quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

DARÍO PIGNOTTI: UM MINISTÉRIO COM DESTACADA PRESENÇA DE DILMISTAS


Não foi fácil para Dilma encaixar as peças do quebra-cabeça duma dezena de partidos com os quais governará a partir de amnhã (Foto: Página/12)

Diferentemente de 2011, Dilma armou uma equipe cujo centro político se apoia em quadros do PT de sua maior confiança: Miguel Rossetto, novo secretário da Presidência, foi um dos avais de Dilma quando ela se filiou ao PT; José “Pepe” Vargas estará a cargo das Relações Institucionais e Aloízio Mercadante continuará à frente da Casa Civil.

Por Darío Pignotti, de Brasília – no jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 31

O Chimarrão está na ordem do dia. A partir de amanhã quando a gaúcha (do estado do Rio Grande do Sul, no sul brasileiro) por adoção Dilma Rousseff assumir seu segundo mandato, em alguns dos gabinetes importantes do Palácio do Planalto a bebida oficial será o mate, infusão à qual são adeptos Miguel Rossetto, novo secretário geral da Presidência, e José “Pepe” Vargas, a cargo do Ministério das Relações Institucionais, responsável pela relação com o Congresso.

A designação de ambos foi realizada na segunda-feira, dia 29, pela mandatária no Planalto, onde os integrantes da Guarda de Honra, os Dragões da Independência, ensaiavam o cerimonial da investidura, na qual se espera a presença dos presidentes Nicolás Maduro, da Venezuela, e o mandatário uruguaio (de saída) José Mujica junto com seu sucessor, Tabaré Vázquez.

Também se aguarda o vice-presidente norte-americano Joe Biden, que possivelmente voltará a convidar Dilma para que realize uma visita de Estado a Washington, da qual desistiu depois de revelada a espionagem da agência NSA contra a Petrobras.

Dilma, ela também consumidora do mate brasileiro (com erva moída e “cebado en las voluminosas cuias”), armou um ministério cujo centro político se apoia em quadros do PT de sua maior confiança, diferentemente de 2011, após sua primeira eleição, quando não havia tantos ministros dilmistas puros e sim vários lulistas.

Isto é assim especialmente no caso de Miguel Rossetto, que foi um de seus avais quando Dilma se filiou ao PT em 2001, depois de deixar o Partido Democrático Trabalhista (PDT) do nacionalista Leonel Brizola, um ano antes de ser escolhida por Luiz Inácio Lula da Silva como ministra das Minas e Energia.

O terceiro braço da armadura dum governo que espera prováveis tempestades – disparadas pelo escândalo na Petrobras e no ajuste econômico – é o atual e ratificado ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, tido como um dilmista de quatro costados.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

Hombre determinante del próximo gabinete (ministério), Mercadante fue candidato a vicepresidente de Lula en 1998, es doctor en Economía con una tesis sobre el desarrollismo (desenvolvimentismo) en Brasil y se perfila como uno de los presidenciables mejor posicionados para 2018. Esto si el dos (duas) veces presidente Lula desiste de postularse nuevamente, una candidatura que sería respaldada por el 101 por ciento de los petistas.

No fue fácil para Dilma encastrar las piezas del mecano (encaixar as peças do quebra-cabeça) de una decena de partidos – desde el PC (PC do B) a varios de extracción conservadora – con los que gobernará a partir de mañana, cuando se sucederá a sí misma tras (após) la estrecha victoria en el ballotage (no segundo turno) del 26 de octubre frente al socialdemócrata (PSDB) Aécio Neves.

Ayer (Ontem) por la noche, luego de (depois de) otro día de consultas con los aliados, nombró a Juca Ferreira como ministro de Cultura, con lo que aún resta conocer el nombre de 15 colaboradores que posiblemente sean anunciados hoy. Recientemente, cuando ya era citado como candidato a la cartera de Cultura, Juca Ferreira reivindicó la democratización de los medios de comunicación.

“Durante la dictadura luchamos contra la censura del Estado y hoy tenemos la censura del mercado, que es la censura a partir de los intereses de los dueños de los grandes medios”, sentenció Ferreira, que posiblemente contará con el apoyo del próximo ministro de Comunicaciones, Ricardo Berzoini, un defensor de la regulación antimonopólica.

De los ministerios faltantes el más relevante es el de Relaciones Exteriores, para el cual no hay ningún candidato seguro, aunque circulan los nombres del tres veces canciller Celso Amorim (dos (duas) de las cuales con Lula) y el actual embajador en Argentina, Everto Vieira Vargas, también gaúcho y probable degustador de chimarrao.

Si Dilma ha tomado todo el tiempo necesario para escoger a la mayoría de sus ministros, esto no fue así con el de Hacienda (não foi assim com o da Fazenda), el ejecutivo del banco Bradesco Joaquim Levy, a quien le fue ofrecido el cargo un mes después de las elecciones.

La premura (A pressa) fue una forma de aplacar las presiones del mercado financiero urgido en impedir que Dilma escogiera algún economista desarrollista (desenvolvimentista), afinado con la tradición del PT y de la propia presidenta.

Con el nombramiento de Levy, que seguramente no leyó la tesis doctoral de Aloízio Mercadante (y si lo hizo no comparte su perspectiva), banqueros y especuladores recuperaron la calma, sólo por algunos días, porque en las últimas semanas volvieron a presionar: ahora para que Petrobras, acosada por denuncias de corrupción, sea administrada por algún gerente de compañías privadas.

Joaquim Levy prometió un ajuste neoliberal, rechazado esta semana por el secretario de asuntos sindicales del PT, Angelo Dagostino, para quien el futuro funcionario (ministro) amenaza “precarizar” las relaciones entre asalariados y patrones.

Dagostino fue una de las pocas voces que se pronunciaron explícitamente contra Levy en el PT, donde la mayoría confiesa su disgusto de forma reservada por entender que lo prioritario es apoyar al gobierno.

El PT anunció el envío de centenas de colectivos a Brasilia para garantizar (para garantir) la presencia de militantes en la asunción de la presidenta.

Ayer (Ontem) se ultimaban los preparativos para recibir a la caravana en el estadio Nilson Nelson, junto al mundialista Mané Garrincha (estádio usado na Copa do Mundo), donde se alojarán antes de partir hacia la Plaza de los Tres Poderes, frente al Planalto.

A pesar del sol radiante de ayer (de ontem), los empleados del Planalto instalaron un toldo en el parlatorio, desde donde Dilma hablará a la población mañana en prevención de que haya una lluvia tan torrencial como la que se abatió sobre Brasilia, durante algunas horas, el 1º de enero de 2011.

Mientras (Enquanto) los Dragones de la Independencia continuaban marchando “izquierda, izquier... derecha, der”, los técnicos realizaban ajustes en el equipo de sonido (no equipamento de som) para lo cual se utilizó un CD de Madonna, que seguramente no volverá a escucharse mañana cuando se propalará el Himno Nacional de ese país.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

POR QUE SERÁ QUE A MÍDIA HEGEMÔNICA NÃO VÊ A MAIS NEFASTA CORRUPÇÃO NO BRASIL?



(Foto: Internet)
Do “Hora a Hora” do portal Carta Maior ,de 31/12/2014 (o título acima é deste blog)

Aquilo que nos devora: R$ 288 bilhões foram gastos com juros da dívida pública em 12 meses até novembro; valor equivale a 97% do déficit fiscal total do período, tido como 'dramático' pelo mesmo jogral que defende aumentar a Selic para 'ajustar' o Brasil.


Seriam os únicos ministros confiáveis para o movimento popular?

Também do “Hora a Hora” da Carta Maior, de 31/12/2014 (o título é também deste blog)

Juca Ferreira é o ministro da Cultura; Ricardo Berzoini dirige as Comunicações; Miguel Rossetto comanda a Secretaria-Geral da República; Pepe Vargas é o titular da Secretaria de Relações Institucionais e Patrus Ananias dirige a pasta do Desenvolvimento.

CORRUPÇÃO: PETROBRAS BOTA NA GELADEIRA EMPREITEIRAS ENVOLVIDAS NA LAVA JATO


Edise
(Foto: blog Fatos e Dados)
As 23 empresas ficam temporariamente impedidas de serem contratadas e de participarem de licitações da Petrobras. A medida inclui a gigante Odebrecht, poupada até agora pela Justiça.

Reproduzido do blog Fatos e Dados, da Petrobras, postagem de 30/12/2014, com o título 'Abertura de Comissões para Análise de Aplicação de Sanção Administrativa e Bloqueio Cautelar' (o título e o destaque acima são deste blog)

Leia comunicado que divulgamos nesta terça-feira (30/12) sobre a constituição de Comissões para Análise de Aplicação de Sanção (CAASE) e o bloqueio cautelar de empresas:

Em reunião da Diretoria Executiva da Petrobras realizada hoje, foi aprovada a constituição de Comissões para Análise de Aplicação de Sanção (CAASE) e o bloqueio cautelar de empresas pertencentes aos grupos econômicos citados como participantes de cartel nos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e do Sr. Alberto Youssef prestados, em 08 de outubro de 2014, em audiência na 13ª Vara Federal do Paraná, bem como nos depoimentos prestados no âmbito do acordo de colaboração premiada do Sr. Julio Gerin de Almeida Camargo (Grupo Toyo) e do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (Grupo Setal), que a Petrobras teve acesso em 03 de dezembro de 2014, todos deferidos como prova emprestada pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, e que indicam, como participantes de cartel, os seguintes grupos econômicos:

1)      “Alusa”
2)      “Andrade Gutierrez”
3)      “Camargo Corrêa”
4)      “Carioca Engenharia”
5)      “Construcap”
6)      “Egesa”
7)      “Engevix”
8)      “Fidens”
9)      “Galvão Engenharia”
10)   “GDK”
11)   “IESA”
12)   “Jaraguá Equipamentos”
13)   “Mendes Junior”
14)   “MPE”
15)   “OAS”
16)   “Odebrecht”
17)   “Promon”
18)   “Queiroz Galvão”
19)   “Setal”
20)   “Skanska”
21)   “TECHINT”
22)   “Tomé Engenharia”
23)   “UTC”

A constituição das CAASEs de acordo com o critério acima referido e o bloqueio cautelar levam em consideração, além dos depoimentos acima mencionados, a fase 7 da “Operação Lava Jato”, deflagrada em 14 de novembro de 2014, com a prisão de executivos e ex-executivos de empresas e o recebimento pelo Poder Judiciário, entre 12 e 16 de dezembro de 2014, das denúncias feitas pelo Ministério Público Federal (ações penais) por crimes em desfavor da Petrobras decorrentes das investigações da “Operação Lava Jato”.


As referidas empresas serão temporariamente impedidas de serem contratadas e de participarem de licitações da Petrobras. 

A adoção de medidas cautelares, em caráter preventivo, pela Petrobras tem por finalidade resguardar a Companhia e suas parceiras de danos de difícil reparação financeira e de prejuízos à sua imagem. 

A Companhia notificará as empresas do bloqueio cautelar e respeitará o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Por fim, a Petrobras reitera seu compromisso pela ética e transparência nos seus negócios e a necessidade de adoção de medidas de compliance consolidadas no Manual do Programa Petrobras de Prevenção da Corrupção (PPPC), que trata expressamente da aplicação de sanções às empresas fornecedoras que não atuarem de forma condizente com o Código de Ética e os demais itens do próprio PPPC.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

DRONES PARA VIGIAR MEXICANOS



Militantes denunciam o uso de drones para cometer assassinatos seletivos (Foto: Página/12)
Os Estados Unidos terão uma pista no Texas para aviões não tripulados: uma das funções dessas naves será continuar vigiando os imigrantes que cruzam o Rio Grande rumo ao norte. A decisão foi difundida no portal Defense Systems. O aeroporto ficará pronto em 2016.

Por Gustavo Veiga, no jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 30

Nos Estados Unidos os drones pedem pista. A terão em 2016 graças a um contrato de 33 milhões de dólares. O exército pagará esta soma para que a multinacional SGS construa um aeroporto exclusivo para eles numa área do Forte Bliss, em El Paso, Texas. Não foi à toa que se escolheu essa zona fronteiriça com o México. Uma das funções dessas naves não tripuladas será continuar vigiando os imigrantes que cruzam o Rio Grande rumo ao norte. A decisão foi difundida este mês no portal Defense Systems e se dá nos marcos duma campanha de ativistas que se opõem a este tipo de tecnologia aeroespacial com fins bélicos.

O acordo entre o Corpo de Engenheiros de Forth Worth e o grupo empresarial que tem 80 mil empregados e 1.650 escritórios no mundo, permitirá que do aeródromo militar possam ser manobrados dois tipos de drones: o Grey Eagle e o modelo Shadow. O primeiro é o mais utilizado pelas forças armadas dos EUA. Tem 8,8 metros de largura e uma autonomia de voo de 30 horas. Também é o de maior tamanho entre estes aviões robotizados. O Shadow se lança com uma catapulta, seu comprimento é de 3,3 metros e pode voar até 6 horas. O Grey Eagle tem servido como arma de ataque no Iraque e Afeganistão; o segundo para fazer inteligência e vigilância.

O aeroporto, um dos poucos do seu tipo, contará com quase dois quilômetros de pistas, plataformas e um hangar de manutenção. “Levará um ano aproximadamente para terminar as obras. Planejamos a cerimônia do início da obra para 2015 e esperamos que esteja terminada em 2016”, declarou o tenente Lee Peters, porta-voz do Forte Bliss. A base será também um centro de treinamento no manejo desta tecnologia. A Associação Americana de Fabricantes de Drones (Auvsi) está de parabéns. Prevê a criação de 100 mil postos de trabalho nesta atividade tecnológica e 82 bilhões de dólares em faturamento durante 10 anos.

Os que não se saem bem nos Estados Unidos são os detratores da indústria. Fronteiras adentro, militantes que denunciaram o uso desta tecnologia para cometer assassinatos seletivos, foram parar na cadeia.

Continua em espanhol:

El caso más emblemático es el de Mary Anne Grady Flores. Esta abuela de 58 años y que tiene tres nietos vive en Ithaca, Nueva York. Activista de la organización Upstate Drone Action fundada en 2010, se sumó a las protestas ante la base aérea de Hancock Field, vecina a Siracusa, desde donde se manejan a control remoto los aparatos no tripulados que sobrevuelan Afganistán. El juez David Gideon la condenó en julio pasado a un año de prisión y al pago de una multa de mil dólares. Es el mismo que le concedió una orden de restricción al coronel de la base, Earl Evans, quien argumentó en los tribunales que los manifestantes de Upstate eran un riesgo para su seguridad personal.

Ni siquiera una recomendación a su señoría del Departamento de Libertad Condicional, ni que el delito que se le imputaba a Grady Flores no merecía prisión, ni que tiene a su cargo el cuidado de su madre, torcieron la decisión de Gideon de enviarla a la cárcel de Jamesville, en Nueva York. La mujer le dijo al juez antes de que dictara sentencia: “La última perversión es la reversión de la verdadera víctima en este caso: ¿el coronel de una base militar cuyos drones asesinan a personas inocentes al otro lado del mundo o las personas inocentes que son las que realmente necesitan protección del terror de ataques de drones estadounidenses?”.

Más de un centenar de militantes fueron arrestados en los últimos cinco años durante la campaña contra la violencia teledirigida de estos aviones no tripulados. Marcos Colville es uno más. Lo detuvieron el 9 de diciembre de 2013. Acaban de dictarle un fallo adverso, pero no irá a la cárcel: un año de prisión condicional. Aunque nada es comparable a las víctimas fatales de los drones en Medio Oriente. En las guerras que ha llevado el imperio con sus socios europeos a esa región del planeta, se estima que “el daño colateral” entre civiles asciende al 32 por ciento. Un estudio de la New American Foundation de febrero de 2010 lo ubicaba en aquel porcentaje.

El contrato de SGS para el aeropuerto de drones es demasiado oneroso si se lo compara con los costos que podría demandar el uso de helicópteros. La razón, según especialistas, es que los aviones sin piloto requieren una tripulación en tierra de entre cinco y ocho personas para guiarlos. El uso civil que se les da a estos aparatos en Estados Unidos está propiciando un caos en el espacio aéreo. Pilotos y controladores de vuelos denunciaron desde el último 1º de junio unos 25 incidentes en los que se vieron involucradas estas naves no tripuladas.

Según la Administración Federal de Aviación de los EE.UU. (FAA), los nuevos datos revelan que los drones, sobre todo en despegues y aterrizajes en varios aeropuertos muy transitados, están amenazando la seguridad aérea. En el de La Guardia, en Nueva York, se comprobó que el pasado 30 de septiembre el vuelo 6230 de Republic Airlines fue “casi alcanzado” por un pequeño aparato que volaba a 1200 metros.

Con las naves no tripuladas de Fuerte Bliss se supone que no debería ocurrir lo mismo. “El aeropuerto será cercado y asegurado y todas las operaciones se efectuarán en un espacio aéreo restringido”, explicaba el artículo de Defense Systems. A esta política reservada del gobierno de Barack Obama, que intenta modificar en el final de su mandato la imagen belicista que cosechó, algunos teóricos la denominan light footprint o huella ligera en español. ¿Por qué? La nueva estrategia militar de EE.UU. consiste en emplear de manera masiva el uso de drones, fuerzas especiales y elementos de una ciberguerra. O sea, un modo de intervención más invisible, acaso más sutil desde el empleo de la tecnología. Como si el presidente de Estados Unidos no hubiera comprendido que ocultar las torturas y las cárceles clandestinas a la mirada de la sociedad norteamericana y del mundo ya no es posible. Podría decirse, incluso, que hasta inútil.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

LAURINDO LEAL: "A REGULAMENTAÇÃO ECONÔMICA DA MÍDIA NÃO É SUFICIENTE"

EBC
Professor Laurindo Leal Filho (Foto: EBC/Carta Maior)

Laurindo leal defendeu o fortalecimento dos meios de comunicação públicos e sinalizou que a regulamentação econômica 'não é suficiente.'

Por Darío Pignotti @DarioPignotti - do portal Carta Maior, de 29/12/2014, com o título 'Dilma está comprometida com a regulamentação da mídia, diz Laurindo Leal' (o título acima é deste blog)

A presidenta Dilma Rousseff deu um sinal político “positivo” ao impulsionar a regulamentação econômica da mídia, declarou o professor Laurindo Leal Filho, elogiando uma eventual nomeação de Ricardo Berzoini para o Ministério das Comunicações. Ele opinou também que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) precisa contar com uma rede própria que se capilarize em todo o país, a fim de divulgar um discurso alternativo ao das oligarquias midiáticas.
 
O professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo), ex-ouvidor da EBC e apresentador do programa VerTV argumentou que a grande mídia, financiada com recursos milionários estatais, segue em uma estratégia golpista contra a Dilma. Além disso, propôs também a criação de um jornal independente dos grupos concentrados, seguindo a experiência de Getúlio Vargas nos anos 1950 e mencionou que a EBC poderia observar a experiência argentina, onde a televisão pública transmite partidas de futebol gratuitamente e a todo o país. “O Estado tem recursos, e conta com a estrutura da EBC... o que é necessário é vontade política”, resumiu Laurindo em entrevista à Carta Maior.
 
Qual sua opinião sobre uma possível nomeação de Ricardo Bersoini como ministro de Comunicações? 
 
Ricardo Berzoini é uma pessoa que demonstrou ter posições bastante claras sobre a democratização da mídia, é alguém com longa atuação dentro do PT, que está completamente identificado com o ideário e os princípios do partido. Além disso, tem um plus por pertencer ao sindicato dos bancários que, como os outros sindicatos, desenvolveram uma experiência importante de comunicação alternativa à mídia hegemônica. 
 
Em 2010, a presidenta Dilma falava que o único controle é o controle remoto. Agora, nessa campanha, ela falou da necessidade de regulação econômica da mídia. Ela mudou? 
 
Essa frase do controle remoto havia sido lançada pelo comediante Jô Soares para atacar a proposta de democratizar a mídia. Esta jargão foi repetido pela mídia privada como uma forma de atacar qualquer tipo de reforma. É um jargão efetivo que pega muito entre as pessoas comuns. Infelizmente, em 2010, a presidenta Dilma e alguns ministros de seu governo usaram essa frase em uma tentativa de se aproximar da mídia privada. Mas, atualmente, Dilma já arquivou essa expressão porque ao longo do governo comprovou que é uma ideia incorreta, e começou a falar de regulamentação econômica da mídia. Acredito que isto foi um avanço extraordinário, muito positivo. Ela evoluiu muito, compreendeu que isso do controle remoto era uma bobagem, porque, no Brasil, o controle remoto serve somente para ver a mesma ideologia repetida em vários canais com cenários diferentes. A presidenta deu um grande passo ao esquecer a ideia do controle remoto. A começar pela ideia da regulamentação econômica, que é algo muito mais sério, acredito que ela esteja convencida dessa ideia. Mas devo dizer que a regulamentação econômica não é suficiente.
 

SAUL LEBLON: 2015, O ANO QUE PODE SURPREENDER


Arquivo
(Foto: Carta Maior)

Uma frente de esquerda, formada pelos principais movimentos sociais, liderada, entre outros, pelo dirigente do MTST, Guilherme Boulos, está em construção.

Por: Saul Leblon, no portal Carta Maior, de 27/12/2014

A palavra   incerteza  comanda a passagem de 2014 para o Brasil de 2015, mas o chão mole do calendário político registra agora uma auspiciosa pavimentação de terra firme que pode surpreender.

Uma frente de esquerda formada pelos principais movimentos sociais  brasileiros,  tendo à frente, entre outros, o dirigente do MTST, Guilherme Boulos, está em formação no país.

Não é ainda a alavanca capaz de reverter a ofensiva conservadora em marcha batida na sociedade. Mas tem potência para isso.

Tem, sobretudo, capacidade para sacudir uma correlação de forças na qual as elites mastigam a margem de manobra do  segundo governo Dilma entre os dentes da fatalidade econômica e do engessamento político.

A iniciativa dos movimento sociais, apoiada por partidos de esquerda, conta com um incentivo sintomático  da gravidade dos dias que correm: o do ex-presidente Lula e, portanto, de uma parte significativa do PT.

Tem, ademais, um precedente revelador.

Ela vem se somar a uma mobilização equivalente, iniciada há cerca de um mês, para reaproximar intelectuais de esquerda  e construir um contraponto de ideias progressistas ao agendamento conservador da sociedade, martelado diuturnamente pelo jogral midiático.

Trata-se de uma usina de respostas à espiral regressiva; uma caixa de ressonância de intelectuais cidadãos.

Esse polo de debate e combate foi oficializado no dia 15 de dezembro, em evento em São Paulo, com o nome de Fórum 21.

A primeira assembleia, no Sindicato dos Engenheiros, elegeu como uma de suas vértebras a luta pela democratização dos meios de comunicação.

Presente no lançamento, o secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, afirmou que os meios de comunicação são o principal obstáculo ao debate crítico dos reais desafios brasileiros.

 ‘Precisamos iniciar uma reconstrução programática que supere nosso próprio desgaste, mas essa tarefa requer um ambiente midiático oposto ao atual,  concentrado e carente de regras democráticas’, disse Ferreira.  (leia  ‘Para Juca Ferreira, falta de democracia da mídia substituiu censura do regime militar’, nesta pág)


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