quarta-feira, 30 de setembro de 2015

PEDRO SERRANO: NO BRASIL, “EM ÁREAS MAIS POBRES EXISTE UM ESTADO DE EXCEÇÃO PERMANENTE”

(Foto: Internet)
“Você vai nas periferias e são territórios ocupados pela PM, uma exceção bruta (...) (são) dois Estados, um Estado democrático de Direito que gere os territórios geográficos ocupados pelo pessoal incluso e um Estado de exceção permanente que gere os territórios ocupados pela pobreza”.

Por Glauco Faria e Renato Rovai – pequena parte extraída de ampla entrevista à revista Fórum Semanal, edição 214, intitulada ‘Não é no quartel que vai ser gestado ou declarado o golpe. É no Tribunal’ (ver link abaixo)

Entrevista com Pedro Estevam Serrano, advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP. Ele lançou no último dia 21 o livro A Justiça na Sociedade do Espetáculo – Reflexões públicas sobre direito, política e cidadania, uma coletânea de artigos que, entre outros temas, trata da questão do aparato jurisdicional como agente da suspensão de direitos.

(...)

Fórum – Existe uma parcela da sociedade brasileira que apoia a suspensão de direitos, inclusive os juízes, que pelas pesquisas são mais populares que parlamentares e ocupantes de cargos do Executivo. Como lidar e dialogar com a sociedade sobre isso?

Serrano – Trata-se de uma questão mundial, vamos tentar entender. É um dilema de todas as democracias do mundo, mas se dá, a meu ver, diferente no chamado Primeiro Mundo e na América Latina. Nosso caso, por exemplo, em áreas mais pobres existe um Estado de exceção permanente.

Você vai nas periferias e são territórios ocupados pela PM, uma exceção bruta, não é vinda da jurisdição. A exceção vinda da jurisdição serve para ter feitos políticos, são os ataques à democracia. Ali existe uma exceção bruta, com dois Estados, um Estado democrático de Direito que gere os territórios geográficos ocupados pelo pessoal incluso e um Estado de exceção permanente que gere os territórios ocupados pela pobreza.

Como isso é possível? A identificação do inimigo se dá por uma chave social. Você identifica na cor, ao não portar certos símbolos de pertencimento ao universo de consumo, isso possibilita você identificar o inimigo no tecido social. Quando o inimigo era o comunista não tinha jeito, tinha que se suspender direitos da sociedade como um todo, podia ser rico, branco, pobre…

Hoje, na periferia, ele é identificado em uma classe social. A figura do inimigo, que é o bandido. Existe um aparato de Estado feito para perseguir esse inimigo, não é uma pobreza cidadã, mas inimiga. Há uma restrição no direito à circulação, um impedimento à livre manifestação de pensamento, uma suspensão da integridade física e da vida.

No Primeiro Mundo, o que existe são medidas legislativas que estabelecem esse caráter de exceção porque lá os direitos são mais universalizados do que aqui. O Patriot Act, nos EUA, é um ato que estabelece medidas de exceção, suspende direito à integridade física do inimigo, e o inimigo é quem? O muçulmano.

A mesma coisa é a decisão da Suprema Corte que deu à NSA a possibilidade de determinar prisão de qualquer cidadão, mesmo estrangeiro, sem inquérito, ficando preso por 90 dias sem contatar ninguém. Está autorizando um sequestro. Na Europa, tem as leis antiterrorismo, uma série de medidas do interior da democracia que são medidas de exceção, o [Giorgio] Agamben trabalha muito bem isso. Na América Latina, existe o Estado de exceção permanente com o discurso da segurança pública.

Fórum – O terrorista aqui é o pobre.

Serrano – Sim. E por conta da ascensão de governos de esquerda democráticos começou a haver na jurisdição a produção de decisões de exceção para interromper esse ciclo democrático ou para interferir no andamento das coisas, juridicializando-se a política. Esse fenômeno é muito próprio nosso, não ocorre da mesma forma no Primeiro Mundo.

(...)

A entrevista, como está dito acima, é muito mais ampla e também muito interessante, enfocando especialmente a ameaça de impeachment da presidenta Dilma. Eis o link:

terça-feira, 29 de setembro de 2015

TIMOCHENKO, LÍDER DAS FARC, FALA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA À TELESUR

A ex-senadora da Colômbia e defensora dos direitos humanos, Piedad Córdoba, num diálogo cordial com o líder das FARC-EP durante a entrevista (Foto: teleSUR)

O programa será transmitido hoje (dia 29) às 20:30 (hora de Caracas), para que a América Latina, especialmente a Colômbia, possa conhecer maiores detalhes sobre os avanços nas negociações de paz que são levadas a cabo em Havana, Cuba.

Reproduzido do sítio web da Telesur, de 29/09/2015 (em espanhol, com algumas traduções pontuais)

A propósito del acuerdo histórico alcanzado la pasada semana en La Habana, Cuba, entre el Gobierno colombiano y las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia – Ejército del Pueblo (FARC-EP), Timoleón Jiménez, alias (codinome)  “Timochenko”, líder del grupo beligerante, hablará en exclusiva para teleSUR sobre este logro. 

Durante una emisión especial del programa “Causa Justa”,  Timochenko ofrecerá la visión de la insurgencia, ignorada hasta 2012, cuando se iniciaron los diálogos de paz en la mayor de las Antillas (em Cuba). 

Patricia Villegas, presidenta de teleSUR, detalló que en la entrevista exclusiva la exsenadora de Colombia y defensora de los derechos humanos, Piedad Córdoba, establece un diálogo íntimo (amigável) con el líder de las FARC-EP. 

Villegas informó que se trata de un material inédito y que, a pesar de tener “tres horas de duración”, no se dejará ningún detalle por fuera para que tanto el pueblo colombiano como el latinoamericano en general, conozcan (conheçam) los pormenores del camino hacia el acuerdo de paz.

En imágenes exclusivas, se conoció un adelanto (uma mostra) de la entrevista que será transmitida esta noche, en el que Timochenko señaló que “los seis meses pueden quedar cortos” en relación al tiempo estipulado para llevar a cabo los acuerdos de paz. Apuntó que la salida del conflicto “puede darse antes de diciembre de este año”, según informó Villegas. 

En fragmentos de esta conversación con teleSUR, el líder de la guerrilla dejó entrever que la única manera para que se dé la paz en Colombia es “logrando el compromiso de la mayor parte de la sociedad” en el país para lograr ese objetivo.

La presidenta de teleSUR recordó que los diálogos de paz han sido acompañados por este medio de comunicación, e indicó que espera establecer conversaciones similares con otras partes relacionadas con el conflicto como es el caso del presidente de Colombia, Juan Manuel Santos. 


Villegas, quien aspira que la de Timochenko “no sea la única exclusiva”, aseguró que las FARC-EP se las ha jugado todas por la paz al igual que el presidente Santos.

 Este contenido ha sido publicado originalmente por teleSUR bajo la siguiente dirección:
 http://www.telesurtv.net/news/Timochenko-lider-de-las-FARC-habla-en-exclusiva-con-teleSUR-20150929-0016.html

NICOLÁS MADURO: O MUNDO NECESSITA DUMA NOVA GEOPOLÍTICA QUE RESPEITE A SOBERANIA DAS NAÇÕES

"Nós os povos do planeta estamos dispostos a salvar a humanidade", disse o mandatário venezuelano (Foto: Prensa Presidencial)
O mandatário venezuelano pediu a construção de “um mundo multipolar e de iguais” durante sua intervenção na Assembleia Geral da ONU.

Maduro comemorou o consenso geral, inclusive do presidente estadunidense Barack Obama, de que "sem paz não há desenvolvimento".

Reproduzido do sítio web da Telesur – publicado em 29/09/2015 (em espanhol)

El presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, en su discurso en el 70 periodo de sesiones de la Asamblea General de las Naciones Unidas (ONU), aseveró que se necesita “una nueva geopolítica que respete la soberanía de las naciones”. Asimismo, manifestó la importancia de “una política de convivencia de paz, de justicia, de igualdad, que rechace todo intento de hegemonizar, ya sea por la vía de la amenaza o de la fuerza, nuestro mundo”.

El mandatario venezolano afirmó ante los líderes presente en la ONU que "ha llegado el tiempo de la construcción de un mundo multipolar, un mundo de iguales".

Maduro dijo que apoya el planteamiento del presidente de Rusia, Vladimir Putin, de crear una “nueva alianza de paz”, por lo que Venezuela como miembro del Consejo de Seguridad de la ONU “va a llevar una propuesta para ayudar al pueblo de Siria a combatir verdaderamente a los grupos que instigados desde Occidente traen sufrimiento a la región”, en referencia al Medio Oriente, que se ha visto históricamente afectado por el intervencionismo estadounidense.

Guerras en Siria, Libia, Irak y Afganistán

El jefe de Estado venezolano expresó que las cuatro guerras desarrolladas en el mundo “han hecho fracasar el sistema de las Naciones Unidas”.

Destacó que Irak cada vez “es un país más estable”, luego de que EE.UU. reconociera su fracaso en la guerra enquistada por los poderes económicos de esa nación norteamericana.

Enfatizó que ningún país tiene el derecho de intervenir naciones soberanas. Por tanto, “admiramos la cultura de los pueblos árabes, admiramos a los pueblos musulmanes”.

Lamentó que lo que se hizo en Libia “fue un crimen”, por lo que se preguntó "¿cómo está Libia? ¿Es un país más estable?".

Lo mismo hizo al pronunciarse contra el conflicto que enfrenta el pueblo de Siria, por los intentos de EE.UU. de tumbar el Gobierno constitucional del presidente Bashar Al-Assad.

“Creemos que el sistema de Naciones  Unidas está a tiempo de parar una tragedia peor, espeluznante, de la que ya se ha vivido en Afganistán”, reflexionó Maduro.

Advirtió a los líderes europeos del alcance del conflicto sirio. “Ni crea Europa que una tragedia humanitaria en Siria no va a tocar masivamente sus costas, sus tierras, y toda la civilización europea”.

Instó a la ONU a despertar del “fracaso estrepitoso de estas cuatro guerras” y desechar el uso de métodos intervencionistas para llevar guerras y sembrar el terror a pueblos declarados como “indeseables o enemigos”. Celebró el consenso general, incluso del presidente estadounidense Barack Obama, de que 'sin paz no hay desarrollo'.

El nuevo regionalismo de América Latina y el Caribe

El presidente venezolano apuntó que se viene desarrollando un nuevo regionalismo porque América Latina ha reecontrado su camino de unión e independencia. “Hoy podemos decir ante Naciones Unidas que América Latina ha venido consolidando la Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe, la Unasur, el ALBA, Petrocaribe”.

Detalló que persiste un conflicto armado en referencia a la guerra en Colombia, pero saludó los pasos que han dado el presidente Juan Manuel Santos y las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo (FARC-EP) para avanzar hacia la paz definitiva.

De igual forma, celebró que América Latina y el Caribe también se ha levantado en una sola voz, luego de que el presidente de Cuba, Raúl Castro, informara que el próximo 28 de octubre la Asamblea General de Naciones Unidas va discutir una vez más el bloqueo estadounidense contra la nación antillana.

Al igual que entre los EE.UU. y Cuba “nosotros aspiramos que llegue el día en que las relaciones de los EE.UU. con todos los Gobiernos, tengan el mismo signo que hoy tienen con Cuba”.

“Abogamos porque muy pronto los EE.UU. le devuelvan Guantánamo a Cuba”, demandó Maduro. 

Las Malvinas son argentinas

El mandatario venezolano indicó ante la ONU que su país está a favor de que el Reino Unido tome la decisión de sentarse a negociar por la vía de la diplomacia de paz y reconocer el derecho de la Argentina sobre las Islas Malvinas. “Es un clamor del Movimiento de Países no Alineados (MNOAL)”.

Agresión contra Venezuela

El presidente Nicolás Maduro explicó que su país ha venido enfrentando grandes retos en la “construcción de un modelo social, económico, eminentemente venezolano, inspirado en el Libertador Simón Bolívar (…) eminentemente humanista”.

Una de las grandes confrontaciones que le ha tocado encarar a su Gobierno fue cuando el pasado 9 de marzo EE.UU. declaró a Venezuela como una “amenaza inusual” para esa nación norteamericana. Sin embargo, recordó que su par estadounidense terminó reconociendo que Venezuela es una nación de paz. Fue enfático al solicitar que el decreto emitido debe ser derogado.

Adelantó que han tenido “conversaciones con los EE.UU. para que podamos lograr sacar del camino este decreto”.

Maduro manifestó que como lo ha denunciado nacional e internacionalmente “hemos tenido que despejar amenazas, una operación tenaza que pretende llenar de conflictos nuestra frontera con Colombia y Guyana”.

Recordó que la semana pasada su país fue citado por la Celac y la Unasur para diseñar una ruta que permita un nuevo sistema de trabajo para resolver el tema fronterizo.

Transformación de la ONU

El jefe de Estado venezolano abogó por una transformación profunda de la ONU. “Espero que 2030 estemos todos aquí en este foro celebrando una nueva política de paz y la reconstrucción de los pueblos que fueron devastados por las guerras”, añadió. 


Líderes mundiales prosiguen este martes (nesta terça-feira) el debate de la Asamblea General de las Naciones Unidas (ONU), cuya agenda estará centrada en países golpeados por conflictos armados, epidemias y agresiones.

 
Este contenido ha sido publicado originalmente por teleSUR bajo la siguiente dirección:
 http://www.telesurtv.net/news/Maduro-en-la-ONU-El-mundo-necesita-una-politica-de-paz-justicia-e-igualdad-20150929-0043.html.

GARCÍA LINERA ALERTA SOBRE A OFENSIVA DA DIREITA NOS SINDICATOS E NA ACADEMIA

(Foto: El Telégrafo)
Linera assinalou que é impossível alcançar um processo revolucionário sem uma transformação cultural e nesse ponto advertiu que as forças de direita estão tentando afirmar seus interesses nos sindicatos e na academia. Diante deste cenário, chamou a "não descuidar das ideias depois das vitórias" eleitorais.
Do jornal equatoriano El Telégrafo (empresa pública do governo federal), edição digital de hoje, dia 29
Por mais de uma hora, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, fez uma exaustiva radiografia da situação atual das esquerdas - com os governos progressistas às costas - e, sobretudo, acerca dos desafios que devem enfrentar diante "da nova etapa do neoliberalismo".
Durante o Encontro Latino-americano Progressista (ELAP), que se realiza em Quito, García Linera analisou profundamente as mudanças que tem vivido a região na última década com a chegada ao poder de figuras de esquerda em nações como Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Brasil e Argentina.
Deixou claro que, para ele, o "socialismo é a radicalização da democracia" em distintos espaços como o governo central e a Assembleia (Congresso Nacional). Ademais, considerou que "a democracia não somente é um método, é também o espaço do próprio processo revolucionário".
O vice-presidente boliviano resgatou em várias ocasiões o papel do Estado, que catalogou como "o espaço do comum da sociedade".
"Não pode haver uma esquerda revolucionária que não opte pelo poder (...) Mas deve democratizar esse poder"
Fez um chamado aos movimentos de esquerda para não se contentarem com a consecução do poder através da via eleitoral, mas sim a democratizar esse poder alcançado. "Não pode haver uma esquerda revolucionária que não opte pelo poder (...) Mas deve democratizar esse poder", manifestou o pensador boliviano.
Linera assinalou que é impossível alcançar um processo revolucionário sem uma transformação cultural e nesse ponto advertiu que as forças de direita estão tentando afirmar seus interesses nos sindicatos e na academia. Diante deste cenário, chamou a "não descuidar das ideias depois das vitórias" eleitorais.
Fez finca-pé em fortalecer as bases dos movimentos progressistas ao ponto de aconselhar que "não deve haver cenário onde não esteja o revolucionario".
“Nascemos nas ruas, daí viemos. Temos que ter força nas ruas”
Continua em espanhol, com traduções pontuais:
El político también pidió un 'sacudón' al interior de los movimientos sociales para retomar las movilizaciones. "Hay que tener fuerza en las calles (nas ruas). Nacimos en las calles (nas ruas), de ahí venimos". En este espacio criticó a la "izquierda de cafetín" y "perfumada" a la que "le incomoda el estruendo de la batalla".
“O futuro socialista vai ser ecológico, ou não vai ser futuro”
Sobre la capacidad de los estados para aprovechar sus recursos naturales, García Linera planteó la necesidad de continuar con el extractivismo, pero de manera temporal (temporária), hasta que se pueda avanzar hasta una economía del conocimiento. Arremetió contra ONG ambientalistas - de las que afirmó que reciben "buena cantidad de dinero" para criticar a gobiernos progresistas. "Las ONG se dedican a ver desde la ventana (da janela) lo que pasa en el mundo, desde donde estén (de onde estejam)", dijo.
Sin embargo, el Vicepresidente reconoció que "el futuro socialista va a ser ecológico, o (ou) no va a ser futuro", por lo que hizo un llamado a ser eficaz para luchar contra la pobreza para poder abandonar el extractivismo.
“O que aconteça na América Latina vai depender das decisões na área econômica"

En la parte final de su intervención, García Linera bosquejó el accionar de la derecha en los próximos años. Para él, "lo que pase en América Latina va a depender de las decisiones en el ámbito económico. Ahí es donde apunta sus cañones el imperio". Por lo que exigió a los gobiernos de la región a ser revolucionarios "en la capacidad de gestión económica de nuestros países" para redistribuir las riquezas.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira


Observação deste Evidentemente: García Linera, o vice de Evo Morales, é um intelectual engajado na luta política, professor, antigo militante de esquerda, cientista político, estudioso especialmente da participação dos povos indígenas na vida do país.

RAÚL CASTRO, NA ONU: SOBRE GUERRAS E GOLPES SUAVES

Castro agradeceu o respaldo quase unânime da comunidade internacional a respeito da suspensão do bloqueio (Foto: EFE/Página/12)
Primeiro discurso de Raúl Castro diante da Assembleia das Nações Unidas
O líder cubano condenou a multiplicação de conflitos. “Têm sido constantes as guerras de agressão, a intervenção nos assuntos internos dos Estados e a derrubada de governos soberanos.”
Do jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 29
O presidente de Cuba, Raúl Castro, exigiu da comunidade internacional que busque na pobreza  e na desigualdade a origem dos conflitos gerados pelo colonialismo e o saque das populações nativas, pelo imperialismo e a divisão de esferas de influência. Em seu primeiro discurso ante a Assembleia das Nações Unidas (ONU), Castro – que não esqueceu a reclamação argentina pela soberania das ilhas Malvinas –, advertiu que desde a primeira meta traçada pela organização de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra e edificar uma nova forma de relações que favorecesse a paz e o desenvolvimento, muito pelo contrário, os conflitos não fizeram mais do que se multiplicarem. “Desde então têm sido constantes as guerras de agressão, a intervenção nos assuntos internos dos Estados, a derrubada pela força de governos soberanos e os denominados ‘golpes suaves’”, assinalou Castro, e disse que resulta inaceitável a militarização do ciberespaço e o emprego encoberto e ilegal das tecnologias da informação e das comunicações para agredir outros Estados.
O mandatário cubano lamentou porque o compromisso inicial da ONU de promover o progresso social e elevar o nível de vida dos povos continua sendo uma quimera e contrapôs a situação dos 795 milhões de pessoas que sofrem fome à dos gastos realizados na área militar, que alcançam 1 bilhão e 700 milhões de dólares. Depois de defender a atuação da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e a declaração da América Latina como zona de paz, o líder cubano enumerou uma lista de solidariedades de seu país para com nações da região.
Defendeu assim a Venezuela ante os intentos desestabilizadores empreendidos por alguns setores e o Equador, nação que é “alvo do mesmo roteiro” opositor. Da mesma forma, celebrou as conquistas sociais alcançadas pela presidência da brasileira Dilma Rousseff e expressou seu acompanhamento à reivindicação de países caribenhos duma reparação pelos anos de escravidão sofridos por parte de sua população. Castro teve palavras críticas para a União Europeia, cujas políticas considerou que são responsáveis pelas ondas migratórias que se deram nas últimas semanas a partir do Oriente Médio e África do Norte. “A União Europeia deve assumir de maneira plena e imediata suas responsabilidades com a crise humanitária que ajudou a gerar”, sentenciou.
Continua em espanhol, com traduções pontuais:
Al mismo tiempo, reprochó que se distorsione la promoción y protección de los derechos humanos para validar e imponer decisiones políticas. Y se puso de lado de Rusia, país con el que Estados Unidos mantiene diferencias sobre cómo solucionar la crisis en Siria y por la ocupación de territorio de Ucrania por rebeldes apoyados desde Moscú, según Washington. Reclamó incluso que Puerto Rico, nación asociada a Estados Unidos, “sea libre e independiente luego (depois) de más de una centuria sometido a la dominación colonial”. Castro saludó el acuerdo nuclear de Occidente con Irán, condenó el militarismo, la pobreza y el consumismo y señaló que no todos los países tienen la misma responsabilidad en el cambio climático, tema que ya preocupaba a su hermano Fidel en 2000, según recordó ayer (ontem).
En la primera visita del presidente de Cuba a Estados Unidos en más de 50 años, y al margen de su actividad en la ONU, Castro se reunió en Nueva York con el ex presidente estadounidense Bill Clinton, y el gobernador y el alcalde (prefeito) neoyorquinos, Andrew Cuomo y Bill de Blasio. Asimismo, sostuvo un encuentro con un grupo de empresarios y ejecutivos locales encabezado por el presidente y la vicepresidenta de la Cámara de Comercio de Estados Unidos, Tom Donohue y Jodi Bond.
El mandatario cubano agradeció el respaldo casi unánime recibido de la comunidad internacional respecto al cese del bloqueo económico, comercial y financiero impuesto por Estados Unidos sobre Cuba desde hace más de medio siglo, y anticipó que la isla seguirá presentando el proyecto ante la ONU hasta que la medida quede sin efecto. En este sentido, Castro insistió además en que no habrá relaciones normales con Estados Unidos hasta que termine el bloqueo, se devuelva (se devolva) el territorio ocupado por la Base Naval de Guantánamo, cesen las transmisiones ilegales de radio y televisión desde Miami, los planes desestabilizadores y se compense a la isla por los daños humanos y económicos que aún sufre. De cara a la reunión de hoy con Obama, sólo parece unirlos su posición sobre el embargo.
El jefe de Estado cubano, cuyas palabras provocaron en ocasiones los aplausos del plenario de presidentes, fue beligerante, pero menos que Fidel Castro. En apenas 15 minutos, su discurso estuvo lejos (esteve longe) del tiempo utilizado por su hermano en su primera intervención ante la Asamblea General de la ONU en 1960 – marcó un récord al hablar 269 minutos con un mensaje de barricada contra Estados Unidos –, pero fue igual de crítico con la política imperialista, sin mencionar directamente a Estados Unidos ni al presidente norteamericano Barack Obama.
No obstante, el mandatario cubano aprovechó su primera aparición ante la Asamblea para señalar los contrapuntos que mantiene con Estados Unidos, pese al acercamiento diplomático. Ahora el contexto es otro dado el proceso de deshielo (descongelamento), aunque las diferencias ideológicas continúan. Castro las expuso con claridad en un acto que supone el regreso de la isla al mayor escenario de la política mundial.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

DORIS SOLIZ: “À ESQUERDA INTERESSAM CIDADÃOS CONSCIENTES, NÃO ALIENADOS OU PASSIVOS” (vídeo)




(Foto: Fernando Sandoval/El Telégrafo)
Entrevista / Doris Soliz / Secretária executiva do Movimento Aliança País, principal partido de sustentação do governo do Equador

A secretária do partido acredita que o Encontro Latino-americano Progressista (Elap 2015), que começa hoje, dia 28, conseguiu no ano anterior “acordos políticos” e desta vez reunirá 70 organizações.

Do jornal equatoriano El Telégrafo (empresa pública do governo federal), edição digital de hoje, dia 28 (em espanhol, com traduções pontuais)

“Democracias en revolución” es el eje (é o eixo, o lema) que tendrá la segunda edición del Encuentro Latinoamericano Progresista (Elap) 2015, que reúne en Quito a más de 70 organizaciones de izquierda del mundo. Doris Soliz, secretaria de la organización, habla sobre la cita (o encontro), a la que por primera vez llegará una delegación de China. “Europa está mirando con atención lo que pasa en Latinoamérica, en términos políticos”, sostiene.
¿Qué diferencia tendrá esta Elap con relación a la primera de 2014?

La especificidad de Elap es el debate contemporáneo sobre los desafíos, aprendizajes y retos (e desafios) que tiene la izquierda. El lema de este año es “Democracias en revolución”. Estamos construyendo transformaciones profundas dentro de sistemas democráticos, que no son la vieja democracia, sino una renovación y profundización de la democracia por el carácter participativo, así como la construcción ciudadana y de afirmación desde los actores, movimientos sociales y políticos, que son la columna vertebral de los procesos de cambio (de mudança). Esa es la especificidad de Bolivia, Venezuela, Ecuador, Argentina y Uruguay, con sus particularidades. Elap se da en el marco de la presidencia pro témpore de la Celac que tiene Ecuador y por ello se analizarán temas como justicia social, reducción de la pobreza, construcción de igualdad de oportunidades, socialismo del siglo XXI e integración.

¿Qué papel cumplen las izquierdas en la consolidación de las democracias en revolución?

Las organizaciones políticas son la columna vertebral de estos procesos. Son las que deben liderar el pensamiento programático, por un lado, alimentar permanentemente el desarrollo (o desenvolvimento) del pensamiento, las ideas de izquierda, los principios ideológicos y la renovación permanente de estos. Pero, por otro lado, deben liderar la acción de la militancia, la organización de los cuadros y aportar a los gobiernos. Somos los espacios de pensamiento y acción revolucionaria que alimenta los procesos tanto del gobierno como los parlamentarios.
¿En qué se diferencia la Elap del Foro de Sao Paulo?

Somos parte del Foro, que es la organización de los partidos de izquierda latinoamericanos; mientras (enquanto) que la Elap, si bien no es un espacio orgánico, es un espacio importante de diálogo y debate.
¿Qué dejó la Elap 2014?

La Elap 2014 nos dejó acuerdos políticos que hemos llevado a la práctica. Nos vamos a encontrar con una cita (um encontro) fortalecida. Vienen cerca de 70 partidos, ya no los 35 de la vez anterior. En la Elap del año pasado fue interesante la relación con Europa. Estuvo Podemos, de España; Syriza, de Grecia. Ahora vienen otros partidos. Europa está mirando con atención lo que pasa en Latinoamérica en términos políticos. Creo que se consolida una idea de organizaciones políticas más ciudadanas, como instancias abiertas a las propuestas de la ciudadanía y en ese sentido creo que Elap ha abierto una vertiente de pensamiento y de coordinación de acciones muy rica.
Esta es la primera vez que llega China a la Elap. ¿Qué aprendizaje dejará ese modelo de izquierda?

China juega un papel importante en el escenario internacional. No hay un afán de dominación, sino de complementariedad y cooperación con los Estados y los partidos comunistas y de izquierda. Tenemos una relación de respeto mutuo como Estado y también a nivel político. Este año hubo 10 intercambios fructíferos entre el Partido Comunista Chino y PAIS (Movimento Aliança País), a nivel de gobiernos locales, juventud, organizaciones políticas. China apoya la construcción del mundo multipolar, no dominado por una potencia, sino que atiende derechos y requerimientos del pueblo.
¿Cuál es la fortaleza que tienen estos movimientos y partidos de izquierda para hacer frente a los llamados ‘golpes blandos’?

Es muy importante enfrentar las arremetidas de la restauración conservadora que quiere volver al pasado de manera colectiva. Creo que esa es una gran lección que nos dejó el 30 de septiembre de hace 5 años. Fue un factor decisivo el pronunciamiento inmediato de Unasur para parar en seco los intentos golpistas. Mostramos que hay una Latinoamérica unida, un bloque regional que no permitirá que en Ecuador se rompa la democracia o se ataque a nuestro Presidente si hay un golpe de Estado. Ese tipo de amenazas podremos enfrentarlas con éxito y la unidad de toda Latinoamérica. Lo que pasó en el Ecuador hace 5 años ya se había aplicado con sus particularidades en el intento de golpe de Estado en Venezuela, Bolivia, Paraguay, Honduras; en los desgastes y desestabilización que enfrentaron los gobiernos de Cristina Fernández (Argentina) y Dilma Rousseff (Brasil); es decir, nos permitió comprender que hay un guión común en nuestros países, pero que no ocurre coincidencialmente con ningún gobierno de derecha de la región. Contra los gobiernos progresistas ya no se estilan las dictaduras militares ni los golpes de Estado donde claramente había intervención de la CIA, por ejemplo; pero se buscan formas de desestabilización porque son gobiernos que responden a sus pueblos, que cambian (que mudam) las relaciones de poder, que pusieron la economía al servicio del pueblo.
¿Cómo las izquierdas pueden contrarrestar esa arremetida de la derecha que también está unida?

Es fundamental la batalla de las ideas. Defendemos un modelo distinto de sociedad, Estado y democracia. Sin embargo (Entretanto), creo que la derecha no apuesta tanto a fortalecer formaciones de derecha, sino a través del poder mediático, eso pasa en el Ecuador. No vemos partidos políticos de derecha que sinceren sus programas de acción, las propuestas neoliberales. Creo que un gran problema son los actores mediáticos fungiendo de actores políticos, porque pretenden vender como verdad una opinión y una acción política.
¿Por qué resulta complicado para los partidos de izquierda contrarrestar la fuerza neoliberal?

El neoliberalismo tiene muchos recursos para expresarse. Se han desmantelado varios resortes de poder a partir de las propias constituciones. Recordemos que la Constitución del 98 estaba armada para fortalecer ese concepto de sociedad y Estado, en donde las leyes estuvieron armadas para el salvataje bancario. Ahora es necesario un cambio (uma mudança) cultural para entender la importancia de un Estado sólido, al servicio de los ciudadanos. Ahora vemos seudo (pseudos, supostos) protestas sociales y acciones de la oposición que se disfrazan de protestas y atacan la institucionalidad.
Pero los ciudadanos ahora parecen más activos en política. En este sentido, ¿la unidad de las izquierdas está sustituyendo la débil conexión que tiene la derecha con la ciudadanía?

A la izquierda le interesan ciudadanos conscientes, no alienados o pasivos (desinformados) que no se interesen en la política. La esencia de las izquierdas es politizar, en el mejor sentido, a los ciudadanos para que sean actores de su propio destino y del desarrollo de sus pueblos. Los ecuatorianos ahora creen en la democracia, en el sistema político, en su presidente, en la institucionalidad. La auténtica izquierda, no la izquierda extraviada, no trabaja con fanatismos ni dogmas sino con el fluir de las ideas y trabaja con los sentidos claros.
Sin embargo (No entanto), hay algunos países en donde la derecha ha alcanzado el poder. ¿Cuál es el eje que manejará Elap para consolidar las izquierdas en el poder?

Independientemente de las banderas políticas de los gobiernos, en todos los países de América Latina hay una vigorosa presencia de las fuerzas progresistas que también ejercen el gobierno, incluso a nivel local. El énfasis de la Elap es conectar precisamente las fuerzas progresistas del país para seguir avanzando dentro del marco de democracias.
¿Por qué no participarán grupos que dicen identificarse con la izquierda como Conaie, Pachakutik o (ou) exlíderes del extinto MPD? (forças políticas consideradas de esquerda que fazem oposição ao governo de Correa)

Ellos tienen que saldar cuentas con la izquierda. No se puede ser de izquierda y trabajar con la derecha. En el análisis político, a través de la historia, no es la primera vez que hay este tipo de formaciones. Lenin tiene un texto que se llama El izquierdismo una enfermedad infantil del comunismo, para caracterizar a estas fuerzas que no permiten avanzar, que se afincan en posiciones extremas y que terminan favoreciendo consciente o (ou) inconscientemente a los grupos de poder. Son autoexcluidos. Los que nuestro canciller (Ricardo Patiño) dice “la izquierda extraviada”. Ellos tienen una cuenta pendiente con los pueblos y con la izquierda latinoamericana.

FÓRUM 21 VAI DISCUTIR A CRIAÇÃO DUMA NARRATIVA EM CONTRAPONTO À MÍDIA HEGEMÔNICA

(Foto: Reprodução/Carta Maior)
Joaquim Palhares, diretor do portal Carta Maior ressalta a importância de se criar uma narrativa em contraponto à mídia conservadora: “Todos nós sabemos o mal que a grande imprensa faz ao país. Desinforma, complica, distorce e esconde. Desde que amanhece até a hora de dormir somos bombardeados por esse poder colossal que eles têm nas mãos”.

FÓRUM 21 É CRIADO NO RIO DE JANEIRO E JÁ DEBATE PROPOSTAS

O Rio de Janeiro se junta a São Paulo, Porto Alegre e Brasília, que já têm seus capítulos instalados e em funcionamento.

Por Maurício Thuswohl – no portal Carta Maior, de 27/09/2015 (o principal título acima é deste blog)


Rio de Janeiro – Espaço de debates e formulação de conteúdos que já aglutina diversos setores da esquerda brasileira, o Fórum 21 segue ganhando representatividade e musculatura. Na noite de sexta-feira (25), cerca de 50 pessoas, entre políticos, estudantes, jornalistas, advogados e militantes de movimentos sociais participaram na sede do Sindicato dos Petroleiros da reunião de lançamento do Capítulo Rio de Janeiro do Fórum. Com isso, a cidade se junta a São Paulo, Porto Alegre e Brasília, que já têm seus capítulos instalados e em funcionamento. A expectativa é de que até o final do ano outros capítulos do Fórum 21 sejam criados em Belo Horizonte, Salvador e Curitiba.
 
“A ideia do Fórum 21 nasceu da antevisão do que poderia acontecer após o resultado das últimas eleições e da montagem do segundo governo da presidenta Dilma Rousseff. Seu objetivo é discutir o que temos de fazer para ter uma proposta concreta de um país diferente. Ainda é preciso mudar muita coisa, e a ideia é que o Fórum possa produzir essas propostas. Que cada representante possa levar essa ideia para seu ambiente de trabalho, de militância e de amigos”, diz Joaquim Ernesto Palhares, diretor da Carta Maior e um dos articuladores do movimento.
 
Eleito durante a reunião, o Grupo Executivo do Fórum 21 no Rio será integrado por 14 pessoas. Diversos setores da esquerda estão representados no colegiado, que terá sua primeira reunião em 2 de outubro, também no Sindicato dos Petroleiros. Entidades como CUT, MST e Auditoria Cidadã da Dívida integram o Grupo Executivo, que tem também militantes partidários, representantes de sindicatos e de setores como saúde, Petrobras e mídia alternativa.
 
Antes mesmo da primeira reunião do grupo que será responsável, como nas outras cidades, por articular e multiplicar as discussões do Fórum 21, algumas propostas já foram lançadas: pedir a criação do Orçamento Participativo Nacional, chamar uma frente contra a desnacionalização da economia brasileira, retomar o trabalho de base junto às comunidades, apoiar a reforma política, atuar nas eleições dos Conselhos Populares e Conselhos Tutelares ainda este ano e tentar construir uma pauta nacional de lutas unificada.
 
Outras frentes
 
No Rio, o Fórum 21 reiterou seu apoio à Frente Brasil Popular e a outras frentes progressistas e de esquerda que estão se formando ou venham a se formar no país: “Tivemos desde o começo a intenção de constituir uma usina de ideias para serem disseminadas no campo da esquerda, estimulando todas as iniciativas frentistas pela esquerda. O período que se abrirá após 2016 vai exigir da esquerda um novo conceito de coalizão e um novo conceito de frente. Para isso, temos que disseminar o debate em todos os partidos e em todos os setores dos partidos, para contribuir com sua reflexão. A Frente Brasil Popular é um exemplo muito importante por reunir organizações de massa, mas já há dezenas de outros manifestos frentistas no país”, disse o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também um dos articuladores do movimento.
 
Tarso afirmou que o objetivo do Fórum 21 é criar um processo de capilarização de ideias para constituir uma alternativa pela esquerda no país: “O governo Lula e o primeiro governo Dilma proporcionaram avanços muito importantes no Brasil, reestruturaram a sociedade de classes, bloquearam as privatizações, constituíram programas sociais. Mas, provavelmente esse ciclo tenha se esgotado”, disse. Segundo o ex-governador, uma questão hoje parece unificar o arco da esquerda: “A constatação de que esse sistema de alianças que está aí caminha para o seu final e de que a visão de coalizão governamental também vai mudar”.
 
Seminários
 
O capítulo Rio de Janeiro do Fórum 21 pretende realizar três grandes seminários até dezembro. Os temas dos seminários ainda serão definidos pelo Grupo Executivo, mas, segundo indicaram alguns de seus integrantes, os principais focos de discussão devem ser a regulação da mídia e a democratização dos meios de comunicação, a defesa da Petrobras e da soberania no pré-sal e a luta contra a agenda conservadora que a direita tenta impor a partir do Congresso Nacional. O capítulo São Paulo do Fórum já produziu quatro seminários, o capítulo Porto Alegre produzirá seu sétimo seminário no dia 6 de outubro, e o capítulo Brasília, também criado este mês, teve a primeira reunião de seu Grupo Executivo realizada na quinta-feira (24).
 
O senador Lindberg Farias (PT-RJ), que, na tribuna do Senado, foi o primeiro parlamentar a saudar publicamente a criação do Fórum 21, falou sobre a importância de defender as conquistas do país contra a “violentíssima agenda regressiva” que a direita tenta impor: “Na próxima semana estão querendo votar na Câmara dos Deputados o fim do regime de partilha do pré-sal com a Petrobras. Outro projeto já na pauta quer colocar um limite, para a dívida líquida e para a dívida bruta, de uma vez e meia o PIB em relação à receita. Se isso for aprovado no Senado, teremos que ter superávits fiscais superiores a 3% do PIB, o que significa aprofundar cortes violentamente”.
 
Na avaliação de Lindberg, há dois golpes em marcha no Congresso Nacional: “Um é a tentativa de impeachment, e o outro é impor a agenda de retrocesso. Há uma aliança do PSDB com o PMDB neste sentido, essa pauta vem com uma força muito grande. Então, nós parlamentares de esquerda estamos precisando muito de ajuda, de formulação. Sei que temos de pensar o futuro, mas eu estou apavorado com o presente”, disse.
 
Mídia
 
A questão da mídia também promete esquentar os debates do Fórum 21 no Rio: “Que o Fórum realize o mais rápido possível o seminário sobre a questão da comunicação. Diversas entidades podem participar e colaborar, queremos um processo concreto”, disse o jornalista Mário Augusto Jakobskind. Já Bernardo Cotrim, secretário de Formação do PT no Rio, sugeriu que o Fórum 21 se junte ao Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) “para fazer essa luta que é muito importante para o Brasil”.
 
Para Joaquim Palhares, a base da discussão do Fórum 21 sobre comunicação serão as 700 propostas da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no final do governo Lula: “Mas, precisamos conseguir reduzir para um número que a população entenda. É do debate entre jornalistas, professores de comunicação que sairão as propostas”, disse. Ele ressaltou a importância de se criar uma narrativa em contraponto à mídia conservadora: “Todos nós sabemos o mal que a grande imprensa faz ao país. Desinforma, complica, distorce e esconde. Desde que amanhece até a hora de dormir somos bombardeados por esse poder colossal que eles têm nas mãos”.
 
Palhares lembrou que a mídia alternativa está engajada no processo de criação do Fórum 21 e que já fazem parte do Grupo Executivo de São Paulo veículos como Caros Amigos, Rede Brasil Atual e o Blog do Rodrigo Vianna, além da Carta Maior: “Creio que a expansão disso será natural”, disse.
 
Ao final da reunião, a economista Ceci Juruá, que também integra do Grupo Executivo no Rio, resumiu a importância histórica da articulação que se inicia: “Um dos objetivos desse fórum é repetir o trabalho de formiguinha iniciado na resistência à ditadura, que é procurar o consenso entre os diversos setores progressistas, os diversos setores da esquerda. É preciso saber escutar as diferentes posições e as diferentes entidades”, disse.

BRASIL: COMO SUPERAR A CRISE COM A ECONOMIA NAS MÃOS DUM EMPREGADO DO BRADESCO?

"A recessão está relacionada com uma política que supôs coisas que não existiram", diz Theotonio (Foto: Bernardino Ávila/Página/12)
Theotonio dos Santos, economista: “A explicação das medidas que o Brasil adota não se associa à teoria econômica e sim a ministros que respondem aos negócios do sistema financeiro. É uma crise gerada pelos próprios governantes e os interesses do poder econômico”.
Trecho de matéria traduzido do jornal argentino Página/12 (por Federico Kucher), edição impressa de hoje, dia 28 (o título e o destaque acima são deste blog)
–Como se explica a recessão no Brasil?
–Diante dum cenário de menor folga externa houve uma reação precipitada da política econômica. A resposta de subir a taxa de juros provocou uma situação grave. Levou a economia a um cenário de recessão e afetou muito fortemente o prestígio da presidenta Dilma Rousseff, que havia alcançado níveis de aprovação de mais de 70%. Estas decisões foram influenciadas em parte por erros grosseiros de previsão. No caso, se supôs que os Estados Unidos iam aumentar sua taxa de juros de referência (gerando maiores pressões pela saída de capitais). Mas isto se trata dum mito. Faz quatro anos que dizem que a vão subir, porém nunca o fizeram. Então se converte numa ficção que se criou para fomentar um clima de medo nos países emergentes. A própria imprensa brasileira promoveu a ideia duma grande recuperação dos Estados Unidos, que com sorte alcançará um crescimento de 2%. E, por outro lado, fez alarme sobre a queda da expansão da China, que passou de 8% para 7%. A verdade é que crescer 7% é muito. Apresentar isso como um problema grave parece ridículo. O que na realidade é grave é que se usaram estes argumentos para tomar a decisão de subir a taxa de juros brasileira. A recessão, portanto, está relacionada com uma política que supôs coisas que não existiram. As ameaças armaram o cenário para recorrer a medidas de austeridade que causaram inflação, queda da atividade e tensões para o PT.
–Qual foi o papel dos ministros nas medidas de ajuste?
–Dilma, numa situação de debilidade em matéria de apoios políticos, colocou à frente do Ministério da Economia um empregado do sistema financeiro, que defende os interesses desse setor (NT: refere-se obviamente a Joaquim Levy). O governo fez isto como se fosse o correto. Assim, a explicação das medidas que o Brasil adota não se associa à teoria econômica e sim a ministros que respondem aos negócios do sistema financeiro. É uma crise gerada pelos próprios governantes e os interesses do poder econômico. Conseguiram fazer acreditar que no Brasil existia uma dificuldade de excesso de demanda, que não se podia continuar aumentando o consumo dos setores populares e que teria que subir a taxa de juros. Mas como um país onde ainda existem milhões vivendo na pobreza vai ter excesso de demanda?
Tradução: Jadson Oliveira
Link para ler toda a matéria, em espanhol, no Página/12:

domingo, 27 de setembro de 2015

O EFEITO FRANCISCO (DE DIREITA? DE ESQUERDA? LIBERAL? MARXISTA?) – POR WASHINGTON URANGA

(Foto: Página/12)
O cuidado das pessoas e seus direitos é o ponto que conecta todas as preocupações. E seu slogan político são os três T: teto, terra e trabalho.


Por Washington Uranga (jornalista uruguaio vivendo na Argentina) – no jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 27

O papa Francisco está culminando hoje (dia 27) sua visita aos Estados Unidos participando de um ato no marco do Encontro Mundial das Famílias. Será um encontro eminentemente religioso depois de dias muito intensos que tiveram, tanto em Cuba como em território norte-americano, uma forte marca política. O fato de que Jorge Bergoglio tenha escolhido encerrar seu périplo com uma celebração de tom religioso, que ademais será a mais massiva de todas, também se deve ler como parte da estratégia do Pontífice. Na Filadélfia se dará o maior “banho de massas” (esperam-se mais de dois milhões de pessoas) e se referirá a questões claramente “pastorais”. Um duplo limite para aqueles que criticam seu perfil “político”, mas ao mesmo tempo uma nova manifestação de respaldo popular que o reafirma no seu papel de liderança. Um coroamento para um périplo exitoso que começou em Cuba e que culmina nos Estados Unidos depois de ter passado em Nova Iorque pela Assembleia das Nações Unidas.
Difícil de decifrar
Para muitos analistas, este Papa está se convertendo numa figura indecifrável em termos políticos e ideológicos clássicos. De direita? De esquerda? Liberal? Marxista? Dependendo do lugar em que se situe quem está fazendo a análise, cada um, mais de um e todos estes qualificativos valem para Francisco. E mais. Se alguém se põe a analisar sua história pessoal e seus pronunciamentos na Argentina sobre muitos dos mesmos temas que agora aborda (desde a diversidade sexual até seu posicionamento político), seguramente poderá ver contradições. Salvo num ponto: a defesa dos pobres que tem sido uma constante sempre, antes e agora. Os admiradores e defensores de Bergoglio sustentam que não há nem em suas manifestações nem em suas práticas nenhum tipo de diferenças ou contradições. Francisco, para eles, é um autêntico Bergoglio. Existem outros olhares.
O jornalista norte-americano Rush Limbaugh, habitual porta-voz da direita daquele país, sustentou sem pelos na língua que a exortação apostólica Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho), documento papal difundido em 2013, é “puro marxismo”. O texto, muito mais “religioso” que a recente encíclica Laudato si (Louvado seja) sobre a questão ambiental, incluia no entanto uma dura crítica ao capitalismo selvagem. Stephen Moore, economista de The Heritage Foundation, disse em Washington que o Papa “se mostrrou muito cético com o capitalismo e o livre mercado e creio que isso é preocupante” e concordou que Francisco tem “claramente tendências marxistas”. George F. Will escreveu em The Washington Post que “com o zelo indiscriminado de um converso, (o Papa) abraça ideias impecavelmente da moda, demonstravelmente falsas e profundamente reacionárias”. E arrematou dizendo que suas propostas “arruinariam os pobres em cujo nome pretende falar”.
A esquerda
Parte da esquerda, sobretudo a de tradição marxista mais ortodoxa, continua suspeitando de Francisco. Não se decide a acreditar decididamente na sinceridade de suas propostas ainda que os temas da agenda e também muitas das posições coincidam com seus próprios postulados. Existe quase uma questão visceral de rechaço à Igreja Católica e à sua institucionalidade. E mais além do que diga, Bergoglio é o Papa do catolicismo, o qual se considera retrógrado, reacionário e aliado ao poder antipopular. Para os que assim o veem não bastam os “banhos de massas” nem o respaldo popular que provavelmente são vistos como uma expressão mais de “alienação” religiosa.
As manifestações de entusiasmo frente às posições do Papa expressadas pelo presidente Barack Obama e outros dirigentes norte-americanos operam a favor e contra, segundo os casos. John Kerry, o secretário de Estado norte-americano, diz estar “profundamente satisfeito porque as prioridades de política exterior dos Estados Unidos e os bons ofícios da Santa Sé coincidem em muitos temas”. E não se cansa de agradecer a Bergoglio, como também o faz Raúl Castro, a colaboração para a aproximação entre Cuba e Estados Unidos. Bergoglio reedita com Obama e a partir de outro lugar ideológico, o diálogo e as coincidências que nos anos oitenta uniram João Paulo II e Ronald Reagan, então para lutar contra o comunismo.
Frei Betto, um sacerdote (NT: na verdade, um teólogo, ex-sacerdote) católico brasileiro identificado com a teologia da libertação e um grande aliado de Cuba e de Fidel Castro, sustenta ao contrário que “toda a esquerda latino-americana que conheço está muito feliz com o papa Francisco”, porque “é o primeiro Papa que tem claramente uma opção pelos pobres e que denuncia as causas das injustiças, não somente os efeitos”.
Como situá-lo?
Mas voltando ao tema anterior. Se pode situar com sensatez o papa Francisco em algum “rótulo” político ideológico? Fortunato Mallimaci, reconhecido e prestigioso sociólogo da religião argentino, disse em declarações à agência Paco Urondo, que “um jornalista do New York Times me perguntou se o Papa era liberal, conservador ou de esquerda. Nada disso. É católico, porque é a catolicidade como outra maneira de enfrentar essa concepção liberal e a marxista. Acabado hoje esse marxismo a Igreja retoma seu discurso antiliberal, anticapitalista para catolizar”, agregou. E garantiu que “o catolicismo não pensa a política separada da religião”. Para Eduardo Valdes, embaixador argentino perante a Santa Sé, “o Papa não é marxista, nem populista, nem peronista. É um cristão no sentido mais profundo e quer levar adiante a palavra de Cristo e a conduta de São Francisco de Assis”.
A realidade é que o papa Jorge Bergoglio se transformou numa figura política de relevância internacional que participa ativamente da agenda política, introduz temas na mesma, e fixa posições a partir duma perspectiva católica, cristã, mas também humanista e interreligiosa. Para fazê-lo põe a ênfase na defesa do homem e da vida, e muito especialmente no cuidado dos pobres, dos excluídos, dos refugiados (“desplazados” – deslocados) de qualquer tipo. O cuidado das pessoas e seus direitos, é o ponto que conecta todas as preocupações. E seu slogan político são os três T: teto, terra e trabalho.
Pode ser prematuro falar de Francisco como líder mundial. Porém ninguém pode negar já sua incidência. Por méritos próprios para ler a conjuntura internacional e, a partir daí, interpretar qual pode ser o aporte da Igreja e o seu aporte pessoal. Mas ademais pela importância que a religião (as grandes religiões) jogam no concerto mundial ante o resquício que deixam as crises políticas e ideológicas.
Na Igreja
Dentro da Igreja Católica também há tremores de mudança. Muitos conservadores estão “decepcionados”. Provavelmente porque à luz de alguns antecedentes (dos papas anteriores e os de Bergoglio bispo) esperavam outro discurso e maior proximidade ao poder hegemônico. Não concebem uma Igreja que enfrenta o poder. Não dizem mas temem também o que chamam “relativismo doutrinal”, aludindo às aberturas de Francisco diante de temas que haviam sido tabú para a Igreja (aborto, diversidade sexual, matrimônio), ainda que o Papa até agora não tenha se movido um milímetro da ortodoxia doutrinal. O que mudou é a atitude pastoral pondo a ênfase na aproximação às pessoas concretas, a seus problemas e angústias.
No aparato da Igreja há os que se preocupam porque veem chegar ares novos que talvez os façam perder poder. Alguns, inclusive muitos bispos, preferem não se dar por inteirados de que algo está mudando ou que já mudou. Outros, ao contrário, assinalam que “até o momento Bergoglio não fez nada”, argumentando que fará verdadeiras mudanças quando se modifique a forma de governo e a estrutura de poder ainda vigente e se avance para uma condução colegiada. Para isso se necessitam iniciativas muito fortes de Francisco que, se bem deu indícios de caminhar nesse rumo, ainda estão longe de se concretizar. Os “progressistas”, para qualificá-los de alguma maneira, estão satisfeitos com a agenda de Francisco e seus pronunciamentos. Confiam em que se está produzindo uma mudança que, admiten, era inesperada para eles no momento em que Bergoglio iniciou seu pontificado. Basta escutar as lisonjas a Francisco de teólogos como Leonardo Boff ou Gustavo Gutiérrez.
Se sabe que os conteúdos não são separáveis das formas. Menos neste tempo em que a cultura da comunicação traduz tudo em símbolos, em gestos, em imagens. E Francisco apoia seu discurso numa gestualidade de proximidade, jovialidade, simplicidade e austeridade que repercute muito positivamente nas audiências em geral, católicas ou não. A tal ponto é assim que L’Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, começou a publicar, pela primeira vez na história da Igreja, caricaturas do Papa. Como o fato de que o Bergoglio escolheu viver numa residência austera este também é um símbolo duma nova época.

Tradução: Jadson Oliveira