sábado, 31 de outubro de 2015

LEONARDO BOFF: NEM TUDO VALE NESSE MUNDO. UM TESTEMUNHO VERAZ POR GILBERTO CARVALHO

(Foto: Internet)

Gilberto Carvalho entrou para  política por um imperativo ético de poder realizar os sonhos de justiça e libertação dos oprimidos. Viveu sempre uma vida pobre e vive hoje modestamente, saindo apenas há pouco tempo do aluguel. 


Por Leonardo Boff, no seu blog, de 31/10/2015

Nem tudo vale nesse mundo. E Jesus morreu também para mostrar que nem tudo vale. Não vale a mentira, não vale a calúnia, não vale a má intenção que fabrica ilações sem fundamento. 
Hoje parece moeda corrente simplesmente dizer que tudo o que vem do PT ou possui referência a ele, é sinônimo de corrupção, roubalheira e populismo.Pelo fato de um punhado de membros do PT, violando suas bandeiras mais autênticas, se corromperam e prejudicaram o bem público, se toma esta parte podre pelo todo. É injúria e injustiça daí generalizar que todos os membros desse partido são ladrões e bandidos. 
Se um filho de seis  da família imaginária Barreto, honesta e trabalhadora e tida assim pelos vizinhos, tiver feito algum delito, não é legítimo e é ofensivo dizer que toda  a família Barreto e todos os demais filhos são ladrões. Na rua e nos supermercados lhe gritam - olhem o ladrão, olhem o corrupto. 
Pois assim algo parecido está ocorrendo com Gilberto Carvalho, ex-secretário da Presidência em dois governos do PT. Acresce ainda que o tal filho nunca roubou coisa nenhuma, foi apenas falsamente acusado. E essa falsidade  se projeta ilegitimamente sobre toda  a família. 
Conheço Gilberto Carvalho do tempo dos estudos de teologia, da pastoral operária, na inserção nos meios mais lascados, indo  morar numa perigosa favela de Curitiba como forma de solidariedade e se acercar aos mais excluídos da sociedade. Entrou para  política por um imperativo ético de poder realizar os sonhos de justiça e libertação dos oprimidos. Viveu sempre uma vida pobre e vive hoje modestamente, saindo apenas há pouco tempo do aluguel. 
Ele se transformou num amigo-irmão pelo sonho, pela mesma espiritualidade e busca da intimidade com Deus no meio da vida complexa e conflitiva que é o campo da política partidária. 
Se não saio em defesa do amigo, que tipo de amigo sou? Testemunho com total sinceridade a inteireza de Gilberto e a forma severa e ética pela qual educou e acompanha os filhos e as filhas. Por isso me solidarizo com ele em sua dor pela calúnia que lhe foi imposta a ele e sua família. A nossa certeza é que nada resiste à verdade. Ela com sua luz desmascara a falsa imputação. 
E Gilberto para quem a fé e a piedade possuem um lugar central em sua vida, sabe suportar, mesmo com dor, e no espírito das bem-aventuranças evangélias, as mentiras e falsificações forjadas como tropeço em seu caminho. E sairá engrandecido ele, e sua família. Assim o queira Deus e as pessoas que o cercam com amizade e carinho. 
Por isso transcrevo sua nota de auto-defesa- Lboff

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GILBERTO CARVALHO: QUEM VAI LAVAR A HONRA DOS MEUS FILHOS?’

NOTA
“Reajo hoje com a indignação de quem serve ao país há 19 anos com a honestidade que recebi dos meus pais e com o desejo central de mudar a vida dos pobres deste país. Reajo com a dor de um pai que vê seus filhos expostos à execração pública sem que nenhum fato, nenhuma acusação formal tenha sido contra eles apresentada.
Não tenho medo de ser investigado e considero dever da Polícia Federal, da Receita Federal e de qualquer órgão de controle realizar a investigação que julgar necessária. Faz parte do ônus e dos deveres inerentes da vida pública. O que não vale e não pode é de maneira fantasiosa e leviana fazer interpretações ridículas de material apreendido com pessoas suspeitas e transformá-las em acusação, sem prova alguma, contra pessoas honradas e dar publicidade a tais interpretações como se verdades fossem. 
Quem vai lavar a honra de meus filhos enxovalhada por tal irresponsabilidade? Basta ter acesso ao relatório da Receita Federal e da Polícia Federal colocados ontem a público para constatar o que afirmo.

Meu patrimônio pessoal se restringe à posse de uma chácara de 3 hectares na região do Entorno (Goiás), a um apartamento financiado por 19 anos no Banco do Brasil e um veículo que tem o valor de R$45.000,00. Minha filha era proprietária de uma empresa que infelizmente quebrou e tem uma dívida a pagar com bancos de pouco mais de um milhão de reais. Meus dois filhos são funcionários públicos com rendimentos em torno de R$5.000,00. Não tenho nada a esconder. E me orgulho de não ter acumulado bens.

Desafio que provem o contrário: recebi o Sr. Mauro Marcondes, na condição de vice-presidente da Anfavea, que estava em busca de audiência com o Presidente Lula. As mensagens eletrônicas trocadas foram sempre por meio do e-mail oficial. Nunca o encontrei fora do meu gabinete. Nunca tratei com ele do mérito da MP 471, ou da MP 512, aprovadas por unanimidade no congresso com elogios de vários próceres da oposição, porque beneficiavam o desenvolvimento do setor automotivo no País e particularmente no Nordeste e Centro Oeste. 
Jamais o Gabinete do Presidente Lula teve em qualquer momento participação em negociatas desta natureza. E não há nenhuma acusação sustentável a respeito disso. 
Estou tomando as providências jurídicas cabíveis para não apenas fazer a defesa de minha família como para responsabilizar a todos que de maneira leviana e irresponsável atacam a honra de quem sempre lutou pela justiça.”
Gilberto Carvalho

DR. ROSINHA: OS GARÍFUNAS (INDÍGENAS DE HONDURAS) CLAMAM POR JUSTIÇA, VERDADE E MEMÓRIA

(Fotos: reproduzidas de Viomundo)

Estado hondurenho não reconhece os garífunas como indígenas

Clamor garífuna
Por Dr. Rosinha, especial para o Viomundo - publicado em 31 de outubro de 2015 
“En ese tiempo solo llanto se escuchaba en la comunidad de San Juan. Los pájaros se ocultaban, las hojas de los esbeltos cocoteros se entristecieron y las olas del mar resistían a ser escuchadas, como si la naturaleza misma se negara a reaccionar ante el mandato del Divino Creador” 
“La Bahía del Puerto del Sol y la masacre de los Garífunas de San Juan” (página 59)
Na minha ignorância, nunca tinha ouvido falar do professor e escritor Victor Virgilio López Garcia, autor de doze livros, entre os quais o que retiro a frase acima. Tampouco tinha ouvido falar do seu povo, os garífunas.
Professor Virgilio, como é conhecido, é hondurenho. Conheci-o em uma recente viagem, a trabalho, a Honduras. Ele vive numa comunidade chamada Tornabe, costa do Atlântico de Honduras.
​Em Honduras, fiquei hospedado em um resort, desses que são verdadeiras ilhas de ostentação, com seguranças por todos os lados. Eu estava, portanto, ‘proibido’, por questão de segurança, segundo eles, de sair da ‘ilha’. Apesar dos avisos, não resisti e fui além da fronteira segura da ilha/hotel.
Caminhei pela praia e cheguei a uma comunidade pobre.
Ne​la, a primeira coisa que encontro é um barco debaixo de uma cobertura de palha de coqueiro e algumas redes coloridas penduradas. Recuado da praia, um cemitério. Cemitério de enterrar gente pobre.
Em seguida, ​vi na beira da praia algumas choças, sem paredes, também cobertas de palhas de coqueiros. Semelhantes às do nordeste brasileiro. Debaixo delas, algumas mesas rústicas e bancos. Imagino que devem servir de bares aos fins de semana.
Um rapaz caminha entre as cho​ças. Parece procurar alguma coisa. Imagino que, por ser segunda-feira, procura alguma coisa que porventura os visitantes de ontem (domingo) tenham perdido.
Dois homens, negros, pescam de linha. Paro para conversar. Pergunto o nome do local. “Tornabe”, responde​ um deles​. E em seguida me diz: “nós que aqui moramos somos garífunas, temos uma língua própria”.
Curioso, começo a perguntar de onde vieram, se tem cantos e danças próprias. Respondem que foram trazidos da África para serem escravos em San Vicente e que dali fugiram para Honduras, Belize e Guatemala, e que vivem no litoral.
​ A conversa foi curta, mas o suficiente para despertar minha curiosidade.​
No hotel, contei a um funcionário que havia estado em Tornabe e que gostaria de ter mais informações sobre os ​g​arífunas. Este funcionário, um descendente dos garífunas, informou-me que​, à noite, no hotel, haveria uma apresentação de dança e canto da cultura garífuna​​. Disse também que​ em Tornabe vive um homem, professor Virgílio, que é um dos maiores conhecedores da história e da cultura​ daquele povo.
Na noite seguinte fomos (eu e Luis) a Tornabe procurar o professor Virgilio.
​Chegamos e avistamos uma casa com várias pessoas sentadas pelo lado de fora, costume também das nossas cidades do interior, tomando a fresca (que aqui em Honduras é quente) do cair da noite.
Descemos do carro, e o Luis perguntou a todos da roda se sabiam como poderíamos encontrar o professor Virgílio. Uma moça perguntou: “por parte de quem?” Após a nossa autoapresentação, ela se vira, estende o braço e diz: “ele é o professor Virgílio”.
Cumprimentamos a todos e a todas, e, com dificuldade, vimos o Professor levantar-se e, como toda gente humilde e sincera, imediatamente ele nos convidou a entrar. Fomos conduzidos a um escritório/museu, tudo muito simples e, chamou a minha atenção, sem computador.​
O professor Virgilio é um homem magro, deve pesar cerca de 60 quilos. Estatura de pouco menos que 1,70 metro​. Na boca, arcada dentária completa.​
​Em um dado momento da conversa, como que dando a resposta a minha observação, apresenta  uma foto, pendurada na parede, e diz: “aquela era minha avó, morreu com mais de 80 anos e não faltava nenhum dente”. ​
​Vítima de quatro acidentes vasculares cerebral (AVCs), o professor Virgílio anda com alguma dificuldade e apoiado numa bengala.
Conversamos por mais de uma hora. Contou-nos que foi professor primário e agora está aposentado. Diz que começou a se interessar pelo seu povo ainda jovem, e que quando estudava gostava de escrever e ouvir as histórias dos mais velhos.
Relatou-nos que, aos domingos, tinha um programa de rádio chamado “Clamor Garífuna”, e que, para colocar o programa no ar, fazia algumas pesquisas sobre história, cultura e costumes do povo​.​
A partir deste programa e destas pesquisas, recebeu o estímulo para escrever o primeiro livro, que na língua garífuna se chamou “Lamunhuga Garifuna”,  que significa “clamor garífuna”.
​Conversamos por mais de uma hora e deste encontro só lamento uma coisa: não tê-lo gravado.​
​Na volta de Honduras, li o livro “La Bahía del Puerto del Sol y la masacre de los Garífunas de San Juan”, que conta o massacre do povo garífuna executado a mando do ditador Tiburcio Carías Andino, em 1937.
O ditador ficou no poder por 16 anos. Além de massacrar o povo trabalhador hondurenho, foi um serviçal da United Fruit Company.
A frase que coloco como epígrafe deste artigo descreve poeticamente os sentimentos do autor em relação ao massacre de seu povo, que até hoje clama por justiça. Até hoje, clama pela verdade e pela memória.
Dr. Rosinha, médico pediatra e servidor público, ex-deputado federal (PT-PR).

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

ARGENTINA: MASSA APOSTA NA UNIFICAÇÃO DO PERONISMO E SE APROXIMA DA CANDIDATURA DE MACRI

Sergio Massa foi candidato à presidência da Argentina pela Frente Renovadora (Foto: AFP/El Telégrafo)
“Temos que construir uma mudança inteligente”, disse Massa.

Ainda que não tenha falado claramente, o terceiro nas eleições argentinas do último domingo se expressou contra o continuísmo. Quer que Daniel Scioli perda no segundo turno em 22 de novembro.
Por Marcelo Izquierdo, correspondente em Buenos Aires – do jornal equatoriano El Telégrafo (empresa pública do governo federal), edição online de hoje, dia 30 (em espanhol)

El candidato presidencial del Frente para la Victoria, Daniel Scioli, enfrenta un escenario complicado. El Frente Renovador, que postuló en las elecciones a Sergio Massa, envió un claro mensaje: está más cerca de Mauricio Macri, aunque no llamará a votar por el representante de la derechista alianza Cambiemos.
“Yo no quiero que siga el kirchnerismo”, sintetizó Massa el miércoles por la noche en un programa de televisión del Canal Todo Noticias (TN), del Grupo Clarín.
Massa tiene hoy un poder enorme. No llegó al balotaje, pero salió tercero con el 21,34% de los votos. Sus más de 5,2 millones de sufragios obtenidos por su alianza Unidos para una Nueva Argentina (UNA) pueden definir al ganador de la segunda vuelta electoral en Argentina.
La estrategia del Peronismo Renovador es simple: quiere que pierda Scioli y, desde el peronismo, que Massa asuma la conducción nacional del movimiento fundado por Juan Domingo Perón para unir al partido detrás de su figura y dejando atrás al kirchnerismo.
El plenario del ‘massismo’ celebrado el miércoles en el hotel Hilton del glamoroso barrio de Puerto Madero, frente al Río de la Plata, se cuidó  de respaldar a Macri en el balotaje teniendo en cuenta que muchos de sus votantes son peronistas y, como dice el refrán creado por Perón: “Para un peronista no hay nada mejor que otro peronista”.
Por ello, el plenario se cuidó de dar apoyos específicos, pero el mensaje fue muy claro a favor del “cambio” y en contra de la “continuidad”. El ‘massismo’ delineó una serie de propuestas que -a su juicio- debería adoptar el futuro gobierno y que son las que presentó durante su campaña electoral cuando se concentró en la lucha contra la corrupción y el narcotráfico y políticas favorables a los jubilados, entre otras.
“Que cumplan con estos compromisos. Les queremos pedir a quienes participan en el balotaje que no nos hablen como dirigentes. Esto se hace cumpliendo con compromisos completos”, afirmó Massa.
Y agregó: “Entre el cambio y la continuidad, ganó el cambio, y no hay dudas de que esto quedó reflejado el 25 de octubre. Pero tenemos que construir un cambio inteligente para que no implique retrocesos ni desbalances. Sabemos que cada argentino es dueño de su voto”.
Massa quiere moverse con mucho cuidado. Es claro que no apoyará a Scioli, pero quiere evitar que entre sus votantes asuman la idea de que el peronismo renovador llama a votar a la derecha. “No voy a dar un cheque en blanco para que haya ajuste”, afirmó.

Puertas adentro, los ‘massistas’ apuestan a un acuerdo tácito con Cambiemos para darle gobernabilidad a la derecha, teniendo en cuenta que el kirchnerismo tiene la mayoría del Senado y es la primera minoría en diputados; y acompañar desde allí proyectos conjuntos consensuados.

GOVERNOS DA VENEZUELA E CUBA APRESENTAM ESTRATÉGIA DE COOPERAÇÃO PARA 2015-2030

(Foto: Nodal)
A estratégia segue os passos do convênio firmado há 15 anos (em 30/10/2000) por Hugo Chávez e Fidel Castro, reafirmando o interesse comum em promover e fomentar a colaboração e o progresso de ambos os países em função da integração da América Latina e Caribe.
Atualmente milhares de colaboradores cubanos prestam serviços nos 24 estados da Venezuela, atuando em mais de 20 programas sociais.
Do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 30/10/2015 (em espanhol)
Los gobiernos de Venezuela y Cuba presentarán hoy aquí un plan especial de cooperación 2015-2030, que tiene como eje el convenio suscrito hace 15 años.
En la ceremonia en el teatro caraqueño Teresa Carreño, el presidente Nicolás Maduro adelantará nuevos proyectos en las esferas de salud, educación, así como en ciencia y tecnología, entre otras, según se conoció.
La víspera, en el acto por al Día Nacional de la Alfabetización, el jefe de Estado recordó que en el año 2000 dos gigantes, el presidente Hugo Chávez (fallecido en 2013) y el líder de la Revolución cubana, Fidel Castro, suscribieron un 30 de octubre aquel convenio integral que ahora se actualiza con la nueva estrategia.
El mandatario explicó que el plan estará sincronizado con los 17 Objetivos de Desarrollo Sustentable (ODS) previstos por el Sistema de Naciones Unidas (ONU) hasta el 2030.
Tales metas, dijo, son mandatos de la humanidad para cada uno de nuestros países y que coinciden con los objetivos de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA).
“Este Plan 2015-2030 lo vamos a garantizar con el apoyo amoroso de las grandes mayorías del pueblo de Venezuela comprometidas con el desarrollo, la paz, la tranquilidad, y que quieren felicidad, que quieren patria”, precisó.
El Convenio Integral suscrito hace 15 años por Chávez y Fidel Castro reafirmó el interés común por promover y fomentar la colaboración y el progreso de ambos países en función de la integración de América Latina y el Caribe.
Como resultados de aquel acuerdo, pacientes venezolanos con diversas patologías fueron atendidos en La Habana, médicos cubanos se integraron a la atención de salud en comunidades humildes de Venezuela y avanzaron programas para enseñar a leer y a escribir con el novedoso método Yo, sí puedo.
Entre los sectores más favorecidos con estos proyectos sobresalen salud, educación, cultura, deportes, agricultura, ahorro energético, minería y la informática, entre otros.
En la actualidad miles de colaboradores cubanos prestan servicios en los 24 estados de Venezuela, en más de 20 programas sociales.

(Da agência de notícias Prensa Latina)

TENDÊNCIAS PETISTAS: AJUSTE RECESSIVO É CONTRADITÓRIO COM O PROGRAMA QUE ELEGEU DILMA EM 2014

A presidenta Dilma contará com o forte apoio da nossa direção e militância no cumprimento do mandato e do programa que as urnas lhe concederam em outubro de 2014, bem como na defesa da democracia e de uma nova política econômica.
Do Página 13 – sítio web da tendência petista Articulação de Esquerda, de 29/10/2015 (o título acima é deste blog)  
Tendências petistas apresentam projeto de resolução ao Diretório Nacional do PT

O Diretório Nacional do PT está reunido hoje (29), em Brasília e deverá aprovar resolução política. As tendências Articulação de Esquerda, Avante Socialismo 21, Esquerda Popular Socialista, Mensagem ao Partido e Militância Socialista apresentaram o projeto de resolução abaixo para ser votado e aprovado pela direção partidária. Confira:


O CAMINHO DO PT É A DEFESA DA DEMOCRACIA E DO PROGRAMA ELEITO EM 2014

Vivemos um momento decisivo na história do Brasil que exige uma firme posição do Partido dos Trabalhadores em defesa da democracia, do mandato popular da presidenta Dilma e por uma nova política econômica.
A presidenta Dilma foi eleita pelo povo brasileiro para cumprir um programa a favor do desenvolvimento, da democracia, da soberania nacional, da distribuição de renda e das reformas estruturais populares.
A opção do governo por um ajuste recessivo é contraditória com este programa que o povo escolheu em outubro de 2014, cuja implementação é o melhor caminho para defender as liberdades democráticas e enfrentar o golpismo. Para defender a democracia é preciso outra política econômica.
Como vemos nas investidas da oposição de direita no Congresso Nacional pelo impeachment, na chantagem dos meios de comunicação e do grande capital, há na direita os que defendem publicamente soluções golpistas, falam em volta dos militares e atentam contra sedes e dirigentes da esquerda. As tentativas de golpe parlamentar ou judicial em marcha exigem a mobilização do PT e das forças democráticas. Essa ofensiva golpista terá o repúdio da democracia brasileira.
Há também os que diuturnamente investem, através de mobilizações de rua e do inconstitucional oligopólio da mídia vitaminado por verbas públicas, na desmoralização das esquerdas e do governo junto a amplas camadas do povo.
Há, finalmente, os que utilizam sua presença nos diferentes níveis do aparato de Estado (judiciário, ministério público, polícias, legislativo e executivo) para sabotar ou até mesmo tentar impedir nosso governo, desmoralizar e inviabilizar política e legalmente a esquerda.
Denunciamos esta campanha de perseguição política contra a esquerda, o PT e lideranças populares. Essa campanha visa eliminar da cena política brasileira e latino-americana as vozes que defendem a igualdade, a liberdade e a superação do neoliberalismo. É por isso que agora Lula é vítima de perseguição da direita. Neste 27 de outubro, Lula completou 70 anos de uma trajetória vitoriosa de vida. O condomínio policial-jurídico-midiático lhe presenteou outra dose amarga do ódio que nutre não só em relação a ele, mas também em relação à maioria do povo brasileiro. Por outro lado, este mesmo condomínio da oposição de direita faz esforços de abafar resultados das investigações da Operação Zelotes, que investiga um esquema de megaempresas que lesaram, segundo estimativos iniciais, o erário em mais de 19 bilhões de reais, igual à metade do déficit do orçamento de 2016.
O Partido dos Trabalhadores cerra fileiras em defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff e do programa eleito em outubro de 2014. Ao mesmo tempo, proclama com clareza: basta de golpismo, basta de concessões neoliberais!
Para defender nosso governo das variadas formas de golpismo, para proteger as liberdades democráticas, para preservar a esquerda e os movimentos sociais, uma condição incontornável é reatar os compromissos com os setores democrático-populares que foram fundamentais para eleger Dilma presidenta no segundo turno das eleições presidenciais.
E para reatar estes compromissos, é necessário mudar a política econômica, deter e reverter a recessão, gerar empregos e recompor salários.
O PT, há vários meses e por várias vozes, expressou a necessidade da mudança econômica do ministro Levy. Inclusive como parte da melhor defesa do mandato popular ameaçada pelo golpismo. Mudança que é uma exigência largamente respaldada pelo recente congresso da CUT e partilhada por um conjunto de intelectuais, lideranças e movimentos populares.
Ao mesmo tempo, somos a favor da ampliação de novas receitas para o Sistema Único de Saúde e não compactuamos com a falsa avaliação de uma “crise da Previdência”. A previdência pública tem como se manter e expandir com a retomada do crescimento e da geração de empregos formais. Além disso, o PT sempre foi a favor de um sistema tributário mais justo, de modo que os detentores de grandes riquezas e rendas contribuam proporcionalmente mais.
A política econômica que o PT defende é a do crescimento econômico, com distribuição de renda e de riqueza. Crescimento exige ampliar – e não cortar – os investimentos públicos e sociais. Mesmo o aumento de impostos e a busca por novas receitas devem estar associados a este objetivo maior: retomar o crescimento com distribuição de renda e riqueza.
Sob pretexto de promover um ajuste breve, trazendo como saldo positivo a recuperação da confiança dos empresários e a queda das taxas de juros longas, o ajuste real promovido (tanto fiscal quanto monetário) atirou a economia brasileira em uma espiral recessiva descontrolada, sem apontar para nenhuma saída possível no médio prazo e que não regula as contas públicas. Aprofundar a atual política econômica irá piorar a recessão e destruirá um conjunto de avanços sociais conquistados ao longo dos últimos anos.
A retomada dos investimentos públicos e privados, a preservação do emprego, o financiamento do Estado e a recuperação dos setores industriais mais afetados pela crise (como é o caso da construção civil) devem ser prioridades do governo no momento atual, pois só assim o país poderá voltar a crescer e reverter a situação delicada em que se encontram as finanças públicas. Para isso, faz-se necessário promover uma mudança imediata na estratégia da política econômica, priorizando a retomada do emprego e do crescimento, utilizando a macroeconomia como instrumento do desenvolvimento econômico e social do país.
Do ponto de vista emergencial, isto supõe reduzir a taxa de juros, alongar o pagamento da dívida pública, controlar o câmbio, tributar as grandes fortunas e heranças, dividendos, remessas de lucros e combater a sonegação. Para uma nova política econômica é necessário portanto uma nova equipe econômica.
No médio prazo, inclui a realização das reformas estruturais defendidas pela Frente Brasil Popular: reforma do Estado, reforma política, reforma do poder judiciário, reforma na segurança pública com desmilitarização das Polícias Militares, democratização dos meios de comunicação e da cultura, reforma urbana, reforma agrária, consolidação e universalização do Sistema Único de Saúde, reforma educacional e reforma tributária.
A agenda de que o país necessita é composta ainda de medidas como a Constituinte exclusiva e soberana do sistema político, o enfrentamento aos oligopólios financeiro e empresariais que controlam a economia nacional, o controle público sobre o Pré-Sal e seus recursos para educação e saúde contra as tentativas atuais de destruir a Lei da Partilha e a política de conteúdo nacional e combater a corrupção e suas raízes de maneira não-seletiva.
Acreditamos ser uma vitória histórica a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanha. Nesse sentido, o Diretório Nacional, por delegação do 5º Congresso Nacional, referenda a resolução de não mais receber doação de recursos empresariais e, inclui a proibição de doações de empresas também para campanhas eleitorais. As atividades e as organizações partidárias bem como as campanhas eleitorais serão financiadas exclusivamente com recursos oriundos dos filiados e simpatizantes e do fundo partidário.
Além disso, em razão das graves denúncias e provas conhecidas das atividades ilícitas e quebra de decoro que são puníveis com a cassação do mandato parlamentar, o PT apoia a representação ao Conselho de Ética contra o deputado federal e presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, orientando o posicionamento unificado da bancada.
Denunciamos ainda o retrocesso representado pela pauta conservadora do Congresso Nacional, a exemplo dos projetos de lei Antiterrorismo, do Estatuto da Família, da PEC 215 que ameaça os direitos e a demarcação das terras indígenas, da PEC 395/2014 que fere o princípio da gratuidade nas universidades públicas e do PL 5069/13 que agrava a criminalização do aborto. Por isso, reafirmamos a posição da bancada petista no Senado contra o projeto de lei que tipifica o terrorismo, redundando em riscos à democracia e à criminalização dos movimentos sociais.
Como sempre, os setores populares não podem ter nenhuma ilusão na postura da classe dominante, de seus políticos e de seus meios de comunicação.
Apesar das divergências também presentes entre eles, as diferentes frações da classe dominante, seus órgãos de comunicação e seus representantes políticos compartilham três objetivos estratégicos: a) realinhar plenamente o Brasil com os interesses do imperialismo, b) reduzir os direitos econômicos, sociais e políticos da classe trabalhadora, c) encerrar o ciclo de governos da esquerda.
Por isto, mais do que nunca, as classes trabalhadoras, os setores populares e democráticos devem confiar em suas próprias forças. Motivo pelo qual saudamos a criação da Frente Brasil Popular e conclamamos a militância petista a participar ativamente de sua organização em todo o país e das mobilizações por ela organizadas em defesa da democracia, de uma nova política econômica e dos direitos do povo brasileiro.
O Partido dos Trabalhadores defende, pública e claramente, outro caminho para enfrentar a crise. Um caminho que reposicione nosso partido contra a ofensiva conservadora e está articulada com uma estratégia de defesa e reorientação política, inclusive com a realização de plenárias municipais e estaduais de mobilização e o debate sobre a realização de um Encontro nacional extraordinário.
Em 2016, a conjuntura na qual disputaremos as eleições municipais dependerá das mudanças necessárias na condução do governo a se fazer agora, especialmente na esfera econômica. Queremos disputar prefeituras e cadeiras nas câmaras municipais à luz do programa eleito pelo povo brasileiro em 2014, em um cenário de recuperação do crescimento, de defesa das políticas sociais e da democracia. O PT deverá construir alianças programáticas, campanhas militantes e sem financiamento empresarial. Nosso campo de alianças priorizará, portanto, partidos e setores partidários do campo democrático-popular e o movimento sindical e popular.
A presidenta Dilma contará com o forte apoio da nossa direção e militância no cumprimento do mandato e do programa que as urnas lhe concederam em outubro de 2014, bem como na defesa da democracia e de uma nova política econômica.
Brasília, 29 de outubro de 2015

Assinam: Articulação de Esquerda, Avante Socialismo 21, Esquerda Popular Socialista, Mensagem ao Partido e Militância Socialista.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

COLÔMBIA: CESSAR FOGO À VISTA ATÉ O FINAL DO ANO

Santos pediu avançar no tema da justiça para as vítimas visando fechar o acordo (Foto: Página/12)
O presidente Santos admite a possibilidade duma trégua bilateral
O chefe guerrilheiro Rodrigo Granda pegou a deixa e afirmou, através das redes sociais, que o armistício pode sair inclusive antes de 31 de dezembro, a data mencionada pelo presidente colombiano em suas declarações.
Do jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 29 (em espanhol)
El presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmó que la mesa de diálogo entre su gobierno y las FARC en La Habana puede llegar a un acuerdo para iniciar un alto el fuego bilateral antes del 1º de enero de 2016. El jefe guerrillero Rodrigo Granda recogió el guante y afirmó, a través de las redes sociales, que la fecha puede pactarse inclusive antes. Por su parte, el ministro de Relaciones Exteriores de Chile, Heraldo Muñoz, afirmó que su país está dispuesto a ser parte de la veeduría internacional de un posible alto el fuego bilateral entre el gobierno colombiano y la guerrilla de las FARC.
Santos se refirió ayer (ontem)  al quinto punto de las negociaciones, el cual refiere a las víctimas e incluye el apartado de justicia, uno de los más espinosos, que ya fue parcialmente acordado el pasado 23 de septiembre. “Hagamos ese esfuerzo para que de aquí al 31 de diciembre podamos, por ejemplo, terminar el punto cinco, el fin del conflicto, y así poder decretar un cese del fuego bilateral, verificado internacionalmente, a partir del primero de enero”, señaló el mandatario durante un acto de gobierno. El presidente hizo también un llamado a las FARC para que hagan ese esfuerzo “para terminar antes” el conflicto y recordó que el máximo cabecilla de la organización, Rodrigo Londoño Echeverry, alias Timochenko, mencionó la posibilidad de “darle un buen regalo de Navidad al país” (“dar um bom presente de Natal ao país”).
Santos anunció además que esta semana una delegación del Congreso viajará a La Habana, con el fin de explicar los trámites que se llevan a cabo en el Legislativo con relación al proceso de paz, para acelerar la implementación de los acuerdos de paz que se pacten. “Hay que acortar, en la medida de lo posible, el tiempo entre el momento en que se firman los acuerdos y el momento en que se implementan”, dijo.
Horas después del comentario presidencial, Granda, alias (codinome) Ricardo Téllez, sugirió que no es necesario esperar al primer día del año nuevo para declarar ese alto el fuego. “Navidad sin temores. Cuando se desea dar algo, se hace en el mejor momento. El 16 de diciembre comienzan aguinaldos (gratificação de Natal, tipo 13º. salário no Brasil). ¿Por qué esperar al 1° de enero?”, se preguntó el líder rebelde en su cuenta de Twitter, en un mensaje que fue destacado en la red social por Timochenko.
Surpresa: mudança de posição do ex-presidente Álvaro Uribe
El anuncio de Santos se conoció poco antes de otra declaración de virtual apoyo al proceso de paz que causó alguna sorpresa en el mundo político colombiano, ya que provino del ex presidente Alvaro Uribe, un tenaz opositor de los diálogos de paz. El ex mandatario afirmó ayer que aceptaría formar una Asamblea Constituyente con miembros de las FARC para refrendar los futuros acuerdos de paz siempre y cuando no participen en ella responsables de delitos de lesa humanidad o graves crímenes de guerra. La idoneidad de la Constituyente para refrendar los futuros acuerdos de paz es un constante debate en Colombia, pues mientras (enquanto) la organización guerrillera defiende esta posibilidad, el gobierno prefiere el llamado “Congresito”, un órgano legislativo transitorio conformado por legisladores y un grupo de delegados de esa guerrilla. La última vez que se convocó a una Asamblea Constituyente en Colombia fue en 1991, cuando durante cinco meses se redactó una nueva Constitución, que sustituyó a la de 1886.
Por su parte, y en el marco de el diálogo entre el presidente Santos y las FARC, el jefe de la diplomacia chilena opinó que, tras un enfrentamiento bélico de tal magnitud, es necesario un proceso de verificación. “Estamos dispuesto a hacer lo que está a nuestro alcance si el Gobierno de Colombia así lo solicita”, afirmó en una rueda de prensa tras reunirse con su par colombiana, María Angela Holguín. “Veremos si será con otros países, pero la voluntad política de colaborar con la consolidación del proceso de paz por parte de Chile está presente”, destacó Muñoz. Durante su intervención, el ministro chileno afirmó además que Colombia debe sentirse acompañada en este momento crucial para la paz. “Chile puede prestar apoyo político, informar de lo que está sucediendo y ayudar a crear un clima favorable”, expresó.
Por su parte, Holguín agradeció a Chile su papel en las negociaciones de paz con las fuerzas insurgentes, que se iniciaron hace casi tres años y en los que jugó junto con Venezuela el rol de “país acompañante”. La canciller colombiana destacó que “el corazón de la relación” con Chile es la “asociación estratégica”, un consejo creado en 2011.
Las FARC iniciaron un alto el fuego unilateral el pasado 20 de julio que fue respondido unos días después por Santos con una nueva suspensión de los bombardeos sobre los campamentos de esa guerrilla. Según un informe publicado el pasado mes por el Centro del Recursos para el Análisis de Conflictos , la violencia en Colombia relacionada con el conflicto armado se redujo a su nivel más bajo en 40 años.

El 23 de septiembre el gobierno y las FARC anunciaron que a más tardar el 23 de marzo de 2016 llegarán a un acuerdo para poner fin a medio siglo de conflicto armado. Los diálogos de paz, que comenzaron hace casi tres años están actualmente en un receso por las elecciones de alcaldes y gobernadores que se celebraron en Colombia el pasado domingo.

(VÍDEO) MIGUEL DO ROSÁRIO: A OPERAÇÃO ZELOTES, A MÍDIA HEGEMÔNICA E A NOVA ARMAÇÃO CONTRA LULA



Postado aqui a partir do blog O Cafezinho. Link para o artigo de Miguel do Rosário:

A nova armação contra Lula


Outro link para matéria do blog Viomundio:

O que o Jornal Nacional não está noticiando sobre a Operação Zelotes: quem pagou propina de R$ 11,7 milhões?

RUBENS CASARA: CONVERSAR COM UM FASCISTA, UM ATO DE RESISTÊNCIA

(Foto: Viomundo)
“O fascismo (...) é um “patrimônio” de teorias, valores, princípios, estratégias e práticas à disposição dos governantes ou de lideranças de ocasião (que podem, por exemplo, ser fabricadas pelos detentores do poder político ou econômico, em especial através dos meios de comunicação de massa)...”
Por Rubens Casara, no Justificando – reproduzido do blog Viomundo – o que você não vê na mídia, de 28/10/2015
Conversar com um fascista: um desafio
Em Adorno, a ignorância, a ausência de reflexão, a identificação de inimigos imaginários, a transformação dos acusadores em julgadores (e vice-versa) e a manipulação do discurso religioso são, dentre outros sintomas, apontados como típicos do pensamento autoritário.
Pensem, agora, na naturalização com que direitos fundamentais são afastados e violados no Brasil, na crença no uso da força (e do sistema penal) para resolver os mais variados problemas sociais, na demonização de um partido político (que, apesar de vários erros, e ao contrário de outros partidos apontados como “democráticos”, não aderiu aos projetos a seguir descritos), no prestígio novamente atribuído aos “juízes-inquisidores”, nos recentes linchamentos (inclusive virtuais), no número tanto de pessoas mortas por ação da polícia quanto de policiais mortos e nos projetos legislativos que:
a) relativizam a presunção de inocência;
b) ampliam as hipóteses de “prisão em flagrante” em evidente violação aos limites semânticos da palavra “flagrante” inscrita no texto Constitucional como limite ao exercício do poder;
c) criminalizam os movimentos sociais com a desculpa de prevenir “atos de terrorismo”;
d)  impedem o fornecimento de “pílulas do dia seguinte” para profilaxia de gravidez decorrente de violência sexual e criminalizam médicos que dão informações para mulheres vítimas de violência sexual;
e) eliminam o princípio constitucional da gratuidade na educação pública, dentre outras aberrações jurídicas.
Conclusão? Avança-se na escala do fascismo.
O fascismo recebeu seu nome na Itália, mas Mussolini nunca esteve sozinho. Diversos movimentos semelhantes surgiram no pós-guerra com a mesma receita que unia voluntarismo, pouca reflexão e violência contra seus inimigos. Hoje, parece que há consenso de que existe(m) fascismo(s) para além do fenômeno italiano ou, ainda, que o fascismo é um amálgama de significantes, um “patrimônio” de teorias, valores, princípios, estratégias e práticas à disposição dos governantes ou de lideranças de ocasião (que podem, por exemplo, ser fabricadas pelos detentores do poder político ou econômico, em especial através dos meios de comunicação de massa), que disseminam o ódio contra o que existe para conquistar o poder e/ou impor suas concepções de mundo.
O fascismo possui inegavelmente uma ideologia: uma ideologia de negação. Nega-se tudo (as diferenças, as qualidades dos opositores, as conquistas históricas, a luta de classes, etc.), principalmente, o conhecimento e, em consequência, o diálogo capaz de superar a ausência de saber.
Os fascistas, como já foi dito, talvez não saibam o que querem, mas sabem bem o que não suportam. Não suportam a democracia, entendida como concretização dos direitos fundamentais de todos, como processo de educação para a liberdade e de limites ao exercício do poder. Essa mistura de pouca reflexão (o fascismo, nesse particular, aproxima-se dos fundamentalismos, ambos marcados pela ode à ignorância) e recurso à força (como resposta preferencial para os mais variados problemas sociais) produz reflexos em toda a sociedade.
As práticas fascistas revelam uma desconfiança. O fascista desconfia do conhecimento, tem ódio de quem demonstra saber algo que afronte ou se revele capaz de abalar suas crenças. Ignorância e confusão pautam sua postura na sociedade. O recurso a crenças irracionais ou anti-racionais, a criação de inimigos imaginários (a transformação do “diferente” em inimigo), a confusão entre acusação e julgamento (o acusador – aquele indivíduo que aponta o dedo e atribui responsabilidade – que se transforma em juiz e o juiz que se torna acusador – o inquisidor pós-moderno) são sintomas do fascismo que poderiam ser superados se o sujeito estivesse aberto ao saber, ao diálogo que revela diversos saberes.
Diante dos riscos do fascismo, o desafio é confrontar o fascista com aquilo que para ele é insuportável: o outro. O instrumento? O diálogo, na melhor tradição filosófica atribuída a Sócrates. Talvez esse seja o objetivo do diálogo proposto pela filósofa Marcia Tiburi em seu novo livro, que tive o prazer de apresentar (o prefácio é do sempre excelente Jean Wyllys).
Em "Como conversar com um fascista: reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro" (Rio de janeiro: Saraiva, 2015), a autora resgata a política como experiência de linguagem, sempre presente na vida em comum, e investe nessa operação, que exige o encontro entre o “eu” e o “tu”, apresentada como fundamental à construção democrática. De fato, a qualidade e a própria existência da forma democrática dependem da abertura ao diálogo, da construção de diálogos genuínos – que não se confundem com monólogos travestidos de diálogos – em que a individualidade e os interesses de cada pessoa não inviabilizam a construção de um projeto comum, de uma comunidade fundada na reciprocidade e no respeito à alteridade.
Ao tratar da personalidade autoritária, dos micro-fascismos do dia-a-dia, do consumismo da linguagem, da transformação de pessoas em objetos, da plastificação das relações, da idiotização de parcela da população, dentre outros fenômenos perceptíveis na sociedade brasileira, Marcia Tiburi sugere uma mudança de atitude do um-para-com-o-outro.
Nos diversos ensaios deste livro, a autora conduz o leitor para um processo de reflexão e descoberta dos valores democráticos, bem como desvela as contradições, os preconceitos e as práticas que caracterizam os movimentos autoritários em plena democracia formal.
Mas, não é só.
Ao propor que a experiência dialógica alcance também os fascistas, aqueles que se recusam a perceber e aceitar o outro em sua totalidade, Marcia Tiburi exerce a arte de resistir.
Dialogar com um fascista, e sobre o fascismo, forçar uma relação com um sujeito incapaz de suportar a diferença inerente ao diálogo, é um ato de resistência.
Confrontar o fascista, desvelar sua ignorância, fornecer informação/conhecimento, levar esse interlocutor à contradição, desconstruindo suas certezas, forçando-o a admitir que seu conhecimento é limitado, fazem parte do empreendimento ético-político da autora,  que faz neste livro uma aposta na potência do diálogo e na difusão do conhecimento como antídoto à tradição autoritária que condiciona o pensamento e a ação em terra brasilis.
O leitor, ao final, perceberá que não só o objetivo foi alcançado como também que a autora nos brindou com um texto delicioso, original, profundo sem ser pretensioso. Mais do que recomendada a leitura.

Rubens Casara é Doutor em Direito, Mestre em Ciências Penais, Juiz de Direito do TJ/RJ, Coordenador de Processo Penal da EMERJ e escreve a Coluna ContraCorrentes, aos sábados, com Giane Alvares, Marcelo Semer, Marcio Sotelo Felippe e Patrick Mariano.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

JOSÉ CRISÓSTOMO: “A RUINDADE ALOPRADA DA OPOSIÇÃO É O MAIOR TRUNFO DO GOVERNO. MAS NÃO CONSOLA O POVÃO APERTADO”

(Foto: Internet)
Professor de Filosofia da UFBa entra no debate da conjuntura e interpela “esse pessoal de pequenas siglas sectário-delirantes”: “Como alguém pode fazer avaliação focada em particular do sistema financeiro e da gorda alta de juros, sem nenhuma referência ao fato de que Dilma forçou e conseguiu (...) baixar os juros brasileiros nominais para um dígito?”

Por José Crisóstomo - Transcrição e edição por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do Blog Evidentemente – publicado em 28/10/2015 (ver observação abaixo)

De meu lado, aqui entre nós, acho esse pessoal de pequenas siglas sectário-delirantes totalmente aloprado e incapaz de ver qualquer coisa na linha de entender a crise por que passa o país. Por esse pessoal, o país naufraga ainda mais.

Veja. Como alguém pode fazer avaliação focada em particular do sistema financeiro e da gorda alta de juros, sem nenhuma referência ao fato de que Dilma forçou e conseguiu, com certa tranquilidade política e até aprovação geral, e com meu aplauso caloroso, baixar os juros brasileiros nominais para um dígito, feito histórico sem precedentes, algo se bem me lembro como 7,5%, e os juros reais pra 2% (!!!), enquanto a própria imprensa capitalista do país admitia que o Brasil entrava agora no patamar normal de juros, de países normais, do resto do mundo?

Esse sim foi um verdadeiro ‘nunca dantes na história desse país’. Foi o fato mais importante e histórico de todo o primeiro mandato de Dilma. Como se pode agora, na hora de discutir a crise e a terrível alta de juros que veio com ela, deixar de fazer referência a esse que é, pelo menos na esfera econômica, seu feito mais extraordinário?

O que não funcionou, então? o que deu errado? o que não criou o ciclo virtuoso em que a queda do investimento financeiro (Brasil deixando finalmente de ser o último peru gordo do planeta, como diria o Delfim Netto) ‘forçaria’ a grana capitalista a virar investimento produtivo, que, respondendo ao generalizado aumento de renda das classes baixas, respondendo a essa demanda aumentada, faria o país finalmente explodir de crescimento, como finalmente um capitalismo de consumo de massa? Por que a taxa de investimento continuou uma merda? O investimento produtivo não veio?

E o que foi feito com a tremenda economia que, contido (!) o crime que agora se denuncia (a espoliação do país pelos financistas-rentistas-parasitas), o tesouro nacional fez, com a queda de 10 pontos percentuais nos juros, desde os tempos mais cruéis do Meirelles? (E você sabe quanto dinheiro um ponto percentual de juros custa, pra cima, ou pode ser economizado, pra baixo!).

E de onde veio a inflação que então, em plena maré de juros baixos, começou a mostrar um avanço insistente e prolongado que não foi tempestivamente enfrentado, debelado? O liberal Levy não teve tempo de causar nenhum efeito à economia (quaisquer medidas levam pelo menos seis meses) e a economia brasileira já mostrava a merda em que estava, no dia seguinte às eleições, por uma combinação perversa de estagnação e inflação. De onde veio isso?

Convenhamos, se esse fiasco não resultasse numa oposição assanhada, o que faria então com que isso resultasse? O que há de absurdo numa oposição assanhada quando a popularidade de Dilma vai lá pra baixo, não entre a burguesia, mas entre as classes pobres da sociedade?

Aliás, o caráter aloprado e desqualificado da oposição fascistoide manifestante ainda é o melhor trunfo político de que Dilma dispõe. Então, ocupemo-nos mesmo de nossas falhas. Votei nesse governo, não votaria nem agora nessa oposição de merda. Mas não dá pra não fazer uma avaliação crítica de outra merda, aquela que o governo andou fazendo, e da qual algumas pessoas surpreendentemente querem mais. Ela tá aí, exposta didaticamente, em termos bem moderados e ponderados, pelo aliado Delfim Netto. (Ou ele agora passou a inimigo neoliberal também?).

É uma pena, porque até o sucesso nas políticas sociais pode ir pro brejo com esse tipo de ‘realização’ econômica, do para-keynesianismo atrapalhado e desorientado. O lamentável é que não dá pra discutir. É o Mal que detonou a economia, não a merda da insistência tonta em medidas atrapalhadas, sob o nome de ‘nova matriz desenvolvimentista’.

Assim não tem jeito. Nós nunca erramos? Não esqueçamos que agora o governo é também um bando de gente interessada em poder, posição, cargo - o tal ‘projeto de poder’.  E a denúncia do ‘imperialismo’ nessa hora soa tão verossímil quanto a de comunismo, chavezuelismo, etc., feita pelo outro lado. É lamentável. Quem está pagando o pato são as massas.

E a crise política é em primeiro lugar o resultado do sentimento instaurado pelo quadro econômico em colapso, entre as classes populares (sic). Não tem governo popular e estável, não tem governo de esquerda ou de direita, que não entre em crise de impopularidade com uma combinação de crescimento negativo e aumento da inflação (uma façanha em qualquer lugar do mundo!). Repito: a ruindade aloprada da oposição é o maior trunfo do governo. Mas não consola o povão apertado.


Recebi do meu amigo Crisóstomo, velho companheiro de militância política, o email transcrito acima na íntegra, escrito após tomar conhecimento, através de matérias deste blog, dos debates enfocando ANÁLISE DE CONJUNTURA: ENTENDER A REALIDADE PARA TRANSFORMÁ-LA. Já houve um primeiro encontro no último dia 22 e um segundo está marcado para 11/novembro, conforme venho noticiando. O texto, como ele diz, é “uma rápida reação, uma pincelada, não um artigo ou ensaio”. 

José Crisóstomo de Souza (foto) é doutor em Filosofia Política pela Unicamp e fez seu pós-doutorado em Filosofia Contemporânea (1993-95) na UC-Berkeley. Atualmente é professor titular de Filosofia do Depto de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia Contemporânea da UFBa.


Comentário do próprio Crisóstomo:

Adoraria qualquer comentário. Espero isso de seu dinâmico e provocativo blog.


Eu acho que o pessoal é, na verdade, menos marxista do que eu ao tentar tratar o problema econômico como essencialmente moral - bons vs maus, Bem vs Mal - e não como um desafio... ‘técnico’, ‘científico’ e político – não só ‘ideológico’ - de fazer política-econômica progressista. De solução, experimentação, tentativa e erro. Com interesses (capazes de comprometer os resultados) de todos os lados (inclusive do lado de faturar uma eleição, pra não deixar o poder e o Estado).

MADURO ASSINA COMPROMISSO COM RESULTADOS ELEITORAIS E DENUNCIA QUE A OPOSIÇÃO PLANEJA UM GOLPE

(Foto: Nodal)
“A direita não está fazendo campanha eleitoral para ganhar as eleições (…) A direita está se preparando para um golpe contrarrevolucionário a partir de 6 de dezembro”, disse o chefe de Estado nas imediações do Conselho Nacional Eleitoral (CNE, equivalente ao TSE no Brasil), após assinar o Acordo de Respeito aos resultados eleitorais.
A presidenta do CNE, Tibisay Lucena, declarou: “A assinatura dum acordo de respeitar os resultados das eleições representa um respeito. Nosso maior orgulho será sempre afirmar que as eleições na Venezuela são seguras”.
Do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 27/10/2015
El presidente de la República, Nicolás Maduro, expresó, este lunes (esta segunda-feira), que “la derecha no está haciendo campaña electoral” para las elecciones parlamentarias del próximo 6 de diciembre, sino que “se está preparando para un golpe contrarevolucionario”.
“No quiero alarmar a nadie, ni exagerar las situaciones, pero saben que he venido diciendo que el 6 de diciembre tenemos que ganar como sea (…) La derecha no está haciendo campaña electoral para ganar unas elecciones (…) La derecha se está preparando para un golpe contrarevolucionario a partir del 6 de diciembre”, dijo el Jefe de Estado a las afueras del Consejo Nacional Electoral, tras firmar el Acuerdo de Respeto a los resultados electorales.
“Si nosotros sabemos que ellos están haciendo campaña internacional contra Venezuela, nuestro plan debe ser movilizar al pueblo como sea para ganar por paliza (…) Tendremos un plan antigolpe, esta revolución no será entregada jamás, que lo sepan los pelucones”, añadió.
Informó que quedan 41 días para las elecciones, apuntando que “todo lo que hagamos tiene que ser perfecto, con la seguridad de la inmensa maquinaria que tenemos de pueblo, para garantizar ganar todos los circuitos y los estados del país, como sea”.
“Aquí está la doctora Tibisay Lucena, garante del Poder Electoral”, dijo el mandatario al llegar este lunes a la sede del Consejo Nacional Electoral para firmar el compromiso ante el órgano electoral de respetar los resultados en las próximas elecciones del 6 de diciembre.
Maduro afirmó que el próximo 6 de diciembre, “lo que diga el poder electoral será palabra sagrada. Como sea voy a acatar los resultados del Poder Electoral”.
Aseveró: “Donde no nos favorezca el voto popular, seremos los primeros en decir Amén”.
“He venido a firmar por millones de hombres y mujeres que queremos paz y sabemos los avances del poder electoral que han permitido blindar la voluntad popular. Mi firma no es una firma personal ni individual, he firmado por millones de campesinos, trabajadores que queremos paz”, expresó el mandatario luego de firmar el documento.
Señaló que propondrá que el documento sea firmado por los gobernadores, alcaldes y por la población a partir de este jueves (desta quinta-feira), en las plazas Bolívar del país. “Voy a proponer que este documento lo saquemos a la calle y sea firmado por el pueblo (…) He propuesto que este documento de reconocimiento lo saquemos a las plazas Bolívar del país para que el pueblo también lo firme, a partir del jueves (…) Será una gran jornada de movilización preventiva por la paz”.
“El 6 de diciembre en la noche debemos concretar la victoria electoral, pero lo más importante será la paz, la convivencia y el respeto en el país”, dijo el presidente.
“Rectores y rectoras, de aquí al 6 de diciembre ustedes tienen la voz de mando”, agregó el jefe de Estado.
La presidenta del CNE, Tibisay Lucena, indicó: “La firma de un acuerdo de respetar los resultados de las elecciones representa un respeto. Nuestro mayor orgullo será siempre afirmar que las elecciones en Venezuela son seguras”.
“Hoy hacemos un homenaje al pueblo de Venezuela que frente a cualquier escenario nos demuestra su solidaridad. Somos herramienta para el ejercicio soberano del pueblo y aplaudimos este acto de profundo respeto para el pueblo”, destacó.
Venezolanos se encuentran concentrados en la Plaza Caracas para acompañar al presidente.
El pasado 6 de octubre el jefe de Estado propuso al Poder Electoral el documento para que las organizaciones políticas reconozcan los venideros comicios.
Hace dos (duas) semanas, los partidos políticos pertenecientes al Gran Polo Patriótico (GPP – coalizão governista) cumplieron con la firma de este acuerdo y, con ello, se comprometieron a garantizar la paz y estabilidad durante la jornada comicial (eleitoral).
(Do jornal Panorama)

Observação do Evidentemente: Para os que escutam a mídia hegemônica brasileira (e internacional) apregoar que o governo chavista é uma tirania, uma ditadura, que bolivarianismo é sinônimo de tirania, um lembrete: estas eleições legislativas (próximo dia 6/dezembro) serão a 20ª. eleição desde a de 1998 que elegeu Hugo Chávez como presidente pela primeira vez. Das 19, os chavistas perderam apenas uma e acataram o resultado, de forma serena, normal.