E POR QUE A MÍDIA GOLPISTA SE ESFORÇA TANTO PARA DESTRUIR LULA?



Debate sobre Lula e o lulismo, a partir do artigo de Maringoni: qual é a dele? de amigo de Chávez a "o cara" para Obama (Foto: Internet)
Uma boa pergunta para o professor Gilberto Maringoni, autor do artigo “Lula, ser E não ser”, onde faz uma interessante e severa avaliação crítica do lulismo, artigo postado neste blog logo abaixo. Sobre o mesmo, peguei alguns comentários no blog Viomundo (que também reproduziu o texto a partir do portal Carta Maior) e os publico a seguir, uma mostra do rico debate provocado pelas críticas do Maringoni, que é também jornalista, cartunista e historiador, baseado em São Paulo. O título acima é do primeiro comentário, atribuído a Ricardo Silveira:

A análise é muito boa. Mas, por que a Casa Grande faz campanha explícita, dia e noite, contra Lula e quem estiver junto a ele? Derrubar os governos petistas é a tarefa à qual se entregou, com todos os seus sabujos, a mídia golpista. Será porque promove a privatização sem privataria, e por isso estão ganhando menos? Qual a real explicação para tanto ódio contra Lula. Não pode ser só por preconceito, pois isso é coisa muito primitiva, selvagem, a Casa Grande não é formada só de pessoas idiotizadas.


O PT e a esquerda brasileira decerto vivem uma encruzilhada. Não cair no isolacionismo radical de certas tendências ultra-esquerdistas. Mas tampouco marchar acentuadamente para o centro ao ponto de pouco (ou nada) diferenciar-se da direita (movimento que liquidou e desacreditou os partidos socialistas europeus, que de tão moderados, viraram uma espécie de tendência ou linha auxiliar da direita, travestido de esquerda).
Nossa esquerda precisa sim de refletir e encontrar caminhos para o pós-lulismo, caso contrário pode sim viver uma crise de identidade sem precedentes e contribuir para que avanços sociais acabem sendo sacrificados com um eventual fortalecimento dos postulados ultra-conservadores, que nunca deixaram de ser fortes em nosso país.


Ele está à frente do tempo e sabe muito bem o momento mais adequado. Sabe que chegará o momento em que mudanças mais radicais terão que ser feitas, enquanto isso se equilibra na corda bamba. Alguém acha que é fácil com toda a elite contra e a grande mídia atacando diariamente? A democratizaçāo da mídia, por exemplo, está no limite e as globos da vida sabem disso. Nāo passa do próximo governo, caso esse seja do PT.
Assalariado:

É impressionante como a ‘esquerda’, seus defensores, remunerados ou não, rebaixam a discussão das ideias. Pensam de forma estática, parada, justo ao modo Stalinista de ‘socialismo’, de como analisar uma realidade econômica política. Não enxergam os limites do lulismo, do que lhe foi permitido e o que representa o acordo de 2002, a tal ‘carta aos brasileiros’.

Começaram a ‘governar’ com o rabo preso a mando das elites do capital, basta ver os resultados políticos/econômicos, destes 12 anos de lulismo e quem foi (de fato) quem ganhou e continua ganhando no campo das questões política e econômico das privatizações, digo, das concessões. Sim, eu sei sobrou umas migalhas (achei momentaneamente, louváveis) para que os nossos irmãos miseráveis, serem promovidos a pobres, não é verdade? E questionar a exploração do (CAPITAL sobre o TRABALHO), nada!

Para as elites do capital e seu Estado burguês, os limites políticos/econômicos estão ligados estritamente aos seus interesses de classe, sede de lucros para sua acumulação e continuação da exploração sobre os assalariados e a nação. Está claro, nesta luta de classes, quem dita as regras e dão as cartas são os donos do capital, portanto, os governos não governam, apenas são os gerentes da vez, tudo dentro do ‘Estado de Direito constitucional’.

Não adianta os defensores do governo da governabilidade ficarem rotulando o Sr. Maringoni ou o que valha, temos sim que, analisar a que o texto se propõe. Ou seja, o lulismo e seu modo capitalista de governar, realmente, aumentou o numero de assalariados, por tabela, a massa salarial que, por sua vez, conseguiu elevar o povo a ‘cidadania, e cidadão. Não percebem, que (NÃO TEM) mais espaço político/ econômico para o modo lulista se desenvolver? Que tal os defensores do lulismo dar a cara a tapas, caírem na real discutirem as ideias, em vez de fingirem que estamos de vento em popa na economia, e que, estamos no comando do Estado. A social democracia petista e genéricos preferem rotular, aos invés de responderem politicamente as escritas deste post.

Saudações Socialistas.

Ely Veríssimo:

Achei brilhante o texto do Maringoni. Na verdade, as contradições do lulismo não são contradições, mas modos de ser. Lula não é de esquerda, como a CUT não é uma central em defesa dos trabalhadores – vide a quantidade de sindicatos se desfiliando e dos movimentos da própria CUT em greves que seriam “contra o governo” -. Lula, a rigor, repete uma estrutura que está na base da história brasileira, que é a da não-dialética, da falta de mudança ou da falsa mudança. Assim, o Brasil muda sem mudar: em 1822 o Brasil libertou-se de Portugal, mas o regente continuou sendo um português; em 1889 acabou a escravidão, e começamos a tratar os imigrantes como escravos (como, aliás, são tratados os empregados domésticos até hoje); na história recente, o Brasil tornou-se democrático, mas quem assumiu foi um homem do partido da ditadura, sarney; sarney deixou o governo – velho oligarca - mas assumiu um jovem da oligarquia nordestina, Collor; que foi defenestrado, mas assumiu o governo o seu vice, itamar; Lula substituiu FHC, neoliberal, mas em nada mudou a estrutura do Estado que aquele deixou, mantendo, inclusive, como o Maringoni mostrou, as privatizações e a política rentista. A pergunta “Que tipo de estado queremos?” é bem oportuna. E não se disse aqui que as migalhas dadas aos pobres são ruins, mas são apenas migalhas. De fato, Lula democratizou o ensino público superior, mas subsidiando vagas ociosas no sistema privado (não me refiro à sistema das federais, que é outra história). Claro que o brasil de hoje é melhor do que o do governo FHC – e não há contradição aqui, já que eu disse que o modelo é de não-mudanças, mas são mudanças superficiais, não essenciais – Claro que eu não quero a canalha do PSDB de volta, mas isso não muda o fato de que as mudanças feitas por lula poderiam ser mudanças realmente profundas. E não se diga que ele não as fez porque as alianças e o congresso não permitiriam. Na verdade, o arco de alianças já mostrava o que não seria feito. Mas os mais pobres estão felizes, porque, afinal, passar fome é duro.


Todo grande líder que governa não governa para grupos, mas para uma Nação. Toda Nação, por si mesma, é complexa e diversa. Por isso, governar para a maioria é abdicar do discurso direto, pretensamente verdadeiro, como quer o Sr. Maringoni e a maioria da esquerda que se quer protegida pela casca da verdade. Talvez o ex-presidente Lula não tenha lido – e não é sempre que sabedoria se adquire lendo -, mas a todo intelectual, sobretudo, os que querem fazer a crítica do discurso, estas máximas deveriam ser imprescindíveis: ‘Porque vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. e ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão’.
 

Então, tudo que é dito pelo ex-presidente não é para pessoas, nem para grupos, mas para uma Nação. O que vale as máximas. E a verdade não está com os intelectuais, mas com quem nos convence.

Xacal:

Filho, este país nem conseguiu punir seus torturadores!

Nós não conseguimos nem convencer a classe média que precisamos redistribuir renda, ou aumentar os impostos para quem ganha mais!

São 60 mil pretos/pobre/favelados mortos todos os anos, e ai do secretário de segurança que ousar mexer nesta máquina de julgar e exterminar os suspeitos padrão!

Tem gente aqui que mete o pau no SUS, mas tem urticária se lembrarmos que é o governo, através das deduções do IRPF, que subsidia nosso apartheid da saúde!

Uivaram contra a CPMF, o único tributo que marcaria o dinheiro e daria aos órgãos de controle um instrumento eficaz de combate à lavagem e sonegação!

E você me fala que é o PT e o Lula que se negam a ousar mais? Ousar com quem, cara pálida?

Ivan Arruda:

http://www.youtube.com/watch?v=7KqQGhJtvM4
Assisti esse vídeo em que Maringoni analisa a Venezuela e Hugo Chavez (postado aqui no Evidentemente no último dia 21). O historiador se detém aos fatos. Creio que se a análise fosse haver outra alternativa para Lula governar um estado aparelhado pelo PIG sem ser derrubado, justificados estão alguns acordos e concessões feitos à época. Sem seus principais cardeais, auxiliares, derrubados um a um, sempre nas cordas, agravado com um cenário internacional adverso e ter feito a sua sucessora, algo a mais esse homem tem. Para os argentinos darem títulos de Doutor honoris causa, é um indicador seguro de que seu prestígio internacional, em todos os continentes, lhe confere o tratamento recebido de Obama: O CARA. Perillo e quetais não acham. Mas isso só lhe confere mais pontos.

Comentários