta dos auxiliares de Cachoeira, recorreu ao ex-presidente do STF, Gilmar Mendes (foto), que assumiu a vaga dos integrantes encarcerados do bando para oferecer um 'flagrante' à corneta do conservadorismo brasileiro. Desta vez, o alvo foi o presidente Lula.

A semanal transcreve diálogos narrados por Mendes de uma inexistente conversa entre ele e o ex-presidente da República, na cozinha do escritório do ex-ministro Nelson Jobim. Gilmar Mendes --sempre segundo a revista-- acusa Lula de tê-lo chantageado com ofertas de 'proteção' na CPI do Cachoeira. Em troca, o amigo do peito de Demóstenes Torres, com quem já simulou uma escuta inexistente da PF (divulgada pelo indefectível Policarpo Jr, de VEJA, a farsa derrubou o diretor da ABI, Paulo Lacerda), deveria operar para postergar o julgamento do chamado 'mensalão'.

Neste sábado, Nelson Jobim, insuspeito de qualquer fidelidade à esquerda, desmentiu cabalmente a versão da revista e a do magistrado. Literalmente, em entrevista ao Estadão, Jobim disse: “O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso. O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão; tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala (não na cozinha); o Lula saiu antes; durante todo o tempo nós ficamos juntos", reiterou.

A desfaçatez perpetrada desta vez só tem uma explicação: bateu o desespero; possivelmente, investigações da CPI tenham chegado perto demais de promover uma devassa em circuitos e métodos que remetem às entranhas da atuação de Mendes e VEJA nos últimos anos. Foram para o tudo ou nada. No esforço para mudar o foco da agenda política e criar um fato consumado capaz de precipitar o julgamento do chamado 'mensalão', jogaram alto na fabricação de uma crise política e institucional. O desmentido de Jobim nivela-os à condição dos meliantes já encarcerados do esquema Cachoeira. A Justiça pode tardar. A sentença da opinião pública não.