sexta-feira, 31 de julho de 2015

JORNALISTAS LIVRES: POR UMA AGRICULTURA CAMPONESA LIVRE DE TRANSGÊNICOS E SEM AGROTÓXICOS

(Fotos: Leandro Taques)
Os Jornalistas Livres acompanharam a 14 ª Jornada de Agroecologia, no Paraná. Confiram o mini doc e o nosso ensaio fotográfico
Por Amanda Souza, Gabriel Dietrich, Isabella Lanave e Leandro Taques para os Jornalistas Livres
Foram quatro dias de intensos debates, plenárias, oficinas, trocas de experiências e a certeza de que o atual modelo de produção agrícola não atende às necessidades de uma alimentação saudável.. O modelo do agronegócio não alimenta, só produz commodities, e para poucos. A 14ª Jornada de Agroecologia, que aconteceu de 22 a 25 de julho em Irati, interior do Paraná, fez, mais uma vez, a provocação e apontou o caminho para uma agricultura saudável, sustentável, livre de transgênicos e sem agrotóxicos. Cerca de 4500 participantes de todas as regiões do Brasil e vários países da América Latina, organizados em mais de 35 movimentos sociais rurais e urbanos participaram do evento.

SECRETÁRIO DA CHANCELARIA GREGA: "VENEZUELA É UM SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA CONTRA O IMPERIALISMO"

A chanceler venezuelana Delcy Rodríguez com o secretário das Relações Exteriores, Yorgos Tsipras (Foto/ EFE/NTN24)

Yorgos Tsipras assegurou que os governos de esquerda da América Latina, de 15 anos para cá, permitiram mudar o mapa político da região, gerando uma maior esperança.


Do portal Nodal - Notícias da América Latina e Caribe, de 31/07/2015 (em espanhol, com traduções pontuais)


El Gobierno de Grecia, a través de su secretario para las Relaciones Exteriores, Yorgos Tsipras, agradeció el apoyo político que el Gobierno Bolivariano ha demostrado al pueblo heleno.
La autoridad griega, quien se encuentra en el país para fortalecer las relaciones binacionales, destacó que “Venezuela es un símbolo de resistencia para el imperialismo”.
En la Casa Amarilla Antonio José de Sucre, Tsipras, en compañía de Calixto Ortega, viceministro venezolano de Cooperación Económica, y del embajador de Grecia en Venezuela, Nikolaus Kotrokois, encabezó una conferencia para hablar sobre la situación política y económica que atraviesa la nación griega.
Resaltó que “los sentimientos del pueblo griego hacia los pueblos de América Latina y Venezuela son muy positivos y eso se debe a que tenemos muchas cosas en común” a pesar de la lejanía (da distância) y la diferencia cultural.
De igual modo, aseguró que los gobiernos de izquierda de Latinoamérica, desde hace 15 años, han permitido cambiar (permitiram mudar) el mapa político de la región generando una mayor esperanza.
En relación al momento económico que vive el país europeo, afirmó que no es la primera vez que intentan derrocar el gobierno de Alexis Tsipras, que se ha convertido en el primer mandatario en acompañar al pueblo en sus luchas.
Recordó que desde 2008 Grecia entró en una recesión económica causada por los intereses del Fondo Monetario Internacional (FMI) y la Unión Europea (UE).
“Teníamos una situación que iba de mal en peor, la razón es porque nos impusieron algunas políticas desde la Unión Europea y el Fondo Monetario Internacional que fueron una enfermedad y no una cura”, dijo Tsipras.
Afirmó que aunque tuvieron que aceptar el acuerdo que impuso la UE, lo cual significa una derrota, están seguros de que no perderán la guerra. “A pesar de que tenemos que movernos con políticas que no son de nuestro agrado , el pueblo tiene confianza en nosotros”, agregó.
Apuntó que tras (após) el referéndum que convocó el Gobierno para consultar el ajuste económico, 62% del pueblo dijo no a la intervención europea.
Tras (Após) ese evento, Tsipras expresó que fue en ese momento que “la comunidad europea mostró su verdadera cara, todos los gobiernos fuertes de Europa y dentro de nuestro país y los medios de comunicación se pusieron en contra de nuestro gobierno, trataron de derrocarnos”.
Auguró que en Europa también se van a comenzar a ver los quiebres que generarán cambios (mudanças) en las políticas actuales. “Grecia es el primer síntoma”, indicó.
“En un futuro cercano (próximo) tienen que estar seguros de que habrá luchas sociales en otros países de Europa y el camino lo hemos abierto nosotros”, expresó.
Finalmente sostuvo (sustentou) que a pesar de que Grecia está adherida a la UE desea continuar ampliando sus relaciones.
(Do jornal Ciudad Caracas)

MAURO SANTAYANA: GOOGLE RENEGA COMPROMISSOS DE NEUTRALIDADE E INTOXICA LEITORES COM "SUGESTÕES DE EDITORES"

(Ilustração: Viomundo)

O GOOGLE E A MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

Na maioria das vezes, o leitor terá chance de encontrar, “casualmente”, uma seção denominada de “Sugestões dos Editores”, que se pode ver no alto da tela, na coluna da direita, da página inicial do Google Notícias, no Brasil, por exemplo – mas não apenas em nosso país –, o mesmo tipo de conteúdo reacionário, anacrônico e fascista, que intoxica maciçamente a internet brasileira.
Por Mauro Santayana, em seu blog - reproduzido do blog Viomundo - o que você não vê na mídia, de 28/07/2015
(Jornal do Brasil) – Quando as grandes empresas de internet surgiram, nascidas nas universidades, e não nos grandes grupos de comunicação que já existiam, houve esperança de que elas viessem a contribuir para a consolidação de um ambiente de produção, publicação e troca de informações realmente livre.
Um novo espaço que privilegiasse o indivíduo no lugar do Sistema, ajudando-o a libertar-se do deletério domínio da mídia tradicional, umbilicalmente ligada, de parte a parte, por milhares de tentáculos, aos maiores grupos empresariais privados, que, no mundo inteiro, e em cada país, trabalham para manter o status quo e defender seus interesses, entre eles o de continuar – mesmo depois do surgimento da Rede Mundial de Computadores – a manipular e a explorar, do nascimento à morte, o homem comum.
Website mais visitado do mundo, e a marca mais valiosa do planeta, com aproximadamente 25.000 funcionários, um enorme faturamento e bilhões de usuários, o Google parecia ser uma dessas empresas, voltada, como rezava a missão inicial do “navegador” criado por Larry Page e Serguey Bryn, para “tornar a informação mundial universalmente útil e acessível.”
A primeira impressão, era a de que o Google buscava, ao menos aparentemente, uma aura de identificação e comprometimento com os “melhores” valores, que se refletia no lema “dont be evil” – “não seja mau”, e outros slogans relacionados de sua “filosofia corporativa”, como “você pode ganhar dinheiro sem fazer o mal”, ou “você pode ser sério sem um terno”.
Uma impressão reforçada – teoricamente – pelo fato do Google não perder uma oportunidade de declarar seu “marcante” comprometimento com a neutralidade da internet, como diz, quase sempre, seu vice-presidente e “Chief Internet Evangelist”, Vint Cerf, quando afirma que “não se pode permitir que os provedores de acesso controlem o que as pessoas vêem e fazem online.”
No entanto, o Google, além de ter tido problemas em vários países do mundo no quesito privacidade, sempre esteve estreitamente ligado à comunidade de informações norte-americana, como revelaram jornais como o The Huffington Post , no ano passado, reproduzindo e-mails divulgados pela Al Jazeera America, trocados entre o Presidente da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA, o general Keith Alexander, o Presidente do Google, Erick Schmidt, e um dos seus fundadores, Serguey Bryn, nos anos de 2011 e 2012.
Afinal, porque o Google – em uma excelente jogada de relações públicas – por meio do seu presidente Erick Schmidt – fez questão de receber na sede da empresa a Presidente brasileira Dilma Rousseff em sua recente visita aos Estados Unidos ?
Não apenas porque o Brasil é o quinto país do mundo em usuários de internet ou abriga o único Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Google na América Latina.
Mas também, e principalmente, porque no auge do escândalo de vigilância global da NSA, e dos Five Eyes – a aliança de espionagem anglosaxônica que reúne os EUA, a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e o Reino Unido e “parceiros privados” – em que Edward Snowden desnudou ao mundo o gigantesco sistema de monitoramento em massa e a íntima correlação entre agências de informação dos EUA e grandes empresas norte-americanas que dominam o negócio da internet – incluindo, como vimos, o Google – foi Dilma Roussef que liderou a reação mundial aos EUA, suspendendo sua visita de Estado aos Estados Unidos, e aliando-se à Chanceler alemã Angela Merkel, na apresentação e aprovação, na ONU, por 193 países – contra a vontade de Washington – das diretrizes de uma “lei de internet mundial” a resolução sobre “O Direito à Privacidade na Era Digital”.
Diante do gigantismo do Google e do dinheiro que aplica em marketing – incluindo um bilhão de dólares para um fundo de filantropia – é preciso prestar a atenção em detalhes para encontrar provas de seu claro comprometimento com o status quo e as forças mais conservadoras em cada país em que atua.
Talvez a mais evidente delas, que pode passar – e essa é a sua função – desapercebida pela maioria dos leitores, é a presença de uma seção denominada de “Sugestões dos Editores”, que se pode ver no alto da tela, na coluna da direita, da página inicial do Google Notícias.
Dependendo do momento em que estiver olhando, o leitor pode se deparar com chamadas para matérias prosaicas, como dicas de beleza, dietas, etc.
Mas, na maioria das vezes, ele terá chance de encontrar, “casualmente”, no mesmo espaço, no Brasil, por exemplo – mas não apenas em nosso país – o mesmo tipo de conteúdo reacionário, anacrônico e fascista, que intoxica maciçamente a internet brasileira, hoje, o que leva, naturalmente, qualquer leitor mais atento a se perguntar : que raios de “editores” são esses?
Seriam “editores” do Google? Ou “editores” voluntários, organizados em grupos de leitores?
Não. Trata-se de “editores” de veículos de informação “tradicionais”, que enviam suas “sugestões”, principalmente de artigos de opinião, ao Google, por meio de feeds.
Em suas informações sobre a seção, o Google explica que qualquer veículo pode enviar uma sugestão.
Mas quem escolhe quais e em que ordem essas sugestões irão ser publicadas na primeira página do Google News?

quinta-feira, 30 de julho de 2015

ATILIO BORÓN: NO BRASIL, A PRESIDENTA DILMA ESTÁ REFÉM DA MÍDIA HEGEMÔNICA (vídeo)




(Foto: Internet)
Atilio Borón: Os povos devem cuidar para que se faça a democratização dos meios de comunicação

"Quando se enche de calúnias e mentiras a opinião pública em relação às políticas desses governos (progressistas), temos o direito à legítima defesa. Como vamos nos defender se não há uma maneira de alguns dos presidentes da América Latina se comunicarem com sua população?”
“No Brasil – um exemplo - não existe um sistema nacional de televisão pública. A presidenta Dilma Rousseff só pode se comunicar através da Rede Globo. Está como refém dos grandes meios de comunicação”.
Da Agência Pública de Notícias do Equador e Sul-américa – ANDES, de 30/07/2015 (o título principal é deste blog)

Quito, 30 julho (Andes) – Nas comemorações pelos 10 anos da cadeia de TV teleSUR, durante o Congresso Internacional 'Comunicação e Integração Latino-americana do e para o Sul', realizado em Quito, o cientista político e sociólogo argentino Atilio Borón conversou com a Andes sobre a necessidade que tem a América Latina de regulamentar os meios de comunicação, de criar novos meios e sobre o intento de reafirmação do império estadunidense na região.

Borón assinala, sobre o aniversário da teleSUR, que a cadeia de televisão tem cumprido um papel  fundamental no surgimento duma consciência latino-americana, “que hoje em dia se dá por suposta, como que sempre esteve, mas não é assim”.
“O despertar da consciência tem a ver com o fato de que tivemos um canal de televisão que, pela primeira vez na história,  permitiu que as pessoas de diferentes países da região tomem conhecimento do que ocorria nesta parte do mundo a partir das pessoas que falam nosso idioma, que têm nossa cultura e que basicamente compartilham os mesmos interesses”.
Temos que criar meios de comunicação públicos
A direita se fez forte no controle dos sistemas midiáticos porque reconhecem que é uma batalha necessária, sustenta o cientista político. A partir desta perspectiva há uma crítica na região aos países progressistas que estão criando novos meios de comunicação alternativos aos privados. Críticas que – assegura - devem ser rebatidas.
Não se pode negar o direito aos governos progressistas de criar novos meios de comunicação, sobretudo porque têm sido “vítimas duma campanha permanente de estigmatização”. Borón argumenta que o ataque a partir da mídia (hegemônica) a presidentes como Nicolás Maduro – na Venezuela -, Rafael Correa – no Equador -, Evo Morales – na Bolívia - e os demais governantes progressistas da região (cita outros, como Dilma Roussef, do Brasil, e Cristina Kirchner, da Argentina), buscam apresentá-los como “ditadores disfarçados” que tentam destruir a “imprensa livre”. Expressões que nada têm com a realidade.  
“Quando se enche de calúnias e mentiras a opinião pública em relação às políticas desses governos, temos o direito à legítima defesa. Como vamos nos defender se não há uma maneira de alguns dos presidentes da América Latina se comunicarem com sua população? No Brasil – um exemplo - não existe um sistema nacional de televisão pública. A presidenta Dilma Rousseff só pode se comunicar através da Rede Globo. Está como refém dos grandes meios de comunicação”.
Portanto, os governos devem desenvolver um sistema de meios de comunicação que “os ajude na sua missão”, defende Borón. “Caso contrário, é condená-los a ficar de braços cruzados e manietados diante de inimigos que vão nos deixar morrer à míngua. E a tarefa fundamental que devem fazer os meios de comunicação públicos dos governos progressistas é se converterem em amplas caixas de difusão e de ressonância dos interesses das sociedades e das forças políticas que lutam por um mundo melhor”.
Os meios de comunicação públicos têm a obrigação de divulgar as obras do governo, mas para Atilio Borón apenas isso não basta. Diante dum cenário midiático contrário esses países têm que estimular o debate e o diálogo.
“A vitalidade dos governos progressistas não virá dos recursos econômicos de que dispõem ou da presença de intelectuais e escritores. Virá da capacidade que têm esses governos de estimular uma discussão popular, uma difusão de ideias, uma escuta das demandas que tem a sociedade. E com certeza devem ser capazes de transmitir os atos do governo”, enfatiza.
São necessários marcos legais na comunicação (continua em espanhol, com traduções pontuais)
Para el sociólogo Atilio Borón es muy importante tener normativas legales, como las de Ecuador o (ou) Argentina, para garantizar la comunicación como un derecho de las personas y no solo de los comunicadores y de los dueños de los medios. En el continente, explica, los conglomerados mediáticos no son solo empresas periodísticas (jornalísticas), sino departamento de relaciones públicas de grandes oligopolios multimedios y multisectoriales que tiene inversiones (investimentos) en diferentes ramas de la economía.
Adicionalmente, remarca Borón, se requieren políticas de promoción de nuevas formas de comunicación que “potencien la voz de aquellos que no tienen voz”. Se trata de construir una base social e incorporar el tema de comunicación en las agendas de los pueblos y organizaciones sociales para que ellas cumplan también la función, que no es solamente de los gobierno, de avanzar en la democratización de los medios y la cultura.
“Mira lo que pasó en Argentina. Llevamos cinco años con la Ley de Medios aprobada y no podemos lograr el avance del proceso de desmonopolización del principal grupo mediático. El Grupo Clarín tiene el control de más de 300 canales en todo el país y se resiste avanzar en el camino de la desmonopolización”.
O império tenta reafirmar-se no continente
Estados Unidos es un imperio que ha iniciado un proceso de descomposición y decadencia. Así describe Atilio Borón el actual contexto que vive la región en relación al poder hegemónico de las grandes naciones. Una realidad que, señala, ha sido aceptada inclusive por algunos de los grande intelectuales orgánicos de Estado Unidos como  Zbigniew Brzezinski - uno de sus pensadores capitalistas.
La región, explica el escritor del libro “América Latina en la geopolítica del imperialismo”, adquiere una renovada importancia estratégica y global para los intereses estadounidenses, principalmente por sus recursos naturales.
“América Latina posee (possui), con Venezuela, la reserva hidrocarburífera (petróleo) más grande del mundo; tiene la mitad del agua potable del planeta tierra; la mitad de la biodiversidad mundial; y, grandes depósitos de minerales estratégicos. Entonces yo creo que Estados Unidos ahora está haciendo (fazendo) un movimiento para intentar reafirmarse en América Latina”.
El control de los recursos naturales de América Latina es medular para el imperialismo y en la  obra de Borón se exponen los mecanismos con los cuales se intenta reafirmar ese poder. La implantación de bases militares en la región sumada a una política de guerra,  el alineamiento (o alinhamento) de la América Latina hacia los Estados Unidos, la destrucción de los procesos de cambio (de mudança) continental y la creación de las condiciones para expandir las empresas transnacionales son algunas de las estrategias.
Ante la actual crisis la su solución debe lograrse, indica Borón en su libro, desde una nueva organización post–capitalista, fenómeno que confiere una gran importancia al socialismo del siglo XXI (ao socialismo do século 21) como proyecto alternativo. Algunos países de la región, como Ecuador, son parte de este proceso. Por esa razón, advierte, hay que analizar las coyunturas que relacionan a Estados Unidos con América Latina. 
En este momento la reafirmación estaría sucediendo desde lo que detalla el intelectual argentino como “dos andariveles”. (dois lados)
“Normalizar la relación con Cuba y al mismo tiempo acentuar la presión para acabar con el gobierno de Maduro en Venezuela. No debemos ser ingenuos. Tenemos que estar conscientes que Estados Unidos sigue teniendo como objetivo el cambio (a mudança) de régimen en Cuba y acabar con la revolución bolivariana”.  

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

PELA REDUÇÃO DO JORNAL POLICIAL, ONDE A BARBÁRIE VIRA ENTRETENIMENTO

(Foto: Reprodução/Carta Maior)
Nestes programas onde a barbárie ganha status de entretenimento, como os de José Luiz Datena e Marcelo Rezende, pautas conservadoras são apresentadas em nome da justiça e de valores cristãos.


Por Danilo Lima, colunista do Portal Áfricas – reproduzido do portal Carta Maior, de 29/07/2015



Os grandes veículos de comunicação no Brasil nunca estiveram de fato ao lado dos pobres, pretos e periféricos, mas pior que isso, é perceber que cada vez mais eles passam a agir diretamente contra essa parcela da população.
 
A “TV aberta” se tornou uma espécie de coliseu contemporâneo, onde a barbárie ganha status de entretenimento, onde o policial que mata um indivíduo desarmado é aplaudido, onde nossa juventude em vez de educada é criminalizada e onde é disseminada uma cultura de desinformação.
 
E são nesses canais de comunicação que os jornais policiais têm ganhado cada vez mais espaço. Isso em um país que não superou suas desigualdades sociais, mas cujo minuto do anuncio televisivo chega a atingir, sem muita dificuldade, a cifra de milhões de reais.
 
Se considerarmos somente os jornais de José Luiz Datena e Marcelo Rezende estaremos falando de cerca de 30 horas semanais no ar o que significa, portanto, um pesado investimento, por parte das emissoras de TV neste tipo de programa.
 
Pensemos, porém, que todo esse tempo que poderia ser usado com foco na informação qualificada sobre estatutos legais importantes como o Estatuto da Criança e do Adolescente LEI Nº 8.069/90, o Estatuto da Juventude LEI Nº 12.852/13, o Estatuto da Igualdade Racial LEI Nº 12.288/10, ou ainda para discutirmos direitos e cidadania. Mas em vez disso, tragicamente, é direcionado para o sensacionalismo, para a banalização dos direitos humanos e, para apologia à violência baseada em um moralismo conservador.
 
Note caro leitor: Tanto Datena quanto Rezende são representantes modelo de uma elite branca e conservadora encastelada nos condomínios de luxo em bairros “nobres” de SP.
 
Desta forma as pautas conservadoras se apresentam muitas vezes travestidas em valores cristãos, banalizando direitos, pedindo a morte como quem pedisse a justiça.
 
São frases como “Esse sujeito não tem Deus”, “A família é sagrada”, “As Leis são fracas”, “Tem que ter pena de morte”.
 
Mas ter ou não ter um Deus determina nossas atitudes? A família de quem é sagrada? As Leis são fracas pra quem? Para quem se está defendendo a pena de morte? Qual o perfil dessas pessoas? O gênero? A idade? Qual origem social e escolaridade? E, principalmente, qual a raça?
 
Não nos deixemos enganar nas respostas, pois a esmagadora maioria das vítimas de homicídio no Brasil são jovens negros e periféricos, 70%, na faixa etária de 18 a 29 anos, cujo principal motivo das mortes é a violência policial. São cerca de 50 mil mortos por ano, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
 
Contudo, a violência letal contra jovens brancos tem diminuído enquanto que a mesma violência contra jovens negros têm aumentado. Isto é, para juventude negra pena de morte já existe e é praticada de forma não oficial pelo Estado. Importa saber agora o quanto toda essa violência não está legitimada nesses discursos de ódio.
 
O racismo no Brasil possui a característica de se camuflar nas práticas sociais. Ou seja, embora as pessoas não se assumam racistas, suas praticas o são. Assim, o discurso de ódio veiculado por esses “jornalistas” Brasil a fora tem sustentado uma onda de preconceitos que se volta diretamente contra os grupos sociais mais vulneráveis, principalmente, contra população negra e periférica. 
Manifestação de jovens negros na Câmara Federal, 07/2015 (Foto: Reprodução/Carta Maior)
É preciso combater o racismo identificando como ele opera e principalmente operando contra as estruturas que o sustentam. Nesse sentido a luta contra a redução da maioridade penal é parte do enfrentamento ao racismo institucional à medida que se posiciona contra praticas racistas de incentivo a violência e ao encarceramento em massa presentes no discurso de certos apresentadores de TV.
 
Os Jornais Policiais desinformam e discriminam, reproduzindo falas intolerantes e extremistas, o que aprofunda e espantosa insensibilidade para com o extermínio de milhares de jovens negros(as) por ano no Brasil, o que  prejudica a luta do movimento negro e consequentemente o avanço do acesso de negros e negras as oportunidades 120 anos após a dita abolição.
 
Artigo originalmente publicado no Portal Áfricas

DILMA: “QUEREMOS USAR A INTERNET PARA A CRIAÇÃO DE CONSENSOS TRANSFORMADORES”

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Plataforma digital lançada nesta terça (28) permite ao cidadão avaliar políticas públicas e até conversar diretamente com ministros

Por Najla Passos - no portal Carta Maior, de 29/07/2015

A presidenta Dilma Rousseff lançou nesta terça (28), em Brasília, uma nova ferramenta de participação social: a plataforma digital Dialoga Brasil, que permitirá ao cidadão propor novas políticas públicas via internet, avaliar os projetos já em execução, escolher as melhores propostas de terceiros, debater temas da conjuntura e até mesmo dialogar diretamente com ministros. “É muito difícil governar um país da dimensão do Brasil sem ouvir as pessoas”, afirmou a presidenta.
 
De acordo com ela, a plataforma atende sua promessa de campanha de criar novos canais de comunicação com a sociedade e sintetiza a experiência bem sucedida de participação social já executada pelo governo, que tem sua expressão máxima nas conferências.  Para a presidenta, Dialoga Brasil avança ao permitir a participação direta da sociedade civil, inclusive dos cidadãos não organizados pelos movimentos que já frequentam as conferências. 
 
“Nós queremos melhorar. E só dá para melhorar tendo essa parceria entre governo federal e sociedade”, afirmou a presidenta, circulando bastante a vontade entre os representantes de movimentos sociais que lotaram o auditório da Funarte, em Brasília, para participar do evento. A plataforma digital é um projeto pessoal da presidenta, que foi testada e aprovada diretamente por ela. “Nós queremos usar a internet para a criação de consensos transformadores”, destacou Dilma.
 
Temas em debate
 
O Dialoga Brasil já está em funcionamento, com quatro temas (desenvolvimento social e combate à fome, segurança pública, saúde e educação), que abrangem 20 programas. A meta é, nos próximos dias, abastecer a rede com mais 10 temas e 60 projetos. Todos eles ficaram abertos à avaliação pública até final de outubro e podem ser compartilhados nas redes sociais sem nenhum tipo de censura prévia ou mediação.
 
As pessoas podem apresentar propostas, sugestões e críticas de até 200 caracteres. Todas elas serão publicadas na plataforma e ficarão sujeitas à votação do público. O compromisso do governo é responder, após o dia 31, as três propostas mais votadas de cada um dos 80 projetos. Para participação, será necessário que o usuário se registre com email e senha, além de aceitar os termos de utilização.
 
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou os quatro programas de segurança que já estão aguardando contribuições públicas no Dialogo Brasil. Entre eles o que visa diminuir as altas taxas de assassinatos verificadas no país, especialmente entre jovens negros da periferia. Trata-se da proposta de um pacto nacional pela redução dos homicídios, ainda em construção. 
 
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, destacou a importância do debate social para qualificação das políticas públicas, como ocorreu com o Mais Médicos, muito atacado na época do seu lançamento, há dois anos, mas que agora é aprovado por 95% da população brasileira, conforme pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


Para ler mais na Carta Maior:  

TELESUR: A LUTA PELA AGENDA DA MÍDIA CONTRA-HEGEMÔNICA – POR ARAM AHARONIAN

(Foto: Carta Maior)
TeleSur: a revolução e o que veio depois

A TeleSur surgiu como um projeto estratégico orientado a criar uma resposta ao relato jornalístico gerado pela ideologia capitalista sobre a América Latina.

Existe uma urgente necessidade de impor uma agenda informativa e política própria, sem perder tempo reagindo permanentemente às campanhas do inimigo. Ser reativo e não proativo dá enormes vantagens ao inimigo, que é quem impõe a temática e as regras do jogo. Ser reativo é ser, de alguma forma, cúmplice do inimigo.

Por Aram Aharonian (jornalista uruguaio vivendo na Venezuela) – no portal Carta Maior, de 29/07/2015 (o título principal é deste blog)


TeleSur é um dos projetos mais importantes da última década na América Latina. Apadrinhado pela Revolução Bolivariana e pelo presidente Hugo Chávez, o canal de notícias de tornou a primeira tentativa séria de liberação audiovisual e de descolonização midiática, talvez não só na América Latina. Nesta sua primeira década de vida, esse projeto revolucionário enfrentou muitas dúvidas e debates – que se acentuaram nas últimas semanas, quando as redes sociais discutiram a celebração dos seus dez anos. Vejamos alguns fatos importantes relacionados à história do canal:

– TeleSur surgiu como um projeto estratégico orientado a criar uma resposta ao relato jornalístico hegemônico das empresas de comunicação, que replica a visão de continente gerada do Norte. Para isso, era preciso a criação de um canal multi estatal latino-americano. A ideia era cristalizar aquele sonho acariciado durante anos por jornalistas e trabalhadores ligados à cultura na região, de oferecer a imagem e a voz da América Latina para todo o mundo, e, principalmente, ver o mundo a partir de uma perspectiva própria.

– A partir de então, pela primeira vez, havia um espaço público multi estatal de televisão, para difundir uma realidade latino-americana que era, em grande medida, invisibilizada, ocultada, ignorada ou minimizada pelos grandes meios de comunicação dos países desenvolvidos, e inclusive pelos meios comercias da região.

– Com a existência de uma alternativa ao relato hegemônico, novos apoiadores foram se somando à tela, aqueles que durante muitos anos não haviam tido voz nem imagem começaram a informar e ser informados.

– Uma das ideias fundadoras do projeto foi a de que a TeleSur pudesse servir de ponte entre os povos do continente. Como dizia um documento do canal: se vemos, nos conhecemos, se nos conhecemos, nos respeitamos, se nos respeitamos, aprendemos a gostar uns dos outros, e esse último é o primeiro passo para nos integrarmos. Se a integração é o propósito, a TeleSur é o meio.

– O projeto do canal TeleSur não consistia em fazer uma CNN latino-americana ou de esquerda, mas sim de revolucionar a televisão com um maior rigor jornalístico, veracidade, qualidade e entretenimento, informação e formação de cidadania. E, junto com o projeto da televisão, transitava outro ainda mais importante: a da Indústria Latino-americana de Conteúdos, que garante material novo – partindo do pressuposto de que podemos nos ver com nossos próprios olhos – para TeleSur e todas as emissoras que foram surgindo. Esse projeto era (e continua sendo) imprescindível! Hoje, os processos de democratização da comunicação em nossos países permitiram o surgimento de novas frequências… que, em geral, repetem os mesmos conteúdos do inimigo.

– Os documentos preparatórios da televisora multi estatal incluíram a investigação diversa e plural da identidade latino-americana, e nessa tarefa encontraram algumas peculiaridades: a informalidade do latino-americano, o uso coloquial da linguagem e seu senso de humor transversal.

– A TeleSur demonstrou que era possível sim fazer um canal de alcance massivo, que mostrasse a nossa idiossincrasia, nossas realidades, nossas lutas e nossas ânsias. Que nos mostrasse tal qual somos, em toda a imensidade da nossa diversidade étnica e cultural, em toda a pluralidade da região. Lamentavelmente, o alcance da TeleSur sempre esteve limitado, por ser um canal satelital, e haver optado por enaltecer o seu caráter de canal informativo: sua criação, que poderia ter sido massiva como se esperava, lamentavelmente foi frustrada por essas problemáticas, e talvez pelo desinteresse ou pela falta de conhecimento para solucioná-las.

– Quem mais teve que se adaptar a essa nova mensagem alternativa foi a CNN En Español, que depois de 10 anos de ocultamento e invisibilização de negros, índios e movimentos sociais, teve que começar a mudar sua agenda, quando percebeu que já não era transmissor exclusivo das mensagens: por exemplo, transmitiu a cerimônia indígena de posse presidencial de Evo Morales, não pode ignorar os golpes de estado em Honduras e no Paraguai, entre outros fatos.

– Um funcionário de TeleSur conta que o canal tinha uma audiência de mais de 460 milhões de pessoas… potencial. É difícil saber (por ser somente retransmitido através de cabo) a quantidade real de gente que vê um canal que, por ser eminentemente noticioso, é vítima fácil do zapping e pouco propenso a lealdades permanentes, apesar da sintonia política com os espectadores ou a preferência de alguns por programas específicos. A TeleSur é difundido na Venezuela por quatro canais UHF. No Equador, por cinco UHF, 13 canais via satélite e uma dúzia de operadoras de cabo – também pode chegar através de operadoras estrangeiras, através de assinatura.

– Contudo, vários jornalistas fundadores de TeleSur testemunharam as seguintes realidades críticas:

a) falta convicção sobre o que significa a democratização, sobre como garantir a democratização da palavra e da imagem, para que todos sejam protagonistas, sem necessidade de intermediários;

b) a agenda informativa é reativa à gerada pelos meios hegemônicos – e, portanto, dependente da agenda do inimigo;

c) se a maior parte das imagens dos noticiários são produzidas por duas cadeias multinacionais de informação, dificilmente haverá imagens dos fatos que envolvam a visão dos mais pobres e dos movimentos sociais;

d) existe uma prioridade em dar cobertura aos presidentes da região, o que acaba tirando protagonismo dos movimentos sociais;

e) deveria servir para resgatar a memória dos nossos povos, e não somente com documentários nostálgicos ou denunciantes, mas também com programas que estimulassem a reflexão sobre essa memória e o debate sobre para onde caminhamos. Um povo que não sabe de onde vem dificilmente saberá para onde vai.

– Muitas vezes se perde de vista aqueles que devem ser os sujeitos, os protagonistas das nossas histórias, e na louca ideia de competir (inseridos numa dinâmica capitalista), o canal acaba seguindo a agenda informativa dos meios hegemônicos. Não basta entrevistar os líderes dos movimentos sociais para promover suas lutas, é preciso explicar as razões delas, como funcionam, o porquê de lutar. Dando voz e imagem aos verdadeiros protagonistas, fazendo uma televisão realmente democrática, onde todos possam se expressar, não somente os representantes. Onde as pessoas se sintam identificada com as histórias narradas. Uma televisão que priorize claramente o protagonismo popular, como diria Chávez.

– Portanto, a TeleSur não aplicou totalmente sua própria fórmula de permitir que nos vejamos com nossos próprios olhos para poder ser um reflexo, espelho da nossa gente, e segue imitando o formato anglo-saxão de se vestir e discurso padronizado internacionalmente. Enquanto isso, CNN En Español passou a ter apresentadores com mangas arregaçadas, conversação sobre as notícias tirando o peso da formalidade, e até com um toque de humor em algumas passagens, resgatando nossa investigação sobre a informalidade do latino-americano, o uso coloquial da linguagem e seu senso de humor como traço importante da identidade regional.

– Muitos “especialistas” chegaram oferecer assessoria ao canal (talvez atraídos pela possibilidade de acesso aos petrodólares), mas quase sempre com a ideia de que a comunicação alternativa significava comunicação marginal, enquanto TeleSur aposta na massificação da informação, para que essa possa chegar às grandes maiorias. Disputar a hegemonia. Alguns dos que chegaram tinham boa fé, outros tentaram impedir que o projeto fosse uma realidade. Talvez acreditavam que aquilo que eles não puderam, não souberam ou não quiseram fazer na Europa, não devia ser feito nestes países subdesenvolvidos… Foram fortes as pressões contra Chávez para que desistisse do projeto. E agora sobre Maduro, para abandoná-lo.

– Um Comitê de Assessores, com interessantes propostas, foi desmantelado para dar lugar a assessores e capacitadores de empresas comerciais europeias, com enormes custos e perda de sentido real à televisora.

– Sem dúvidas, o processo de digitalização da televisão em nossos países pode ajudar a TeleSur a ser incluído nas plataformas de televisão digital, o que pode fazer com que o canal ganhe mais audiência, mas seria mais importante que os novos canais disponham dos conteúdos produzidos por TeleSur (e por muitas outras emissoras da região) para difundir esse material, superando os obstáculos capitalistas dos direitos de transmissão. E que a TeleSur aproveite esse acervo audiovisual que se está criando, para se transformar, como era previsto, numa janela importante para a difusão de conteúdos latino-americanos e caribenhos.

– TeleSur não é uma cadeia de televisão, como costumam definir os meios hegemônicos, é somente um canal, que deve responder a uma empresa estatal latino-americana, e que foi se burocratizando, ao insistir em copiar os modelos, em substituir o conselho assessor pelo caro assessoramento de empresas capitalistas europeias, em confundir a linha editorial com consignas.

– Inclusive a equipe que se formou no início, com uma certa “mística telesurenha”, foi desmantelada e substituída por profissionais de meios privados, que trouxeram sua cultura, seus vícios e se desinteressaram pelo projeto.

– O “temor” de que se transformasse num meio de propaganda sempre existiu, mesmo antes da estreia do canal, quando o projeto foi apresentado em diferentes foros. Connie Mack, congressista republicano da Flórida, se atreveu a qualificar o TeleSur como “uma ameaça para os Estados Unidos”, porque, segundo ele, “sua existência pode minar o equilíbrio entre os poderes no hemisfério ocidental”, em declaração feita antes que o canal emitisse sua primeira programação. A Câmara de Representantes não duvidou em aprovar, em 20 de julho de 2005, uma emenda que autoriza o governo estadunidense a iniciar transmissões de rádio e televisão que ofereçam aos venezuelanos uma fonte de notícias precisa, objetiva e completa”, demostrando assim uma arrogância colonial descomunal.

– Obviamente, o projeto original não permitia que TeleSur se tornasse um canal propagandístico, ou que servisse à agenda política de algum governo. Porém, sitiados pelos problemas políticos surgidos na região, sua condução terminou não equilibrando a informação de cada país da região. Muitas vezes, pareceu ser mais um canal da Venezuela para o exterior, que uma emissora latino-americana e latino-americanista.

– Todo meio de comunicação tem uma linha editorial, seja ele estatal, público, privado, popular. Nenhum meio é objetivo, nem imparcial, nem neutro, ainda que se disfarce de objetivo – como muitas vezes acontece – para impor seus interesses políticos, econômicos ou religiosos. TeleSur também tinha sua linha editorial bem definida, mas ao não entender bem o que significa a batalha das ideias, muitas vezes acabou por flertar com os refrões, o que lhe valeu o rótulo de propagandístico. Como em todos os meios, os chefes são os que decidem que temas devem se cobertos, qual o enfoque, que fontes consultar. Não há muitas possibilidades de propor temáticas diferentes, já que não existe uma agenda própria, mas basicamente uma postura reativa, de contestar a agenda hegemônica.

– Não existe uma só visão, uma só leitura. Mas sim uma decisão de ver a América Latina com olhos latino-americanos, de visibilizar os processos que nossos povos viviam (e vivem), de contextualizar a informação, de ter uma visão alternativa – contra-hegemônica – à dos meios comerciais, das televisoras e agências europeias e estadunidenses, à mensagem e à imagem uniformizadas, no caminho de construir uma nova hegemonia, como adiantava Antonio Gramsci. Lamentavelmente, o discurso internacional está cheio de consignas, de golpes baixos, e carece de racionalidade, debate de ideias, construção de novas subjetividades e imaginários que ajudem à construção de novas democracias e novas sociedades.

– Durante décadas, os latino-americanos nacionalistas e/ou simpatizantes da esquerda se dedicaram a um denuncismo que parecia perpétuo. Conseguiram verdadeiros doutorados em denunciologia e choramingo. Poucas vezes mostrou alternativas às imposições dos regimes neoliberais: se conformam com denunciar, assumindo o lugar de vítimas. Nos últimos anos isso tem mudado. Agora, em muitos países da América Latina, o cidadão passou a ser sujeito da política (já não objeto), consciente de seus direitos, e vai assumindo a necessidade de passar da etapa de mais de 520 anos de resistência a uma etapa de construção de novas sociedades, baseadas numa democracia participativa, onde o cidadão seja o protagonista.

– E não mostrar essas realidades é o pecado. Existe muito a se informar, sobre o que fazemos, o que propomos, o que construímos, o que sonhamos. Existe uma urgente necessidade de impor uma agenda informativa e política própria, sem perder tempo reagindo permanentemente às campanhas do inimigo. Ser reativo e não proativo dá enormes vantagens ao inimigo, que é quem impõe a temática e as regras do jogo. Ser reativo é ser, de alguma forma, cúmplice do inimigo.

 
Tradução: Victor Farinelli

quarta-feira, 29 de julho de 2015

MEDELLÍN BUSCA DESAPARECIDOS

As autoridades calculam que podem ser centenas as vítimas enterradas sob os escombros (Foto: AFP/Página/12)
Na cidade colombiana começou uma massiva escavação forense: as escavações foram iniciadas num depósito de escombros onde se presume haver restos de vítimas do conflito armado. “Os restos estarão fragmentados e deteriorados pela acidez da terra”, indicou o promotor.
Do jornal argentino Página/12, edição impressa de ontem, dia 28
As autoridades colombianas iniciaram na segunda-feira (dia 27) em Medellín a maior escavação forense do país para encontrar  vítimas da violência estatal e paraestatal que se presume estão sepultadas sob montanhas de escombros, com o objetivo de levar a investigação à Justiça. O ministro do Interior, Juan Fernando Cristo, participou do começo do Projeto La Escombrera, no setor chamado La Arenera, um dos depósitos de escombros da Comuna 13, que durante décadas foi cenário da violência do conflito armado e da delinquência comum na cidade.
A Comuna 13, onde estão localizadas as célebres escadarias mecânicas de Medellín, sempre foi ponto estratégico porque dali se conecta com a rota que leva à região de Urabá, na costa marítima, e por fim, caminho necessário para o transporte de drogas.
É impossível saber quantas vítimas da violência podem estar sepultadas debaixo dos escombros, mas as autoridades calculam que podem ser centenas. Segundo explicou o promotor de exumações da Diretoria Nacional de Justiça Transicional da Procuradoria, Gustavo Andrés Duque Serna, na primeira fase da escavação forense entrarão na área com máquinas pesadas para começar a remover 20 mil metros cúbicos de terra. Em seguida um grupo de criminalística começará uma remoção mais cuidadosa do terreno, quando se encontrarem mais perto do local onde, de acordo com as investigações preliminares, poderiam ser encontrados corpos. “Faremos até o impossível para recuperar nossos mortos”, assinalou Duque sobre as escavações. Ainda que não se possa determinar com certeza o tempo que levará a escavação, porque estão sujeitos ao clima e à estabilidade do terreno, Duque manifestou que há compromisso da equipe no sentido de “encontrar, num curto tempo, os primeiros indícios”.
Continua em espanhol, com traduções pontuais:
Las excavaciones se iniciaron en el denominado Polígono Uno, sector La Arenera de La Escombrera, donde se presume habría cerca de 50 personas, según Duque. “Seguramente, los restos estarán fragmentados y deteriorados por la acidez de la tierra”, apuntó el fiscal.
Cristo (ministro do Interior) señaló que las excavaciones llegarán hasta las últimas consecuencias en la búsqueda de la verdad y de las víctimas que están bajo los escombros. Agregó que el gobierno no se detendrá hasta que todos los familiares de los desaparecidos logren encontrar, identificar y sepultar a sus seres queridos. Y recordó que el presidente colombiano, Juan Manuel Santos, se comprometió a que en Colombia haya paz sin impunidad frente a hechos como los de La Escombrera y frente a la violencia generada. Asimismo, recordó que en la agenda de los diálogos con las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), en La Habana, se discuten los derechos de las víctimas. Para Cristo, este acontecimiento tiene mucho que ver con la aprobación de la Ley de víctimas y restitución de tierras que lideró él mismo hace unos años en el Senado. Sobre la excavación, indicó que evidencia que la sociedad colombiana se compromete más con los derechos a la verdad, a la justicia y a la reparación y a las garantías de no repetición frente a las víctimas del conflicto en Medellín y en toda Colombia. La primera etapa de este proyecto de exhumación, en la que participan antropólogos forenses y otros expertos, necesitará de una inversión cercana a los 1000 millones (1 bilhão) de pesos (unos 350.000 dólares) e incluye la construcción de un mausoleo para las víctimas de La Escombrera.
El inicio de las excavaciones también se convirtió en espacio para que familiares de los desaparecidos expresaran su dolor. “Llevamos trece (13) años luchando para llegar al proceso que hoy inicia. Esta es una gota de esperanza”, dijo Luz Elena Galeano, líder de la organización Mujeres Caminando por la Verdad, que agrupa a 130 víctimas de la violencia en la Comuna 13.
En esa zona, escenario del conflicto que azota (castiga) Colombia desde hace más de medio siglo (há mais de meio século), tuvieron fuerte presencia el Movimiento 19 de Abril (M-19), las FARC y el Ejército de Liberación Nacional (ELN). Luego tomaron control de la barriada (Depois assumiram o controle do bairro carente) diferentes unidades paramilitares, además de bandas criminales. Galeano opinó que este primer paso permitirá que el mundo se sensibilice y solidarice con este capítulo doloroso de la historia de Colombia y con el que se evidencia que la Comuna 13 es una fosa común. La presidenta de la asociación Caminos de Esperanza Madres (Mães) de la Candelaria, Teresita Gaviria, señaló que el comienzo de las excavaciones es quizá “el proceso más importante que hemos vivido en la historia colombiana”. Y consideró que las excavaciones permitirán terminar con la incertidumbre (com a incerteza) de muchas personas que creen que sus familiares están sepultados bajo los escombros. “Si esas montañas donde están las escombreras hablaran (onde estão os escombros falassem), nos dirían cuántos muertos hay. Allí está enterrado el dolor (a dor)”, sostuvo (declarou, sustentou) Gaviria.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

BANCADA DA PIZZA DA CPI DO HSBC MOSTRA SUA CARA - POR CONCEIÇÃO LEMES

(Foto: Viomundo)

A bancada da pizza do HSBC: Ricardo Ferraço (PMDB/ES), Otto Alencar (PSD/BA), Paulo Bauer (PSDB/SC), Blairo Maggi (PR/MT), Ciro Nogueira (PP-PI), Davi Alcolumbre (DEM /AP) e Sérgio Petecão (PSD/AC)

Bancada da pizza da CPI do HSBC: Depois de livrar a cunhada do tucano Tasso Jereissati, terá moral para investigar outras contas suspeitas na Suíça?

Por Conceição Lemes - no blog Viomundo - o que você não vê na mídia, de 29/07/2015
No Brasil, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra os poderosos de direita, invariavelmente apoiados pela grande mídia, não emplaca.  Quando se torna realidade, morre por conluio entre parlamentares e os setores envolvidos, manobras ilícitas e lícitas, inclusive covardia.
Cercada de muita expectativa, a CPI  do HSBC teria a oportunidade de investigar e mostrar que muitos dos que hoje esbravejam “abaixo a corrupção” esconderam fraudulentamente bilhões no HSBC Private Bank, em Genebra, Suíça. Segundo dados divulgados no início de fevereiro deste ano, 8.867 correntistas do Brasil, titulares de 6.606 contas secretas no HSBC suíço, tinham aí depositados cerca de US$ 7 bilhões, de 9 de novembro de 2006 a 31 de março de 2007.
Porém, reunião fatídica da CPI do HSBC, realizada reunião de 16 de julho, demonstrou que ela provavelmente seguirá a regra, morrendo de inanição ou de indigestão por farta distribuição pizza.
A evidência: o abafa bem organizado pelos senadores nessa reunião, que, queiram ou não, macularam indelevelmente os trabalhos do grupo.
A CPI do HSBC, como devem se lembrar, havia aprovado em sessão anterior, no final de junho, a quebra do sigilo de, entre outros:
Jacks Rabinovich, empresário e ex-diretor do Grupo Vicunha. Ele aparece vinculado a nove contas no HSBC da Suíça (a maioria em conjunto com a família Steinbruch), que somam US$ 228 milhões.
Jacob Barata, conhecido como o “Rei do Ônibus” no Rio de Janeiro, e os filhos Jacob Barata FilhoDavid Ferreira Barata e Rosane Ferreira Barata.   Segundo registros do HSBC de Genebra, entre 2006 e 2007, Jacob mantinha US$ 17,6 milhões em conta conjunta com sua mulher, Glória, e os três filhos do casal.
Paula Queiroz Frota, uma das executivas do Grupo Edson Queiroz, de sua família e do qual faz parte o maior conglomerado de comunicação do Ceará. Integra-o: TV Verdes Mares (afiliada da Globo), Rádio Verdes Mares, TV Diário, FM 93, Rádio Recife, Diário do Nordeste e portal Verdes Mares.  Paula, a irmã Lenise, o irmão Edson (morto em 2008) e a mãe Yolanda, também membros do conselho de administração do grupo empresarial, tinham, em 2007, US$ 83,9 milhões na conta 5490 CE aberta em 1989 no HSBC de Genebra.
Na véspera dessa reunião, os trabalhos da CPI do HSBC haviam ganho força devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).  Em 15 de julho, o ministro Celso de Mello negou o mandado de segurança impetrado por Jacks Rabinovich que reivindicava a não quebra do seu sigilo bancário.
Só que, em vez de aproveitarem-se dessa sentença altamente positiva para quem deseja investigar a lavagem de dinheiro e evasão de divisas, via contas secretas no HSBC suíço, os senadores a ignoraram e levantaram adiante o abafa, conforme o combinado.
Acompanhe-o:
1) Dos onze titulares, apenas dois não estavam presentes à reunião de 16 de julho, devido a agendas externas, portanto não participaram da manobra: Fátima Bezerra (PT/RN)  e Acir Gurgacz (PDT-RO).
2) Consequentemente,  nove compareceram. Nunca a CPI do HSBC teve quórum tão alto.
3) De 24 de março de 2015, quando foi instalada no Senado, a 16 de julho, a CPI do HSBC realizou onze reuniões. No entanto, entre 5 de maio e o final de junho, nenhuma. Foram 49 dias sem uma única sessão.
4) Três senadores protocolaram então requerimento extra-pauta, para que fossem reconsideradas as aprovações de quebra de sigilo dos seis correntistas citados acima. Objetivo óbvio:  livrar a cara dos seis.
Ciro Nogueira (PP-PI) agiu em socorro do empresário Jacks Rabinovich.
Davi Alcolumbre (DEM /AP) intercedeu por quatro: Jacob Barata e os filhos David, Jacob e Rosane.
Paulo Bauer (PSDB/SC) tirou da fogueira Paula Queiroz Frota, simplesmente a cunhada de  outro senador também tucano. Paula é irmã de Renata Queiroz Jereissati, esposa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ambas são filhas de Yolanda Vidal Queiroz, que também tinha conta no HSBC de Genebra.
O resultado, todos já conhecem: 7 a 1, a favor da manutenção do sigilo bancário desses seis correntistas.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi o único que votou pela quebra do sigilo de cinco dos seis correntistas mencionados. Ele se absteve na votação referente a Paula Queiroz Frota, cunhada do colega Tasso Jereissatti.
Além de Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre  e Paulo Bauer, votaram a favor da manutenção do sigilo, contrariando a decisão do STF, mais quatro senadores:
* Ricardo Ferraço (PMDB/ES), por sinal relator da CPI do HSBC
* Otto Alencar (PSD/BA)
* Blairo Maggi (PR/MT)
* Sérgio Petecão (PSD/AC)
Para que os eleitores não  se esqueçam, repetimos os nomes dos sete integrantes da bancada da pizza da CPI do HSBC: Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre, Paulo Bauer, Ricardo Ferraço, Otto Alencar, Blairo Maggi e Sérgio Petecão.
– E o senador Paulo Rocha (PT-PA)?
Devido à condição de presidente de CPI, ele não votou.
Segundo matéria do jornalista Fernando Rodrigues,  no UOL, “a operação abafa foi comandada pelo petista Paulo Rocha”.
Ao Viomundo, Paulo Rocha, via sua assessoria de imprensa, nega.
Em texto que nos foi encaminhado, a assessoria do senador do Pará ainda explica:
O presidente da CPI, senador Paulo Rocha (PT-PA), foi questionado sobre qual seria sua interpretação quanto à revogação das quebras de sigilos já aprovadas há uma semana. O senador observou que, desde o início dos trabalhos, garantiu que iria dirigir os trabalhos sem transformar a CPI num palco, sem espetáculo, assegurando amplo direito de defesa e evitando que direitos individuais fossem colocados em xeque.
“Assim me comportei na reunião de hoje. No entanto, acho que dada às dificuldades das informações que a CPI têm, e que mexem com direitos individuais e coletivos, é claro que a CPI tem momentos de firmeza e momentos de dúvida, justamente por causa das fragilidades dos documentos que são enviados para cá”, afirmou.
Em tempo, quatro questões:
Com essa bancada da pizza tão “generosa” com os suspeitos de contas fraudulentas no HSBC, você ainda acredita que essa CPI vá investigar e revelar outros brasileiros que usaram o banço suíço para lavagem de dinheiro e evasão de divisas do Brasil? Sinceramente, esta repórter acredita que não.
Depois desse abafa organizado, ela ainda teria condições morais de levar o seu trabalho adiante?
Mas será que ela vai se dispor de agora em diante a fazer um trabalho realmente sério, sem aliviar para  financiadores de campanha, amigos e parentes de senadores e donos da mídia,  por exemplo?
Como ficará a situação dos seis correntistas já beneficiados pela bancada da pizza? Suas contas no HSBC de Genebra ficarão realmente livres de qualquer investigação?
Aguardemos os próximos passos.